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Alone In The Dark: Re-Haunted | Projeto do 1º jogo mostra extremo de uma remasterização!

Alone in the Dark deixou uma marca enorme no survival horror antes mesmo de Resident Evil aparecer para levar boa parte da fama pelo gênero. O jogo da Infogrames chegou em 1992 colocando o jogador em uma mansão cheia de criaturas, enigmas, livros, objetos escondidos e uma quantidade saudável de coisas querendo arrancar sua cabeça. A influência sobre Resident Evil é tão evidente que a própria história do gênero acabou colocando o jogo da Capcom no centro das atenções, mesmo Alone in the Dark tendo apresentado vários dos elementos que seriam associados ao survival horror anos antes.

O curioso é que Alone in the Dark nasceu no PC, e isso torna Alone In The Dark: Re-Haunted uma experiência especialmente interessante. Quando se fala em recompilação, é comum imaginar aquele processo de pegar um jogo originalmente feito para PlayStation, Nintendo 64 ou outro console e transformar o código em algo que rode de forma nativa no computador. Aqui a história é diferente. O projeto pega um jogo que já era de PC e reconstrói sua tecnologia para funcionar de maneira moderna no próprio PC.

Re-Haunted é uma reimplementação feita em C++ do motor usado pelo Alone in the Dark original, com sistemas modernos para renderização, áudio e controles. O projeto também utiliza dynamic recomp, transformando partes do funcionamento original para código nativo moderno. Na prática, não é simplesmente abrir o executável antigo e mandar o Windows atual se virar com ele. Existe uma nova base técnica capaz de executar os dados do jogo original, mas aproveitando recursos que um computador moderno oferece.

E aí começa a parte que deixa a coisa realmente engraçada. Alone in the Dark é um jogo de 1992, então suas limitações visuais são enormes quando comparadas ao que um PC moderno consegue fazer. Re-Haunted aproveita essa liberdade para colocar iluminação dinâmica, modelos 3D com texturas, fundos em alta definição, efeitos de pós-processamento, sombras e outros recursos que mudam completamente a aparência da aventura. Os cenários podem receber imagens em resolução muito maior, enquanto elementos tridimensionais ganham novos modelos e texturas.

O resultado passa longe daquela velha fórmula de remaster em que alguém pega o jogo, aumenta a resolução das texturas, coloca um filtro qualquer e anuncia que a humanidade acaba de receber a versão definitiva. Aqui o visual pode ficar tão diferente que, ao olhar uma comparação entre o original e Re-Haunted, a primeira reação é perguntar se aquilo não deveria estar sendo chamado de remake. Só que o jogo continua sendo Alone in the Dark, com sua estrutura, seus cenários, seus personagens e sua lógica preservados.

E isso acaba levantando uma questão bem curiosa sobre alguns remasters de grandes empresas. Durante anos, muita gente aceitou que determinados jogos antigos estavam presos às limitações de suas engines e que melhorar bastante o visual significaria praticamente refazer tudo. Re-Haunted mostra que existe um caminho bem mais ambicioso quando alguém realmente coloca a mão na massa. O projeto consegue reconstruir a base técnica e acrescentar recursos modernos sem simplesmente jogar fora o jogo original e começar outro do zero.

Isso também faz surgir aquela pergunta meio inconveniente que ninguém gosta de fazer quando uma empresa cobra novamente pelo mesmo jogo com textura mais bonita. Até onde certas remasterizações realmente esbarram em limitações técnicas e até onde existe simplesmente uma decisão de gastar o mínimo possível? Não dá para usar Re-Haunted como prova de que todo remaster comercial poderia receber exatamente o mesmo tratamento, porque projetos diferentes possuem motores, códigos, ferramentas e dificuldades completamente diferentes. Mas é difícil olhar para esse trabalho e não perceber que existe uma diferença gigantesca entre apenas colocar o jogo antigo para renderizar em uma resolução maior e reconstruir sua tecnologia para permitir mudanças muito mais profundas.

Re-Haunted ainda coloca recursos modernos em coisas que vão além do visual. Há suporte a controles atuais, tela cheia, mapas interativos da mansão e das áreas subterrâneas, dicas para objetos interativos, fontes modernas, recuperação de falhas e opções para alternar entre os gráficos originais e o modo remasterizado. Até o suporte às vozes presentes nas versões em CD foi incorporado.

E não é necessário tratar o projeto como uma forma de distribuir o jogo original de graça. Os arquivos de Alone in the Dark não vêm junto com Re-Haunted. A proposta é utilizar os dados do jogo que o jogador possui, com versões disponíveis em lojas como Steam e GOG, enquanto o projeto fornece a nova tecnologia necessária para executá-los. O próprio Re-Haunted também é disponibilizado como projeto gratuito e de código aberto.

Alone in the Dark passou décadas sendo lembrado como aquele jogo que chegou antes de Resident Evil e ajudou a construir as fundações do survival horror. Re-Haunted coloca outra peça nessa história ao mostrar como esse pioneiro pode ser tratado quando alguém decide não se contentar em simplesmente fazer o executável antigo funcionar em um computador moderno. O mais curioso é que a recompilação não está pegando um jogo de console e levando para o PC. Está fazendo algo bem mais esquisito e interessante, pegando um jogo que já era de PC e reconstruindo sua tecnologia para mostrar até onde ele pode chegar quando as velhas limitações deixam de mandar na brincadeira.

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JOGO NA VERSÃO ORIGINAL DE 1992 PRA COMPARAR 
ALONE IN THE DARK: RE-HAUNTED