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O Máskara | Sombria HQ com horror corporal, do fim dos anos 80, que originou o filme

Quem conhece O Máskara por causa do filme com Jim Carrey, do desenho animado ou dos videogames costuma imaginar um personagem caótico, engraçado e cheio de piadas visuais. A surpresa aparece quando se descobre que sua origem nos quadrinhos segue um caminho completamente diferente. Publicado pela Dark Horse Comics, o personagem nasceu com uma mistura de humor negro, violência gráfica e elementos de horror que deixam a adaptação para o cinema parecendo uma versão muito mais leve. A ideia original foi criada por Mike Richardson, fundador da editora, passando por mudanças até ganhar sua forma definitiva com o roteirista John Arcudi e o desenhista Doug Mahnke. A versão conhecida como The Mask surgiu em Mayhem em 1989, depois de um conceito anterior chamado The Masque, apresentado em Dark Horse Presents em 1987.
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Nos quadrinhos, Stanley Ipkiss está longe de ser um herói atrapalhado e simpático. O artefato simplesmente libera tudo o que existe de pior em quem o utiliza, transformando seus impulsos em uma sequência de assassinatos, vinganças e cenas grotescas. O humor continua presente, mas funciona de um jeito perturbador, fazendo piadas enquanto corpos são destruídos de maneiras absurdas. Essa mistura de comédia e violência lembra o espírito de obras como Marshal Law ou até alguns momentos mais extremos de Lobo, mas com uma identidade própria que aposta bastante no horror corporal.

Esse contraste costuma ser um dos maiores atrativos da HQ. Quem chega esperando encontrar o clima do longa acaba descobrindo uma obra quase de terror, cheia de sangue, mutilações e um protagonista que inspira mais desconforto do que simpatia. Mesmo vários elementos visuais que ficaram famosos no cinema, como a cabeça verde exagerada e os poderes praticamente sem limites, nasceram nessa fase dos quadrinhos, só que usados para criar situações muito mais macabras.

Doug Mahnke também tem um papel importante nessa identidade. Seu traço ainda estava em desenvolvimento, mas já transmitia uma sensação crua que combina perfeitamente com a proposta. Os rostos deformados, as expressões exageradas e as transformações bizarras ajudam a criar um clima inquietante, como se qualquer página pudesse esconder algo completamente imprevisível. É uma arte que conversa muito bem com o lado mais sombrio que a Dark Horse explorava naquele período.

Existe também um charme difícil de explicar em ler O Máskara hoje. Diferente de personagens que aparecem o tempo todo em novas revistas, filmes e grandes eventos, essa HQ preserva uma sensação de descoberta. Ela passa aquela impressão de obra underground do fim dos anos 80 que circulava entre leitores apaixonados por quadrinhos alternativos. Não tem o peso comercial de um grande lançamento da Marvel ou da DC, e justamente por isso desperta uma curiosidade diferente, quase como encontrar uma relíquia escondida em uma coleção antiga.

Essa atmosfera faz muita gente querer ter uma edição física apenas pelo objeto em si. Não é raro encontrar leitores comentando como ficaram surpresos ao descobrir que o personagem original era tão diferente da versão popularizada pelo cinema e como as primeiras histórias são relativamente difíceis de encontrar em comparação com tantos quadrinhos de super-heróis tradicionais. Isso reforça aquela sensação de estar conhecendo um pedaço menos famoso da história dos quadrinhos americanos.

Outro ponto interessante é que fica mais evidente a ideia de uma maldição que manifesta o que há de pior nas pessoas, indo muito além de Stanley Ipkiss. O objeto possui uma existência própria e pode transformar qualquer pessoa que o utilize, sempre potencializando seus desejos mais violentos e impulsivos. Isso desperta a curiosidade sobre como cada novo portador seria transformado e amplia bastante as possibilidades das histórias, além de tornar interessante acompanhar o que leva diferentes personagens a entrarem em contato com o artefato ao longo das publicações da Dark Horse.

Enfim, O Máskara é uma leitura indicada para quem gosta de quadrinhos de horror, humor negro e obras cult que fugiram do caminho mais comercial. Também é uma ótima escolha para leitores curiosos em conhecer a verdadeira origem de personagens que ficaram populares em adaptações muito diferentes, especialmente aqueles que apreciam o clima misterioso e alternativo dos quadrinhos independentes do fim dos anos 80 e começo dos anos 90. No Brasil as sagas foram compiladas em dois volumes de luxo em capa dura, lançados pela Pipoca e Nanquim. Confira:
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