Hazel Sky | Jogo brasileiro em um universo dieselpunk deslumbrante

Como vocês sabem bem, sempre acabo me encantando por obras nacionais, especialmente se são jogos. E isso melhora muito mais quando tem uma boa apresentação. Esse acabou sendo o caso de Hazel Sky, do estúdio Coffee Addict Studio, de Araranguá - SC. Trata-se de um jogo indie daqueles que é muito fácil cair nas graças só de olhar. O tipo de obra que se você colocar uma screenshot na internet, muito provavelmente não vai demorar pra aparecer alguém perguntando que jogo é.

A história se passa em um mundo onde existe uma classe de engenheiros de elite, preparados desde jovens para construir os mais variados tipos de coisas e habitantes de uma cidade flutuante sobre o mar chamada de Gideon. No entanto, os engenheiros estão presos a seus destinos, sofrendo uma série de proibições, como serem artistas.
Você assume o papel de Shane, um jovem que segue o destino de sua família, se tornar um engenheiro. Ele é enviado para uma ilha próxima e tem que enfrentar os testes para ser aceito oficialmente na profissão. E assim precisa se virar no lugar, arrumando uma maneira de consertar máquinas disponíveis e fazer o seu caminho de volta para a cidade. Ou morrer tentando...

Eu acho que a mitologia do jogo foi bem fantástica, apresentando um ambiente que realmente passa muito bem a sensação de ser outro mundo. Você vai encontrando alguns documentos que te fazem entender melhor a cultura dos engenheiros e de artistas. E também consegue algumas dicas através de flashs com outros momentos e personagens.
Isso acaba se intensificando com a própria ambientação, um mundo que conta com um certo toque Dieselpunk, apresentando visuais de aviador semelhantes ao do começo do século passado, assim como suas tecnologias em geral, porém em um ambiente claramente futurístico, te permitindo observar à distância a gigantesca cidade levitando em cima da água.

Aliás, o visual é o que mais se destaca nesse jogo, superando qualquer um dos outros aspectos. Apesar da óbvia limitação de um indie, eles fizeram um design cartunesco que lembra um pouco o estilo de histórias em quadrinhos, adicionaram cores bem vivas e finalizaram com o que realmente atrai, a quantidade de detalhes!
Esse não é um daqueles jogos que o mundo parece todo vazio, mas sim algo que você vê itens para todos os lados. Sempre há coisas, desde as mais pequenas, como objetos aleatórios jogados pelo chão, até o que se pode ver à distância, como um barco encalhado ou uma enorme torre de comunicação em ruínas.

Inclusive, essa quantidade robusta de coisas acaba também gerando uma ótima sensação de liberdade. Isso porque você às vezes pode estar tão concentrado em um puzzle difícil, que acaba achando que ficou preso ao jogo, mas ao sair e andar um pouco, é possível encontrar algo aleatório, seja um baú jogado na areia, seja um local que parecia inacessível e de repente você vê que é possível chegar lá.
Foi uma surpresa ver uma ilhota com uma estrutura ali perto e ao pular na água, ver que eu realmente conseguia nadar e chegar lá. Essa sensação de liberdade na exploração para achar coisinhas em um mundo vibrante me passou muito a sensação que eu tinha ao jogar o clássico Twinsen's Odyssey, que também apresentava um pequeno mundo grandioso.

Isso acaba encaixando esse jogo como ótima opção para relaxar. Isso porque é um jogo de resolução de quebra-cabeças em um ambiente explorável em 3D e com documentos. Apesar de ter as suas coisas mais tensas como morte, não é o que dá pra chamar de um jogo pesadão e assim dá pra jogar com tranquilidade, explorando, lendo os documentos, resolvendo os obstáculos... Tudo isso enquanto admira o ambiente.
Infelizmente nem tudo é maravilha nesse jogo. Pra começar, você sente as limitações indie dele, o que não é algo que dá pra culpar o estúdio, já que ele tem suas limitações. No entanto existem certos probleminhas que poderiam ser evitados e em vários momentos senti uma falta de polidez em algumas coisas. Por exemplo se aproximar de um local alto e pular, mas não cair, faz o personagem dar o grito de queda, e inclusive te faz tomar o dano de queda.

Também tem umas partes tão lineares, que não geram empolgação alguma. Por exemplo, cenas em que você escala e basicamente é só ir apertando o botão pra ir para o próximo lugar, sem estamina, sem locais que desabam e te fazem querer ir rápido. É só ir clicando e pronto, você chega ao fim. Isso acaba tirando qualquer emoção.
O jogo é dublado em português, o que é maravilhoso! Especialmente porque quando você é indie, é mais viável investir em uma dublagem em inglês apenas. O motivo é que isso garante que o público global tenha acesso e não apenas o local, por isso jogos como Distortions e Blade & Bones só foram dublados em inglês. Sendo assim, os caras dedicarem recursos a dublagem é algo bem bacana.

Especialmente porque é uma dublagem frequente. Não é aquele tipo de jogo em que o personagem só tem dublagens de comentários que eles ficam repetindo em determinadas situações. Você de vez em quando vê algumas cenas ou usa um walkie-talkie para conversar, ou mesmo ouve alguma informação pelo rádio.
Infelizmente a dublagem não é das melhores... A do Shane é bacana, mas tem algumas vezes que a coisa é tão feia que descaracteriza muito. Um exemplo é a voz da menina no rádio que você vai ouvir às vezes. Parece que é uma menina de escola falando "HAHAHA, eu sou muito malvada! Nossos planos do mal são malvados! Hahaha! Vamos pegar eles bem direitinho! Hahaha". Ela não dá essas risadas, mas a sensação que tive foi essa, porque é um tom muito falso.
 
Aí eu não sei dizer se o problema foi a direção de dublagem que pediu para que a atriz agisse dessa maneira e ficou tão falso, ou se a atriz colocada não conseguiu encarnar bem o personagem. Ou talvez a dublagem não seja feita por dubladores para economizar, mas nesse caso a do Shane realmente ficou realmente muito boa.
Outra coisa que acaba falhando muito em diversos momentos é o roteiro. Se por um lado foi criada uma mitologia bem bacana em cima e às vezes se tem alguns diálogos muito legais, em outros a coisa é simplesmente mal feita. Tem um momento em que o protagonista acha o cadáver de um conhecido, que ele demonstra afinidade e sua reação é só "Oh! É o fulano!". Super normal achar o cadáver de um amigo seu, né? Tudo bem que nesse universo é de se esperar que alguns falhem e morram, mas uma demonstração mínima de choque ia fazer toda a diferença.

Enfim, Hazel Sky no geral é um jogo bacana. Tem seus pontos fortes e fracos, mas no geral é um jogo que faz uma boa apresentação para o nível de uma obra indie. Algumas modificações poderiam fazer ficar realmente memorável. Recomendo sempre dar uma olhadinha no preço dele na Nuuvem antes de comprar na loja direta, algumas vezes os preços deles estão bem abaixo do normal, e sempre lembre de olhar os cupons de desconto que eles espalham pelo site, que deixa a coisa mais barata ainda, dê uma conferida aqui.

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