Sifu | Encarne a vingança através de muito Kung Fu

Certamente esse jogo chamou a atenção de muita gente quando foi anunciado, a começar pelos fãs de Playstation, visto que no console foi lançado só pra ele inicialmente, depois os fãs de Absolver, que com certeza queriam ver outra obra da Sloclap focada em pancadaria. E por fim os fãs de jogos de ação e e fãs de Kung Fu, que viram uma apresentação maravilhosa. E agora é hora da review!

A história de SIFU é extremamente básica e você assume o papel de uma criança aprendiz de Kung Fu, que em sua infância presenciou algo traumatizante. Viu um grupo de homens invadir sua casa e ir até seu pai, que também foi seu Sifu, que é um mestre do Kung Fu. Após matá-lo, também atacam a criança, mas ela sobrevive e por oito anos treina e investiga a localização dos cinco responsáveis.
Assumo que fui um dos que ficaram loucos quando viram o trailer. O motivo foi inicialmente porque parecia um jogo super legal, mas quando vi que se tratava de uma obra nova do estúdio francês, fiquei super animado. Não sou tão fã de jogos de pancadaria, mas me diverti demais com Absolver a ponto de ir jogar online contra outros jogadores, e eu sou bem mais do estilo singleplayer ou coop do que versus.

A jogabilidade é de um jogo do gênero Beat 'em Up, mas acaba parecendo algo diferente exatamente por estender a mecânica para um outro nível. Não é algo básico como Mother Russia Bleeds ou o estranhíssimo Silent Hill: Streets of Rage, mas sim algo que te deixa tão imerso em sua atmosfera e mecânicas que tem um toque todo especial.
Definitivamente o ponto central desses elementos especiais é sem dúvidas a presença do Kung Fu, que já leva a coisa a um outro nível. Já tivemos Beat 'em Ups com boas mecânicas de lutas como é o caso de Watchmen The End is Nigh, que encanta com a ultra violência e ataques super bem aplicados que parecem lutadores de vale tudo.

É só ver jogos como Overgrowth, o zoado Kings of Kung Fu e mesmo obras feitas por fãs como é o caso de Katana. A presença dessa movimentação diferenciada já chama a atenção naturalmente e combinado com a ambientação e o fato de que puxa direto da fonte da tão bela arte marcial que surpreende com os movimentos.
E aqui temos um baita extra que é o fato de que ele não apenas pega esses elementos, mas tenta simular um ambiente de filmes de artes marciais dos anos 70. Isso faz o kit ficar completo e inclusive fica bem claro que a história foi colocada dessa maneira de forma proposital e se olharmos pra outras obras orientais, dá pra achar exatamente a mesma trama, como Lady Snowblood ou mesmo Blade: A Lâmina do Imortal.
 
A fórmula da vingança é tão básica que também é fácil achar em obras ocidentais como Kill Bill, que bebeu da mesma fonte de Sifu para se tornar o que é. E inclusive essa receita gerou uma certa confusão, como as pessoas na internet que foram zoadas por falarem que o jogo faz homenagem à cena do corredor do Demolidor, sendo que a própria série sugou do filme sul-coreano Oldboy.
Sendo assim a mecânica é entrar nos locais e descer o pau em cada um dos capangas que aparecer na frente, utilizando tanto dos punhos quanto dos objetos que estiverem ao redor, que podem ser usados diretamente como armas ou simplesmente arremessados em direção aos inimigos. Até finalmente encontrar o chefe e matá-lo.

Porém, fora essa mecânica básica do gênero, o diferencial não é apenas a ambientação e forma de combate, mas a dificuldade absurda presente. Inclusive é o tipo de jogo que é preciso se jogar com tempo e disposto, pois pode causar muita frustração, especialmente pelo fato de que é um gênero que normalmente costuma ser tão focado em apertar o botão de porrada descontroladamente.
Mas aqui temos um jogo que definitivamente conseguiu herdar um elemento do gênero soulslike, que é ficar preocupado com qualquer inimigo, por mais simples que ele pareça. Isso porque se você receber ataques, não será uma pequena quantidade de vida que vai embora, mas sim uma baita quantidade que pode te fazer morrer em segundos.

Ou seja, se você vacilar, já era e assim a ideia de Kung Fu fica ainda mais intensa, pois é preciso observar a movimentação e tentar reagir a tempo. Isso faz o jogo se tornar muito mais especial, porém ele não se encaixa como soulslike também, mas sim se aproxima de um gênero que pode ser ainda pior para muitos, que é o gênero roguelike.
Então indo mais direto ao ponto, aqui existe a possibilidade de morte permanente! Não é algo tão imediato, mas ainda assim está lá e do nada você pode se ver sem nenhuma das habilidades que você lutou para conseguir. Isso com certeza tem potencial para gerar muita frustração em alguns jogadores, mas ao mesmo tempo acaba sendo um forte incentivo para outros continuarem.

Mas observe que eu disse "se aproxima" em relação ao gênero roguelike. Isso porque ele também não é de todo assim, já que depende de uma outra mecânica que é um dos maiores charmes do jogo. Você envelhece a cada morte! Até que finalmente esteja velho demais para continuar a sua vingança e finalmente morra de vez. É algo que já vimos antes em Chronos: Before Ashes.
Isso acontece graças a um amuleto que tem o contador de mortes e você tem uma quantidade de vezes que pode voltar e ele vai se quebrando cada vez que você morre, mas cobra o preço em anos de vida para que você possa retornar. Ao entrar em uma das cinco áreas, você terá uma idade e é possível retornar à área anterior para tentar novamente passar por ela morrendo menos e assim chegar à outra mais jovem para que o jogo salve de novo.

A cada morte você também pode comprar habilidades novas e quanto mais velho, mais dano você é capaz de aplicar. Sendo assim existe sua vantagem, mas é preciso ficar ligado, pois realmente a idade começa a pesar e você vai sentindo que não vai conseguir ir longe se estiver velho demais em alguma das áreas.
As habilidades também podem ser destravadas ao chegar em altares onde  é possível escolhê-las e também comprar algumas vantagens como aumento de vida e melhoria da barra de foco, que é usada para aplicar habilidades especiais que custam uma certa quantidade  de foco. Os inimigos também a barra de postura, que se quebrada é algo que parece ter sido retirado diretamente de Sekiro, em que você pode aplicar um ataque mortal.
 
Mas se você morrer de vez, fica ainda com o seu "Quadro de Detetive", que é algo que está no seu esconderijo e onde você coloca todos os itens que encontra, indo desde evidências que revelam mais sobre a história a chaves de acesso a lugares fechados. Isso te permite revisitar fases podendo ir direto ao ponto sem precisar passar por ambiente inteiro de novo, mas apenas destrancando portas e aumentando a chance de sair jovem.
Visualmente o jogo é bem maravilhoso em coisas próximas. Alguns itens mais distantes como quando você olha pela janela e vê a cidade, achei um tanto tosquinho, mas no geral o visual meio cartunesco e locais tão bem detalhados caiu muito bem. Você visita desde cartéis de drogas a prédios luxuosos e boates cheias de neon.

Enfim, Sifu é um jogo interessante pra caramba e com certeza desafiador. Vale a pena dar uma conferida se você não se importa em morrer inúmeras vezes. Recomendo sempre dar uma olhadinha no preço dele na Greenman Gaming antes de comprar na loja direta, algumas vezes os preços deles estão bem abaixo do normal, e sempre lembre de olhar os cupons de desconto que eles espalham pelo site, que deixa a coisa mais barata ainda, dê uma conferida aqui.
 

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