Pânico 3 | Fechando a primeira trilogia com dignidade

Acredito que esse é um filme que acabou dando ouvido às críticas recebidas em Pânico 2, ou ao menos os criadores se tocaram um pouquinho do que faltava. Isso porque um dos maiores problemas do filme anterior, é que não tinha nada pra ser desenvolvido além de quem era o assassino, coisa que Pânico 1tinha bastante. E o fim da primeira trilogia teve uma evolução em que exploraram de forma mais adequada as regras da fórmula estabelecidas desde o início.

Dessa vez, Sidney Prescott decidiu se isolar completamente e desaparecer, indo morar em uma casa isolada no campo, distante de todo o estresse. Ela passou a trabalhar como atendente de apoio a suicidas, usando um nome falso. Enquanto isso, em Hollywood, é lançado "Stab 3" ("Facada 3" ou "Apunhalada 3" dependendo da versão), que adapta a história de Sidney para os cinemas, o que gera também um monte de fãs, até que alguém começa a matar de verdade e faz de tudo para descobrir onde ela está se escondendo.
Como você pode ver, a premissa já é bem mais elaborada. Enquanto "Scream 2" foi lançado em 1997 em menos de um ano após o primeiro filme, "Scream 3" só foi dar as caras nos anos 2000. Então não foi um filme corrido, mas sim algo que deu tempo para os produtores verem o resultado da fórmula. Como as pessoas lidaram com a sequência e o que deu certo e errado.

Os filmes da franquia Pânico são diretamente ligados à ideia de fãs de filmes de terror, em que os personagens conhecem o gênero, conhecem os clichês e comentam sobre eles abertamente, isso acaba dando um diferencial, já que mostra que quem fez, sabe o que é clichê. Até porque é um filme do Wes Craven, diretor e roteirista de "A Hora do Pesadelo", e inclusive existem várias referências descaradas ao Freddy Krueger na franquia. E aqui, temos essa essência indo a outro nível.
Enquanto no primeiro filme, são apenas jovens fãs que gostam e comentam sobre as besteiras presentes e coisas previsíveis, no segundo, rola uma evoluída ao apresentar uma adaptação, a tendência de sequências serem horrorosas, e a falta de sensibilidade do público com a morte. Já em "Pânico 3" o pulo é mais fundo e mostra a produção por trás de um filme de terror.
 
Além disso, assim como o segundo tem os próprios personagens comentando sobre como é uma sequência, o terceiro filme de Pânico tem comentários sobre a essência de uma trilogia e quais são as suas regras. Isso dá uma elegância à mais na coisa e também acaba sendo bacana ver os produtores segurando firme pra manter presente esse aspecto de que são fãs de filmes ali.
E os personagens aqui presentes são atores de Hollywood, boa parte dos ambientes são cenários e é possível ver toda uma equipe técnica trabalhando. O desenvolvimento que faltou no segundo filme, é com certeza colocado aqui. Podemos ver as crises internas, com um diretor frustrado porque estão matando o elenco dele, atrizes insatisfeitas com suas falas, segredos por trás das filmagens e mais.

Um outro detalhe que não dá pra deixar passar, é a presença de rostos conhecidos de Hollywood, em destaque para a Carrie Fisher, que interpreta a Princesa Leia em Star Wars. Já em "Pânico 3", ela interpreta uma sósia beeem megera dela mesma e inclusive desce o cacete nela mesma, dizendo "Ela dormiu com o George Lucas! Eu é que tinha que ter interpretado a Princesa Leia!".
O aspecto de investigação voltou a ser geral. Vários elementos ao mesmo tempo são apresentados, e são explorados juntos. O peso não fica completamente em quem é o assassino, mas em personagens diversos, como a mãe de Sidney, que é explorado mais uma vez aqui, assim como como a relação entre o Xerife Dewey Riley e a ambição de Gale Weathers.

Apesar de tudo, eu não gostei de tudo no filme. Apenas achei bacana o fato de que resolveram dar um tratamento mais digno dessa vez. Porém ele tem seus problemas e acho que o maior, é o toque pseudo-sobrenatural tacado. Sidney fica tendo visões de sua mãe falecida aparecendo para atormentá-la e a deixando desesperada.
Não é algo realmente sobrenatural, e sim psicológico, mas ficou forçado demais! O Ghostface tem um aparelho para imitar vozes, mas é meio tosco demais ele apenas colocar um lençol, falar no aparelho com a voz da mãe da Sidney e pronto, ela acha que é mesmo ela ali. Como algumas vezes são só delírios, dá a impressão de que os produtores se sentiram tentados a introduzir a franquia no sobrenatural e estavam testando o público com a desculpa de que é psicológico.

Enfim, esse não é o que dá pra chamar de FILMÃO, mas é um filme de passar o tempo. Mesmo na época (eu assisti no cinema), eu senti que era apenas um filme mesmo, nada demais. Então é interessante porque é uma franquia clássica e porque tem sua dignidade ao invés de ser só mais uma sequência jogada, porém é mais pra quando você estiver afim de assistir algo pra se entreter sem precisar pensar muito.

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