Deck of Ashes | Viciante híbrido entre RPG e Cardgame em um ambiente sombrio

Ultimamente estou bem sem tempo e por isso feito bem poucas reviews, no entanto na hora que bati os olhos em Deck of Ashes, me apaixonei demais. A mecânica parecia ser simplesmente muito gostosa para ser ignorada. E cards em sua versão física já conseguem mostrar naturalmente o potencial e serem atmosféricos, é só ver o cardgame do Bloodborne, então imagina algo com a liberdade de um ambiente virtual? Tive que experimentar!

Aqui temos uma história de um mundo amaldiçoado. O caos caiu sobre um reino de fantasia, após uma guilda de ladrões composta por membros descontrolados resolveu roubar uma antiga relíquia. Agora todos sofrem o horror e procuram uma maneira de acabar com a dor causada. Em especial os quatro membros que sobreviveram se esforçam para achar uma solução, porém são caçados incansavelmente pelos ensandecidos donos das terras por onde passam.

A história desse jogo me surpreendeu pela atmosfera tão sombria. Na verdade acho que a equipe vacilou demais, pois ele tem uma ambientação que se encaixa perfeitamente em um ambiente de Dark Fantasy, coisa que é um tanto difícil de acontecer, já que a maioria dos universos medievais são genéricos e por mais que se esforcem, simplesmente não conseguem ser pesados o suficiente. No caso, esse conseguiu uma história que você sente a tristeza, mas colocaram tantas coisinhas anti-atmosféricas (em relação a esse gênero), que você nota que ele acaba não abraçando por completo a coisa.

Um exemplo é a primeira protagonista (são quatro), a Lucia. Ela escondeu os poderes que tem por toda sua vida e quando se casou, passou a confiar completamente em seu marido. Tanto que decidiu revelar que tinha poderes. O resultado é que na tarde do mesmo dia ela tava cercada por uma multidão irada, que a obrigou a matar pela primeira vez e fugir pra clandestinidade, onde passou a viver com esse grupo de bandidos e se esconder pra sempre.

Após a maldição ser liberada, a busca por magos ficou ainda mais intensa e Lucia foi capturada e levada à fogueira, onde morreu, mas a maldição entrou em ação e a trouxe de volta em uma explosão, e o povo que comemorava ao redor das chamas, morreu. O problema é que a dor de ser queimada também voltou permanentemente e ela passou a vagar em busca de uma forma de quebrar a maldição, matando todo mundo. Em uma parte de sua narrativa ela diz: "Matar toda essa gente que fez isso comigo é muito bom, mas se o preço pra me livrar dessa dor é deixar eles saírem impunes, dane-se eles! Eu pago!".

Estão entendendo? É uma narrativa gostosa, os personagens não são heróis, nem vilões, eles são sobreviventes. em um mundo horrível e fazem coisas horríveis. Não tem toda aquela besteira de "Eu vou salvar todo mundo, todo mundo tem um pouco de bondade, todo mundo é maravilhoso, o poder do amor vai vencer!". Nada disso, é algo realista, pessoas amarguradas sobrevivendo.

Infelizmente outros elementos não conseguem acompanhar esse universo, então acabou desperdiçando algo que tinha potencial para ficar ao lado de  Fear & Hunger, Salt And Sanctuary e The Age of Decadence. Nos próprios diálogos tem coisas anti-atmosféricas, como a personagem matando um inimigo e tendo a comemoração que é algo do tipo "Ohhh docinho... Não se chateie, eu estou sofrendo mais do que você!". Eu não creio que alguém que tá queimando ia ter tempo pra piadinhas assim.

Outra coisa é o gráfico do jogo, que é um 2D bonito e tal, mas consome parte da atmosfera, com o mesmo elemento que vemos em The Coma 2: Vicious Sisters e Vambrace: Cold Soul, que é um gráfico muito brilhante. As cores são super vivas e isso causa uma animação que não tem muito a ver com algo sombrio. Não que seja um problema, é claro, até porque as pessoas têm gostos próprios, mas ao meu ver é um desperdício de universo, o distanciando de obras com atmosfera pesada como The Black Death.

Agora sobre o jogo em si, é uma jogabilidade maravilhosa! Você é colocado em um mapa no estilo jogo de tabuleiro, com as "casas" pra visitar. A princípio está no acampamento e pode escolher entre visitar casas mais próximas para coletar recursos, enfrentar inimigos e pegar tesouros, ou pode se aventurar a ir mais distante e ter que lidar com perigos maiores, mas também recompensas mais poderosas.

Existem variados tipos de casas com eventos diferentes, os pontos de interrogação por exemplo é algo aleatório, pode ser uma narrativa em que você encontra algo e escolhe o que fazer, pode ser um evento aplicado automaticamente, pode ser um aliado passando por ali e fornecendo alguma vantagem, ou pode ser uma emboscara e início automático de combate. Algumas inclusive deixam efeitos positivos ou negativos.

Há casas com baús e símbolos de chaves. Você consegue chaves com alguns inimigos ou pode conseguir através de tesouros. Quanto mais chaves um baú exigir, melhor será a recompensa dentro dele. Então às vezes você vaga por várias partes do mapa para conseguir chaves e então voltar até aquele baú.

Os portais te permitem atravessar rapidamente um canto do mapa até outro. As espadas cruzadas te permitem entrar em combate para pegar recompensas. O símbolo de uma picareta aparece aleatoriamente em algumas casas e se você clicar nele, pode coletar recursos que podem ser usados no acampamento, porém cada ação gasta uma hora do dia, inclusive extrair minérios.

O tempo também é algo que precisa  ser levado em consideração, pois enquanto você explora um mapa, ele vai passando e o governador do lugar se aproxima para te capturar. É a batalha final do lugar e você precisa estar preparado, portanto tem que focar no que parece valer a pena, seja explorar uma caverna, seja ir atrás de tesouros aleatórios que aparecem.

Ao voltar ao acampamento você tem vários personagens que pode interagir e comprar novas habilidades equipáveis e/ou vantagens que vão sendo aplicadas. Além disso pode adquirir itens consumíveis que te aplicam vantagens, novas cartas, cura para seu personagem e assim vai. É um lugar que você pode parar às vezes pra dar uma melhorada ou esperar até o duelo final do lugar, que é quando o tempo acaba e você automaticamente vai pra lá e tem que se preparar.

Os combates são feitos em turnos, você tem o seu baralho com várias cartas e vai pegando novas a cada rodada e as usando, criando uma pilha de descartes, que você pode sacrificar vida pra recuperar algumas e colocar de volta no baralho. Os efeitos das cartas são variados e podem ser combinados, por exemplo é possível aplicar fogo em um inimigo, e depois usar uma carta que dá dano, mas gera um bônus se o inimigo estiver queimando.

Enfim, Deck of Ashes é um jogo que eu gostei muito. Achei meio bugado algumas partes, mas creio eu que seja algo que vão resolver, pois no geral é muito bom e a rejogabilidade é imensa, pois usa a mecânica rogue-lite. Recomendo sempre dar uma olhadinha no preço dele na Greenman Gaming antes de comprar na loja direta, algumas vezes os preços deles estão bem abaixo do normal, e sempre lembre de olhar os cupons de desconto que eles espalham pelo site, que deixa a coisa mais barata ainda, dê uma conferida aqui.

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