Stone Story RPG | Uma aventura minimalista viciante demais

Esse é um jogo que acho que pode passar despercebido facilmente, isso porque seu visual é tão simples que ou a pessoa passa os olhos rápido demais pra prestar atenção, ou ela olha por mais alguns segundos e percebe o quanto a proposta é incrível. Não é à toa as notas muito positivas na steam. Apesar de tudo assumo que a expectativa era de ser algo um pouco mais profundo, tipo uma daquelas obras que tentam se aproximar mais de livros dr RPG de Mesa, mas para compensar sacrificaram os gráficos. No entanto é bem mais simples do que o normal, por outro lado essa simplicidade é o que vicia.


Na história você é alguém que desperta em um mundo de trevas, não sabe onde está ou o motivo de estar ali, porém precisa fazer alguma coisa, e assim parte em busca de respostas, explora o ambiente, constrói um abrigo, e começa a fazer pequenas expedições, seja em busca de suprimentos, seja em busca de respostas.

Talvez eu tenha associado o jogo com o universo do RPG's de Mesa por ter um visual naturalmente old school, sendo semelhante a algumas obras lançadas nos anos 80 com as limitações gráficas dos computadores da época e que acabaram se tornando meio underground. Apesar de tudo nesse caso aqui é mais pelo charme mesmo, pois funcionaria bem com outro visual.

A jogabilidade a princípio me decepcionou um pouco exatamente pela minha expectativa, no entanto assim que me acostumei, percebi que é um jogo divertido pra caramba e viciante.  É algo semelhante a Swag and Sorcery, porém funciona, não é aquela coisa repetitiva que cansa (Apesar de ser baseado em grind e certamente não ser o gênero que agrade a todos).

O visual é feito de caracteres e é belíssimo ver como usaram bem certos elementos para simbolizar a coisa. Acho que todo mundo dá um sorriso quando vê o personagem coletando pedras e percebe que a letra "o" é uma pedra, mas se tiver o número "8", aparece que ele coletou duas pedras. No visual eu achei ele mais criativo que The Pepper Prince, porém achei mais travada mecânica.

Por exemplo, se você mexe o mouse e vai clicar em alguns botões, às vezes é preciso clicar exatamente em u m determinado ponto do botão, e pode ser meio irritante, ainda mais quando se vai forjar itens que é preciso clicar no item, clicar em adicionar, colocar ele no slot, depois fazer isso em outro e aí sim forjar. Ter que ficar clicando em ponto exato do botão pra ele ativar é algo bem chatinho.

Mas vamos por partes... O jogo é uma mistura de gêneros e você não controla o personagem diretamente, ao invés disso o prepara para a aventura e lança ele em determinados lugares, o resto é automático. Se você o tiver preparado bem, ele vai vencer os desafios do lugar, se não, vai acabar morrendo e você volta pro menu de preparo.

Nesse menu tem as localidades, em que você escolhe ambientes para visitar, a maioria são áreas de aventura e coleta de recursos. Por exemplo, é possível coletar pedras em um penhasco, dá pra cortar madeira na floresta. Esses locais variam os tipos de inimigos, com habilidades e fraquezas próprias. Cada vez que você chega ao fim de um nível, ele aumenta uma estrela, ficando mais difícil, porém dando mais recompensas.

A parte de localidade também tem alguns ambientes que não são de combate, por exemplo tem um portão com caveiras falantes que fazem um mini jogo com você e te oferecem prêmios toda vez que você vai visitá-los. Há também a loja em que é possível comprar itens com o dinheiro que consegue nas aventuras.

A oficina te permite aperfeiçoar a sua área de criação, te dando possibilidades de forjar novos itens. A fórmula básica é pegar dois itens de um mesmo tipo e com o mesmo nível e fundi-los,  tornando um item mais poderoso, porém é possível ir testando até descobrir fórmulas novas com a misturas de objetos diferentes.

A área de itens te permite ver sua coleção e equipá-los, cada um dele tem seus atributos próprios. Por exemplo os itens de veneno são bons contra criaturas de vigor, então se você for a algum local como a floresta dos cogumelos, pode equipá-los e o dano vai ser muito maior, aumentando sua chance de chegar até o chefe.

Quando você vende um chefe, recebe um baú com itens aleatórios, e também recebe experiência. Pelo o que vi, a única forma de ganhar experiência é vencendo o chefe, pois se sair do nível antes de chegar nele você fica apenas com os materiais e dinheiro coletados, mas a experiência continua a mesma. Ao passar de nível o que sobe é a sua vida. O dano aumenta com melhorias na forja.

Algo engraçado, é que eu pensava que esse jogo era um Dark Fantasy minimalista, porém ele é humorado demais para ser Dark, por outro lado as criaturas apresentadas são épicas muitas vezes. Especialmente os chefes, são coisas como uma aranha gigante saindo de sua toca, ou um esqueleto invisível gigantesco se revelando na sua frente.


Sendo assim eu tive o mesmo pré-julgamento errôneo que tive com Death Crown, outro jogo que o visual me pareceu de Dark Fantasy, mas que no fim das contas acabou se mostrando bem humorado demais para manter a atmosfera. Não que isso seja um ponto negativo, mas acho interessante falar aqui para os que se impressionarem com a apresentação do verme gigante que aparece no texto.

A narrativa do jogo é bem bacana, de vez em quando aparece escrito o que você vê, o que sente. A própria cena inicial é impressionante, com tudo escuro e a narração sobre você sentir algo nos seus dedos  e ao tatear perceber que é uma pedra com um olho esculpido. Acho que passou bem a sensação de escuridão.

Enfim, Stone Story RPG é um jogo que eu esperava algo diferente, mas que ainda assim conseguiu me agradar muito, acho que vale a pena. Recomendo sempre dar uma olhadinha no preço dele na Greenman Gaming antes de comprar na steam, algumas vezes os preços deles estão bem abaixo do normal, e sempre lembre de olhar os cupons de desconto que eles espalham pelo site, que deixa a coisa mais barata ainda, dê uma conferida aqui.

Postar um comentário

0 Comentários