Lembro que nos anos 90 alguém me disse que Capcom significava Captain Commando. A explicação era de que o nome da empresa não tinha nada a ver com isso originalmente, mas o personagem teria feito tanto sucesso que acabou dando outro significado ao nome. Na época, com internet praticamente inexistente para a maioria das pessoas e informação sobre videogame circulando em revistas, locadoras, bancas e conversa de moleque, era muito fácil uma história dessas virar verdade. E, bom... não virou porque fosse uma explicação particularmente boa. Virou porque alguém falou, outra pessoa acreditou e pronto, nasceu mais uma lenda do videogame.
Mas o bagulho é bem menos mirabolante, mas ainda tem uma história curiosa por trás. Capcom é uma abreviação de "Capsule Computer", ou "Computador Cápsula". A própria empresa explica que o nome foi pensado durante o crescimento dos computadores pessoais no Japão, numa época em que os videogames começavam a deixar de ser uma curiosidade de nicho para ganhar espaço como forma de entretenimento. A ideia era criar uma nova experiência baseada nessa disputa entre pessoas e máquinas, mas sem ficar simplesmente correndo atrás dos computadores pessoais que estavam ficando cada vez mais populares.
Porém, pra entender qual foi a dessa escolha, vale voltar para o Japão do começo dos anos 80. O país vivia uma fase de forte crescimento tecnológico, com computadores pessoais entrando cada vez mais no imaginário do consumidor e máquinas de jogos ocupando fliperamas e centros de diversão. Videogame ainda não tinha o tamanho gigantesco que alcançaria nas décadas seguintes. Era uma época de máquinas dedicadas, fichas, botões duros, telas de tubo e aquele som eletrônico infernal (ao menos pra adultos) que provavelmente ajudou muita criança a desenvolver uma audição seletiva.
A história da Capcom começou nesse ambiente. Em 1979, Kenzo Tsujimoto fundou a I.R.M. Corporation, em Matsubara, Osaka, para desenvolver e vender máquinas de jogos eletrônicos. Em maio de 1981, a empresa criou a Japan Capsule Computer Co., Ltd., sua subsidiária. Em setembro daquele mesmo ano, a empresa passou a se chamar Sanbi Co., Ltd.
Em junho de 1983, a Sanbi estabeleceu a antiga Capcom Co., Ltd., em Hirano, Osaka, com o objetivo de vender software. Assim, os negócios relacionados às máquinas de jogos e aos softwares ficaram organizados em empresas diferentes. Em janeiro de 1989, a antiga Capcom foi incorporada pela Sanbi, que então mudou seu nome oficialmente para CAPCOM CO., LTD., dando origem à empresa que conhecemos hoje. É muito "CO" e "LTD" né? Uahahaha.
Isso também explica uma coisa que pode parecer estranha quando se olha para a história rapidamente. "Capsule Computer" não foi simplesmente uma frase inventada décadas depois para justificar as letras de CAPCOM. Existiu de fato uma empresa chamada Japan Capsule Computer antes da formação da Capcom. O nome já fazia parte daquela estrutura empresarial desde 1981, portanto a história não nasceu de alguém olhando para a marca pronta e pensando "agora precisamos inventar uma explicação para essas letras".
E por que "cápsula"? A explicação oficial tem dois lados. Um deles é a ideia de uma cápsula cheia de diversão, como se cada jogo fosse um pequeno recipiente concentrando entretenimento. O outro é bem mais curioso para os padrões de hoje. A empresa associava a cápsula a uma espécie de proteção, com o desejo de manter seus jogos protegidos contra cópias ilegais e produtos de baixa qualidade. Então é como se colocassem que a diversão ficava dentro da cápsula e a cápsula precisava ter uma casca dura.
Então o nome começa a fazer muito mais sentido quando colocado no contexto da época. Hoje "Capcom" parece simplesmente uma marca curta e fácil de lembrar. Nos anos 80, porém, a ideia de computador ainda carregava um certo ar de novidade tecnológica. "Computer" estava no meio de uma transformação que mudaria a vida das pessoas, enquanto "capsule" passava uma imagem de algo compacto, protegido e cheio de conteúdo. A empresa juntou as duas coisas e transformou a expressão em uma marca que cabia perfeitamente naquelas máquinas de arcade.
E não, Captain Commando não deu origem ao nome Capcom. A brincadeira ficou especialmente convincente porque o personagem realmente existe, mas inverteram as inspirações de origem. Isso porque o próprio nome dele foi construído com CAP + COM, formando CAPtain COMmando. O personagem surgiu como uma espécie de mascote promocional da Capcom nos anos 80 e apareceu em materiais relacionados aos jogos da empresa, especialmente nas versões ocidentais de títulos para NES. Depois ele ganhou seu próprio jogo de arcade, Captain Commando, em 1991.
Então dá para entender perfeitamente como alguém poderia ter contado essa história para uma criança nos anos 90 e ela ter sobrevivido por décadas. Você tinha uma empresa chamada Capcom, um personagem chamado Captain Commando, as três primeiras letras dos dois nomes formando CAPCOM e uma quantidade quase criminosa de falta de informação disponível para conferir a história. Pronto. Estava montado o boato. O detalhe é que o personagem veio depois da marca e usou o nome da empresa como parte do próprio nome, e não o contrário.
Mas o bagulho é bem menos mirabolante, mas ainda tem uma história curiosa por trás. Capcom é uma abreviação de "Capsule Computer", ou "Computador Cápsula". A própria empresa explica que o nome foi pensado durante o crescimento dos computadores pessoais no Japão, numa época em que os videogames começavam a deixar de ser uma curiosidade de nicho para ganhar espaço como forma de entretenimento. A ideia era criar uma nova experiência baseada nessa disputa entre pessoas e máquinas, mas sem ficar simplesmente correndo atrás dos computadores pessoais que estavam ficando cada vez mais populares.
Porém, pra entender qual foi a dessa escolha, vale voltar para o Japão do começo dos anos 80. O país vivia uma fase de forte crescimento tecnológico, com computadores pessoais entrando cada vez mais no imaginário do consumidor e máquinas de jogos ocupando fliperamas e centros de diversão. Videogame ainda não tinha o tamanho gigantesco que alcançaria nas décadas seguintes. Era uma época de máquinas dedicadas, fichas, botões duros, telas de tubo e aquele som eletrônico infernal (ao menos pra adultos) que provavelmente ajudou muita criança a desenvolver uma audição seletiva.
A história da Capcom começou nesse ambiente. Em 1979, Kenzo Tsujimoto fundou a I.R.M. Corporation, em Matsubara, Osaka, para desenvolver e vender máquinas de jogos eletrônicos. Em maio de 1981, a empresa criou a Japan Capsule Computer Co., Ltd., sua subsidiária. Em setembro daquele mesmo ano, a empresa passou a se chamar Sanbi Co., Ltd.
Em junho de 1983, a Sanbi estabeleceu a antiga Capcom Co., Ltd., em Hirano, Osaka, com o objetivo de vender software. Assim, os negócios relacionados às máquinas de jogos e aos softwares ficaram organizados em empresas diferentes. Em janeiro de 1989, a antiga Capcom foi incorporada pela Sanbi, que então mudou seu nome oficialmente para CAPCOM CO., LTD., dando origem à empresa que conhecemos hoje. É muito "CO" e "LTD" né? Uahahaha.
Isso também explica uma coisa que pode parecer estranha quando se olha para a história rapidamente. "Capsule Computer" não foi simplesmente uma frase inventada décadas depois para justificar as letras de CAPCOM. Existiu de fato uma empresa chamada Japan Capsule Computer antes da formação da Capcom. O nome já fazia parte daquela estrutura empresarial desde 1981, portanto a história não nasceu de alguém olhando para a marca pronta e pensando "agora precisamos inventar uma explicação para essas letras".
E por que "cápsula"? A explicação oficial tem dois lados. Um deles é a ideia de uma cápsula cheia de diversão, como se cada jogo fosse um pequeno recipiente concentrando entretenimento. O outro é bem mais curioso para os padrões de hoje. A empresa associava a cápsula a uma espécie de proteção, com o desejo de manter seus jogos protegidos contra cópias ilegais e produtos de baixa qualidade. Então é como se colocassem que a diversão ficava dentro da cápsula e a cápsula precisava ter uma casca dura.
Então o nome começa a fazer muito mais sentido quando colocado no contexto da época. Hoje "Capcom" parece simplesmente uma marca curta e fácil de lembrar. Nos anos 80, porém, a ideia de computador ainda carregava um certo ar de novidade tecnológica. "Computer" estava no meio de uma transformação que mudaria a vida das pessoas, enquanto "capsule" passava uma imagem de algo compacto, protegido e cheio de conteúdo. A empresa juntou as duas coisas e transformou a expressão em uma marca que cabia perfeitamente naquelas máquinas de arcade.
E não, Captain Commando não deu origem ao nome Capcom. A brincadeira ficou especialmente convincente porque o personagem realmente existe, mas inverteram as inspirações de origem. Isso porque o próprio nome dele foi construído com CAP + COM, formando CAPtain COMmando. O personagem surgiu como uma espécie de mascote promocional da Capcom nos anos 80 e apareceu em materiais relacionados aos jogos da empresa, especialmente nas versões ocidentais de títulos para NES. Depois ele ganhou seu próprio jogo de arcade, Captain Commando, em 1991.
Então dá para entender perfeitamente como alguém poderia ter contado essa história para uma criança nos anos 90 e ela ter sobrevivido por décadas. Você tinha uma empresa chamada Capcom, um personagem chamado Captain Commando, as três primeiras letras dos dois nomes formando CAPCOM e uma quantidade quase criminosa de falta de informação disponível para conferir a história. Pronto. Estava montado o boato. O detalhe é que o personagem veio depois da marca e usou o nome da empresa como parte do próprio nome, e não o contrário.
Infelizmente, o que não aparece claramente na documentação oficial é o nome da pessoa que teve a ideia de juntar aquelas palavras e transformar isso na marca. Sabemos de onde veio o nome, mas não temos um sujeito identificado como "o maluco que inventou CAPCOM". O mais curioso é que a palavra ficou muito maior do que a ideia original. Quando alguém nos anos 90 falava "Capcom", dificilmente estava pensando em "Capsule Computer". A palavra já tinha virado uma coisa própria, reconhecida por quem passava horas diante de um fliperama com algumas moedas no bolso e precisava decidir cuidadosamente em qual máquina iria gastar a próxima ficha.
Então é isso, o nome veio de uma ideia bem típica daquele Japão que estava entrando de cabeça na era eletrônica. Computadores pessoais crescendo, arcades ganhando espaço e uma empresa querendo colocar diversão dentro de uma "cápsula" enquanto tentava proteger aquilo de cópias. Décadas depois, sobrou apenas uma palavra curtinha, quatro letras que viraram uma das marcas mais conhecidas dos videogames.
Então é isso, o nome veio de uma ideia bem típica daquele Japão que estava entrando de cabeça na era eletrônica. Computadores pessoais crescendo, arcades ganhando espaço e uma empresa querendo colocar diversão dentro de uma "cápsula" enquanto tentava proteger aquilo de cópias. Décadas depois, sobrou apenas uma palavra curtinha, quatro letras que viraram uma das marcas mais conhecidas dos videogames.
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