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Need for Speed Underground 2 | Steam não tem o jogo por motivo no mínimo frustrante

Em 2004, Need for Speed Underground 2 não era só um jogo. Ele era um lugar. Um espaço onde muita gente passou horas que hoje parecem impossíveis de repetir do mesmo jeito. Era chegar da escola, ligar o PC ou o console, ouvir aqueles primeiros segundos da trilha sonora e entrar num mundo que parecia feito sob medida para quem amava carros, música e a sensação de liberdade. Poucos jogos conseguiram capturar tão bem o espírito de uma época sem nem perceber que estavam fazendo isso.

Talvez por isso doa um pouco perceber que, tantos anos depois, Underground 2 simplesmente não está na Steam. Não é raiva, é um vazio estranho. Em um mundo onde quase tudo pode ser comprado, baixado e arquivado em bibliotecas digitais, um dos jogos mais queridos da história do gênero simplesmente não existe ali. Para quem viveu aquela fase, parece quase errado. Como se alguém tivesse arrancado um pedaço importante da memória coletiva e guardado numa gaveta que ninguém mais pode abrir.

A explicação é fria, técnica e pouco romântica. Licenciamento. Marcas de carros, acordos comerciais e, principalmente, música. Underground 2 nasceu numa época em que a trilha sonora era parte da identidade do jogo, não um detalhe de fundo. Cada corrida vinha acompanhada de sons que definiram gostos, abriram portas para novos estilos e ficaram grudados na cabeça de uma geração inteira. Aquela seleção musical foi uma bênção criativa, mas acabou se tornando uma maldição com o passar dos anos.

A indústria da música mudou, ficou mais rígida, mais ambiciosa e muito menos disposta a negociar com o passado. O que antes era assinado pensando em mídia física, prateleiras e discos agora precisaria ser renegociado para um cenário digital eterno, onde jogos não “saem de catálogo” com facilidade. Para as empresas, o custo e a dor de cabeça raramente compensam. Para os jogadores, sobra a sensação de que algo precioso foi deixado para trás por motivos que nada têm a ver com amor à obra.

O mais curioso é que Underground 2 nunca perdeu relevância emocional. Ele não precisa de gráficos modernos para ser lembrado, nem de um remaster para ser respeitado. Seu mapa conectado, a progressão natural, a personalização exagerada e aquele clima noturno urbano continuam vivos na memória de quem jogou. É justamente por isso que sua ausência em plataformas modernas incomoda tanto. Não é só sobre jogar de novo, é sobre saber que ele deveria estar ali.

Esse caso expõe um problema maior do mundo moderno dos games. Obras que ajudaram a moldar o meio ficam presas a contratos antigos, enquanto o discurso oficial fala em preservação, legado e história. Underground 2 virou um símbolo involuntário dessa contradição. Ele existe no coração de milhões de pessoas, mas não existe oficialmente no espaço onde quase todos os jogos passam a viver hoje.
 
O pior de tudo é que a coisa é tão cabulosa que nem está limitada apenas à venda digital do jogo em si. Esse é o tipo de game que é um verdadeiro inferno você fazer live ou colocar no YouTube. Isso porque a indústria da música é tão cabulosa, que podem simplesmente derrubar seu vídeo. A variação da trilha sonora é enorme, e enquanto tem músicas que vai ser ok você postar se topar não monetizar, tem outras que tanto faz, só não vão deixar e seu vídeo vai ficr com um buraco.

No fim das contas, talvez seja isso que mantém Need for Speed Underground 2 tão especial. Ele não é apenas um item de loja ou um ícone numa biblioteca digital. Ele é lembrança, época, trilha sonora ecoando no quarto e a sensação de que alguns jogos não foram feitos para envelhecer dentro de um sistema. Foram feitos para marcar vidas, mesmo que o mundo moderno tente, sem querer, torná-los inacessíveis.
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