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domingo, 24 de julho de 2016

Pokemon 3D&T - Um RPG de mesa underground

Em 1998 eu era uma criança fanática por RPG de Mesa e ao contrário do que pode parecer para alguns, nos anos 90 RPG não era algo popular. Na verdade RPG nunca foi algo de verdade popular, sempre foi uma coisa meio underground, não teve uma época em que todo mundo sabia o que era RPG, sempre foi essa coisa discreta de nerd, que um certo grupo de gente estranha jogava. E nessa época eu já não tinha mais aquele grupo que falei na matéria sobre Shadowrun.

Nessa época era só eu, todos os meus amigos tinham se mudado e não tinha um grupo de crianças na minha quadra. Isso fez com que eu decidisse ensinar RPG para garotos da escola mesmo e logo consegui montar meu próprio grupo e mestrar. Era uma novidade pra mim e como não tinha mais amigos de onde sugar, a inesquecível revista Dragão Brasil foi a minha maior fonte de conhecimento.


Cada edição da revista era uma alegria pra mim, era uma época sem internet né... A informação não corria rápido como hoje em dia. Então todo dia tava eu lá na banca vendo o que tinha de novo, mas o que mais esperava era essa maravilha. Eu vibrava lendo as matérias, os contos, as novidades sobre o que estava acontecendo lá fora e tal.

Quando chegou 1999, explodiu a febre pokemon, e aquilo foi uma loucura que eu não tinha visto desde a época dos cavaleiros do zodíaco (1994). Todo mundo só falava daquilo e queria produtos relacionados a pokemon. O Game Boy Color era um verdadeiro sonho de consumo, pois lá você podia "viver" naquele universo fantástico que passava na TV.

E foi quando saiu a Dragão Brasil 54 que tive uma baita de uma surpresa. A capa tinha o Ash e o Pikachu. Lógico que fui desesperadamente comprar aquilo. Ao dar uma lida, vi que tinha nada menos do que regras para um RPG de pokemon usando o sistema 3D&T. Assumo que a minha primeira visão foi incrédula e achei meio ridícula a coisa.

Digo isso porque até então eu estava acostumado com alguns tipos de ambientes de RPG's como mundos fantasia medieval, ambientes futurísticos, jogos no presente, porém com vampiros, lobisomens e etc. Ou até mesmo jogos de Super Heróis (apesar desses eu jogar mais quando tinha 8 anos).

Então a primeira vista ao ver um RPG de Pokemon foi não muito boa, eu achei legal a revista falar sobre o tema, mas imaginei que fosse outra coisa e não um RPG. Me veio aquela coisa de "Tá... Um RPG de Pokemon... Que forçado... O que nós controlamos aqui? Um Pikachu? EU NÃO QUERO SER UM PIKACHU!".

Isso até eu avançar na matéria e ver a mecânica da coisa, aquilo simplesmente me apaixonou demais! Era um verdadeiro simulador do desenho. Cada um controlava um treinador e se aventurava pelo mundo entrando em ginásios e conseguindo insígnias aos poucos. A sensação era simplesmente muito fantástica.

Mal sabia eu que aquele RPGzinho iria me render muita credulidade em relação ao RPG. Isso porque antes tinham garotos que tiravam um sarro ao me ver jogando aquele jogo tão esquisito onde só se ficava falando. Mas de repente aquelas histórias começaram a chamar a atenção de outros meninos da escola!

As regras usavam como base o sistema 3D&T, portanto era muito fácil de se pegar e qualquer iniciante em RPG não desistia por achar a coisa estranha demais. Teve inclusive um dos garotos do grupo que nos zuava antes, mas ficou tão desesperado pra jogar RPG que nós o apelidamos de "O Viciado" hahaha.

Diferente do RPG que eu era acostumado, em Pokemon a ficha de personagem não era do treinador, mas sim dos Pokemon! E provavelmente isso foi a coisa que mais me encantou, quando virei aquela página e vi um monte de fichinhas de vinte deles, incluindo todos os atributos físicos, nome, imagem e vantagens e desvantagens.

Definitivamente essa página era um sonho. E as próximas duas edições da Dragão Brasil traziam mais fichas, totalizando 150, que era a quantidade que tinha naquela época (fora o Mew que era o 151). Eu lembro de achar uma verdadeira pena a Dragão não ter lançado a coisa toda em um único especial como fez com Mortal Kombat, Street Fighter e outros.

E assim passei a andar pra todo lado com a minha pastinha cheia de coisinhas de RPG, incluindo as três revistas, que não demoraram muito a despedaçar já que eu era bem descuidado com a coisa e não pensava muito sobre o assunto, só usava direto. Acho que como a maioria dos garotos né? Normalmente esse desespero para ficar impecável as coisas que compra vem quando você já é mais velho.

Tinha também o mapa que vinha com a primeira edição, cada lugar do mundo tinha um número e uma descrição. Isso ajudava bastante a se localizar, até porque acho que ninguém sabia o nome de todas as cidades, como falei a informação corria de forma mais lenta, então mesmo que alguém quisesse saber disso, não era só ir ao google como hoje.

Existem ainda uma série de regras próprias no sistema, como por exemplo os treinadores serem extremamente fracos, feitos com apenas 3 pontos, pois o foco não é o combate entre eles. Há ainda regras novas e especiais para esse jogo como o sistema de evolução, algo sempre emocionante para o jogador ver, de repente um dos bichinhos mudando para uma ficha bem mais poderosa!

Atualmente me pergunto se a Trama Editorial tinha direitos para lançar aquilo, quero dizer nos anos 90 as coisas eram mais bagunçadas né? kkkkk, e será que a Nintendo liberaria pra outra empresa fazer um negócio desses e vender? Será que como eram uma revista acabava sendo mais fácil porque era só três edições mesmo? Ou será que foi mais algo do tipo "Ah, tanto faz, eles nem sabem que existimos mesmo!" kkkkk.

Existem diversos jogos de Pokemon a venda no Brasil como o cardgame, mas naturalmente para esse RPG a coisa é complicada e se você pretende conseguir as edições 54, 55 e 56 da Dragão Brasil, precisará comprar usadas, já que são de 1999. Mas e você, já ouviu falar desse jogo? Se não, jogaria? Diga aí! ;)

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