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domingo, 8 de maio de 2016

Sword and Sorcery - Um gênero profundo de fantasia

Quando se fala em Fantasia Medieval é fácil se pensar em algo básico, um mundo com castelos, reis, magos, dragões e etc... É muito comum os criadores se esforçarem ao máximo para gerarem uma mitologia imensa e fazerem aquele ambiente cheio de terras e tradições. É só ver O Senhor dos Anéis, Game of Thrones ou Dragon Age. Mas hoje vou falar sobre um subgênero incrível que ao invés de se esforçar no universo ou história geral, dá uma profundidade extrema ao protagonista.

Como vocês devem saber, gêneros e subgêneros não surgem do nada. A arte em geral evolui, coisas novas são inventadas e algumas são tão peculiares que antes de terem nome são chamadas de "É tipo (nome da obra aqui)". Um gênero inicialmente não tem nome, ele é apresentado por uma obra e as pessoas sentem o impacto, o "diferente" presente ali.


Quando aquilo é bom demais, chega a um ponto que as pessoas não aguentam mais falar "Tipo Obra X", elas querem falar exatamente o que aquilo transmite, e normalmente alguém que escreve matérias para revistas, jornais, livros (ou em tempos mais modernos a internet) acaba chamando aquilo de algo e assim a moda pega, outros começam a escrever quando menos se espera o gênero e subgênero surgem.

E foi assim com Sword and Sorcery, em 1961o autor Michael Moorcock  publicou uma carta em uma fanzine chamada Amra, a pessoa que enviou a carta pedia para um termo que definisse a obra do autor Robert E. Howard. E assim Moorcock decidiu batizar de "Epic Fantasy" (Fantasia Épica), mas um autor americano chamado Fritz Leiber respondeu no jornal Ancalagon sugerindo algo menos genérico.

O termo proposto foi "Sword and Sorcery" (Espada e Feitiçaria) por imediatamente colocar a coisa em um ambiente de fantasia e diferencia a coisa do subgênero "Cloak and Dagger" (Capa e Espada) que são histórias tipo "Os três mosqueteiros". Também é uma referência a um gênero mais antigo chamado Sword and Sandal (Espada e Sandália) que é algo mais voltado para histórias em templos bíblicos ou antiguidade em geral, espartanos, faraós, etc, sabem? Tipo Spartacus.

E assim o termo pegou! Espada e Feitiçaria é algo que parece dizer de forma bem clara que é uma história medieval com toques de elementos sobrenaturais. Faz parecer algo mais sombrio. Transmite essa sensação de algo intenso.

Nesse gênero o foco é basicamente o personagem, conflitos pessoais e sua jornada, as vezes apenas lembranças de algum tempo. Pensamentos profundos e filosóficos, não é um ambiente de fantasia fofa com magia bonita. Pode existir sim mas não é o comum, o foco é algo intenso, o grande toque especial desse subgênero da fantasia é a ligação que você tem com o personagem e não com o universo em que ele está.

Sendo assim aventuras mostradas em um Sword and Sorcery te dá aquela sensação de que a câmera está mirada do começo ao fim no protagonista e o fundo você só pode ver de relance. É possível desenvolver um universo de Sword and Sorcery, mas diversas vezes esses universos são mostrados com a soma de várias obras onde o personagem aparece, aí você vai entendendo que lugar é aquele.

É comum também o clima de solidão para essas obras, o personagem pode ter amigos e interagir com ele, mas esses outros personagens são também como o fundo, podem ser vistos de relance, a não ser que o protagonista decida falar sobre seus sentimentos e lembranças por aquela pessoa em especial. Ou seja, mesmo quando um outro personagem é mostrado, é pelo ponto de vista do protagonista.

Não que seja obrigatório isso, há obras Sword and Sorcery com múltiplos personagens, mas aí o foco costuma ser naquele grupo. Em uma aventura deles, talvez dois amantes vagando por um lugar, talvez uma família que tenta sobreviver, ou mesmo um forte laço de amizade em um grupo. Varia, mas a profundidade na atmosfera é o que mantém a coisa, são universos onde a vida é difícil ou coisas horríveis aconteceram a aquelas pessoas, deixando feridas internas profundas.

E o toque mais especial são os conflitos internos, decisões morais, dores do passado. Além é claro de conter pancadaria e quando há uma jornada você sente o peso de cada luta, o esforço do personagem para sobreviver e continuar seguindo ao seu destino. É costumeiro as coisas serem bem "brutas" na questão de coisas naturais, portanto é comum ter nudismo e pessoas com poucas roupas ou acessórios. Pessoas se viram com o que tem pra tentar sobreviver.

Os ambientes normalmente são tanto medievais puros quanto algo pré-medieval, ou seja aquela coisa mais voltada para bárbaros e tal. Mas claro, a atmosfera é o mais importante, sendo assim dá pra encaixar esse gênero em uma história em outro ambiente tipo Outlander (embora não seja muito comum). Uma das coisas que faz os fãs trabalharem bastante é a tentativa de montar os cenários catando pedacinhos citados nas obras "Olha, tal personagem foi a esse lugar no conto tal, e agora o outro também passou por lá", e assim de pouco em pouco vão criando o grande cenário de fundo que inicialmente é oculto.

Lembrando que em boa parte das vezes Sword & Sorcery é usado apenas como "elemento" de uma obra, então não precisa ser algo puro usando a estrutura por completa, assim como vemos muitas obras que apenas usam alguns elementos Cyberpunk e não a essência pura da coisa, contendo todos os elementos, mas mesmo assim no fim das contas são considerados cyberpunks completos

Enfim, se você estiver procurando por histórias de fantasia mas quer elementos declaradamente voltados para um público maduro, deve usar o termo Sword and Sorcery para conseguir achar facilmente coisas do estilo. Quanto a obra clássica símbolo desse gênero é Conan O Bárbaro, no Brasil foram lançados os mais variados tipos livros, HQ's, filmes e etc. Se quiser conferir é só dá uma olhada aqui.

Um comentário:

Bruno Arce disse...

A forma como você explicou de Sword and Sorcery me fez lembrar de Berserk, é basicamente assim que a historia do mangá segue, e eu amo de mais esse estilo. Eu sempre quis conhecer outras obras assim, agora que você me deu o termo vai ficar bem mais fácil.