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segunda-feira, 2 de novembro de 2015

O Terrível Ancião - Um conto xenofóbico de Lovecraft

Esse não é um dos contos mais conhecidos de H.P. Lovecraft, no entanto isso não quer dizer que não seja bom, é uma história breve e para leitura rápida, do tipo que dá apenas um gostinho de horror cósmico para aqueles momentos em que você quer se entreter um pouco com alguma coisa que não vá tomar muito tempo.

Fui eu mesmo que traduzi, e levando em consideração outras coisas que já traduzi do autor como o fantástico "O inominável", é um daqueles contos dele que dá pra sentir facilmente que o linguajar usado é bastante diferente do toque sofisticado que ele costuma ter em boa parte das obras, o que não significa que seja ruim, para alguns leitores pode ser até mesmo um alívio. No meu caso foi um baita de um alívio traduzir já que não tinha muita frescura e não fiquei perdido, tem obras do cara que fico até perdido sobre o que ele quis dizer como por exemplo O dia das bruxas no subúrbio, que talvez eu nunca saiba se ele tava ou não simulando um caipira hehe.



Esse conto foi escrito no fim de janeiro do ano de 1920, no entanto foi publicado apenas no ano seguinte em um jornal amador chamado Tryout. Não existe nada de genial nele, no entanto é um bom conto de terror, tem um ótimo toque de mistério e apresenta o terror cósmico sem ir muito além na coisa.

Não sei se Lovecraft foi assaltado por algum estrangeiro ou se ele só era babaca mesmo, mas existe um toque xenofóbico polêmico no conto. Isso porque os estrangeiros apresentados aqui parecem ser todos farinha do mesmo saco e a coisa não é vista da melhor maneira. Não é dito quais são as nacionalidades deles, mas pelos sobrenomes dá para deduzir e um deles provavelmente é um português ou brasileiro! Confiram:


O Terrível Ancião

Angelo Ricci, Joe Czanek e Manuel Silva tinham a intenção de fazer uma visita ao Terrível Ancião. O velho vive sozinho em uma casa muito antiga na Rua Water, próxima ao mar, e é conhecido por ser duas coisas, extremamente rico e ter uma saúde extremamente frágil. E isso constitui em um grande atrativo para homens que tem a profissão dos senhores Ricci, Czanek e Silva, pois sua profissão era nada menos do que a de bandidos.

A vizinhança em Kingsport dizem e pensam muitas coisas sobre o Terrível Ancião, coisas que, geralmente, o protegem da atenção de cavaleiros como o senhor Ricci e seus colegas, apesar da quase absoluta certeza de que esconde uma fortuna de magnitude incerta em algum canto de sua venerável mansão cheia de mofo. Na verdade, é uma pessoa muito estranha, que aparentemente foi capitão de navio das Índias Orientais um dia. É tão velho que ninguém se lembra quando foi jovem, e tão calado que poucos sabem seu verdadeiro nome. Entre as árvores secas de seu jardim em frente a sua velha e esquecida residência se conserva uma estranha coleção de grandes pedras singularmente agrupadas e pintadas de forma que se assemelham a ídolos de algum sombrio templo oriental. Semelhante coleção afugenta  a maioria dos garotos que gostam de zombar de sua barba e cabelos, largos e grisalhos, ou quebrar as pequenas janelas de sua casa com perversas pedras. Mas há outras coisas que atemorizam as pessoas mais velhas e mais curiosas que em algumas ocasiões se aproximam furtivamente até a casa para examinar ao interior através das vidraças cobertas de pó. Estas pessoas dizem que sobre a mesa de uma sala vazia do piso inferior há muitas garrafas estranhas, cada uma das quais tem em seu interior um pedaço de chumbo suspenso em uma corda, como se fosse um pêndulo. E dizem que o Terrível Ancião da nome às garrafas, as chamando por nomes tais como Jack, Cara Cortada, Grande Tom, Joe Espanhol, Peters, e Mate Ellis, e que sempre que fala com uma das garrafas o pendulo de chumbo que está dentro emite algumas vibrações precisas como se respondesse. Aqueles que viram o alto e magro Terrível Ancião em uma dessas peculiares conversas, não querem voltar a ver nunca mais. Mas Angelo Ricci, Joe Czanek e Mauel Silva não eram habitantes de Kingsport. Pertenciam a essa nova e heterogênea estirpe estrangeira que embarcou a margem do atrativo círculo de vida e tradições de Nova Inglaterra, e não viram no Terrível Ancião outra coisa mais que um velho doente e praticamente indefeso, que não podia andar sem a ajuda de seu retorcido cajado, e cujas velhas e fracas mãos tremiam de modo constante e lastimoso. Em sua própria maneira de ser eles sentiam até um pouco de compaixão pelo solitário e impopular velho, a quem todos esquivavam-se e a quem não tinha cachorro que não latisse quando o via passar. Mas os negócios são negócios, e, para um ladrão que se entrega de cheio a sua profissão, sempre é tentador e provocante um velho de saúde debilitada que não tem conta aberta no banco, e que para sustentar suas escassas necessidades paga na venda do povoado com ouro e prata entalados dois séculos atrás.

Os senhores Ricci, Czanek y Silva  elegeram a noite de onze de abril para efetuar sua visita. O senhor Ricci e o senhor Silva se encarregariam de falar com o pobre e velho cavalheiro, enquanto o senhor Czanek ficaria esperando os dois e seu presumível carregamento metálico em um carro coberto, na rua Ship, junto ao portão do alto muro posterior da propriedade de seu anfitrião. O desejo de evitar explicações desnecessárias no caso da aparição inesperada da polícia acelerou os planos para uma fuga sem apuros ou problemas.

Tal como haviam planejado, os três aventureiros colocaram a mão na obra separadamente com o objetivo de evitar qualquer suspeita de má intenções. Os senhores Ricci e Silva se encontraram na Rua Water junto à porta de entrada da casa do velho, e ainda que não lhes cheirava bem o reflexo do luar nas pedras pintadas que podiam se vistas entre os ramos das árvores retorcidas, tinham coisas em que pensar mais importantes que deixar sua imaginação voar com bobas superstições. Temiam que fosse uma tarefa desagradável fazer o  Terrível Ancião abrir o bico para dizer onde estava o ouro e a prata, pois os velhos lobos marinhos são particularmente cabeças duras e perversos. Em todo caso se tratava de alguém muito velho e fraco, e eles eram duas pessoas que o visitariam. O senhor Ricci e Silva eram experts na arte de amansar os teimosos, e os gritos de um fraco e mais que vulnerável velho não são difíceis de sufocar. Assim que se aproximaram da única janela iluminada e escutaram como o Terrível Ancião falava em tom infantil com suas garrafas com pêndulos. Colocaram máscaras e chamaram com delicadeza na descolorida porta de carvalho.

A espera pareceu grande demais ao senhor Czanek, que se mexia inquieto dentro do carro, estacionado próximo ao portão de trás da casa do Terrível Ancião, na Rua Ship. Era uma pessoa impressionável que o normal, e não gostou nem um pouco dos espantosos gritos que ouviu na mansão momentos antes da hora marcada para iniciar a operação. Ele não tinha dito a seus companheiros que tratassem com o maior cuidado ao velho lobo do mar? Muito nervosamente ele observava a estreita porta de carvalho no alto do muro de pedra coberto de folhas de hera. Não parava de consultar o relógio, e se perguntar sobre o motivo do atraso. O velho teria morto antes de revelar onde escondia o tesouro, e assim foi necessário proceder para uma checagem completa? O senhor Czanek não gostava de esperar tanto no escuro em um lugar como aquele. Então ele ouviu os sons de ligeiros passos ou golpes do lado de dentro da propriedade, olhou como alguém que manuseava desajeitadamente, ainda que com suavidade o trinco enferrujado, e viu como se abria a pesada porta. E graças ao pálido brilho do único poste da rua que iluminava o lugar aguçou a visão na tentativa de comprovar o que seus colegas tinham conseguido naquela sinistra mansão que se vislumbrava tão próxima. Mas não viu o que esperava. Ali não tinha nem vestígio de seus companheiros, mas sim o Terrível Ancião que se apoiava com ar tranquilo em sua torta bengala e sorria maleficamente. O senhor Czanek não tinha percebido até então a cor dos olhos daquele homem; agora podia eram amarelos.

As pequenas coisas produzem grandes emoções em cidades pequenas. Tal é o motivo de que os vizinhos de Kingsport falassem ao longo de toda a aquela primavera e no verão seguinte dos três corpos não identificados , horrivelmente mutilados - como se tiveram recebido múltiplas facadas - e horrivelmente triturados - como se tivessem sido alvo das pisadas de muitas botas infernais - que a maré trouxe para a terra. E alguns até falaram de coisas tão triviais como o carro abandonado que foi encontrado na Rua Ship, ou de certos gritos inumanos, provavelmente de um animal de rua ou de um pássaro imigrante, escutados durante a noite pelos vizinhos que não conseguiam dormir. Mas o Terrível Ancião não prestava a menor atenção às fofocas que corriam pelo pacífico povoado. Era discreto por natureza, e quando se é velho e se tem uma saúde delicada a descrição é duplamente forte. Além do mais um lobo do mar tão velho deve ter presenciado uma multidão de coisas muito mais emocionante em dias distantes de sua quase esquecida juventude.

-H.P. Lovecraft-

Tradução: Eu mesmo Ò_Ò! Então os créditos vão para www.nerdmaldito.com

Não deixe de conferir as várias obras do autor lançadas no Brasil.

4 comentários:

Matt Kist disse...

Legal!
Sky, no segundo parágrafo está escrito "Terrível Ação".

Skywalkerpg disse...

Valeu, arrumei! =D

Lídia S. disse...

Ele era extremamente xenofóbico sim. Nunca tinha lido nada dele até O horror em Red Hook e sinceramente, detestei, e provavelmente foi o último. Ele enrola, enrola dizendobo quão terrível e inominável são os poderes ancestrais e obscuros pra depois associa-los aos imigrantes de pele escura e orientais satânicos que devoram criancinhas louras, de olhos azuis e puras... ahhh tenha dó né. Imagino o desserviço desses textos naquela época viu. E dificilmente vou ler outra coisa dele.

Lídia S. disse...

Ele era extremamente xenofóbico sim. Nunca tinha lido nada dele até O horror em Red Hook e sinceramente, detestei, e provavelmente foi o último. Ele enrola, enrola dizendobo quão terrível e inominável são os poderes ancestrais e obscuros pra depois associa-los aos imigrantes de pele escura e orientais satânicos que devoram criancinhas louras, de olhos azuis e puras... ahhh tenha dó né. Imagino o desserviço desses textos naquela época viu. E dificilmente vou ler outra coisa dele.