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quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

É pavê ou é pacumê? Ou é... PAMORRÊ? Ò_Ò

Eduardinho é um garoto malvado, ele sempre gostou muito de pintar uma cruz de cabeça pra baixo na testa e por na internet, além de várias outras coisas que dá o que falar, no entanto nesse instante as coisas são diferentes ele sente como se o mundo estivesse em câmera lenta, cada passo pode ser visto e apreciado calmamente, ele entra na sala e vê toda a família reunida, cada um dos rostos é conhecido, eles estão felizes, mas o garoto não está tão a vontade. Ele sempre foi do tipo gótico e misterioso, um ser das trevas vivendo em meio a uma sociedade hipócrita. As atitudes das pessoas ali lhe causam nojo, mas nesse natal a coisa é diferente. O rapaz decidiu tentar se misturar e por uma vez seguir o conselho da família, e assim foi até a internet e procurou por uma receita para fazer e impressionar a todos, ver como se sai.

Ele anda pela segurando um refratário cheio de pavê que ele mesmo fez. Eduardinho nunca tinha tentado preparar uma receita natalina antes, mas decidiu ir até a internet e procurou por algo fácil, e foi assim que achou um blog que pareceu a sua cara, era perfeito! Havia a receita simples e com um toque especial que o fez se identificar rapidamente e querer preparar aquilo.

Todos o observam, sempre os mesmos rostos, tios e tias, primos e primas, e outros parentes variados. Alguns com sorrisos falsos, outros alegres, alguns com cara de desdém, e tantas outras expressões que ele não quis olhar para decifrar. Mas em meio a tanto esforço, ele realmente quer que tudo dê certo, afinal de contas está se esforçando pela primeira vez em algo assim. O incomoda ver todos o olharem tão atentamente, como se esperassem que algo acontecesse, as coisas ainda continuam como se estivessem em câmera lenta, o caminho até a mesa parece uma eternidade, e cada detalhe pode ser observado.

Ao finalmente chegar ao seu lugar, a ponta da mesa, como se tivesse sido preparado especialmente para que todos ali possam observá-lo facilmente, ele se senta e olha a outra extremidade, onde um dos vovôs da família está sentado, ele ri, ri alto, parece um velho gagá com alguns dentes faltando, uma barba mal feita, e segurando freneticamente sua bengala que usa o tempo todo para andar. De sua boca é possível ver de vez em quando uma baba ou outra saindo e caindo na comida. Ninguém parece ligar para isso, todos os outros observam atentamente Eduardinho.

O garoto então coloca o refratário em cima da mesa, e o velho finalmente se cala e olha diretamente para a comida, logo depois os seus olhos se movem para cima, lentamente até encarar o rapaz bem nos olhos e ele pergunta:

-O que é isso?

De repente há um silêncio mortal na mesa, cada som que pudesse estar ali se foi, até mesmo o barulho da rua parece ter desaparecido por um breve momento. Eduardinho consegue ouvir o seu próprio coração bater e cada piscar de olho parece demorar um século, até que ele finalmente diz:

-É pavê.

Rapidamente ele pensa em uma enorme quantidade de coisas, são tantas as possibilidades, existem diversas frases que podem vir a seguir, mas apenas uma é a que ele realmente não deseja de forma alguma que seja dita, são palavras malditas que são como magia oculta sendo emitida no ar, uma magia capaz de acabar com o espírito natalino que o garoto tanto se esforçou para conseguir demonstrar em frente a família, e para o seu desfortúnio, são exatamente essas as palavras que o vovô pronuncia:

-Mas é pavê? Ou é pacumê?

As expressões nos rostos da família inteira se distorcem em uma risada contínua, todos acham muito engraçado o que o vovô diz, e emitem uma alta gargalhada uníssona como tivessem saído direto de um pesadelo. Algumas pessoas levam as mãos a barriga, outras se abaixam em direção a mesa como se tentassem se conter. Isso é demais para Eduardinho, ele percebe que ter ido a esse lugar foi um grande erro, sabe que poderia estar nesse momento postando suas novas fotos malvadas na internet dos cortes que fez no braço na noite passada, mas está perdendo o seu tempo. O garoto nota que chegou a hora de apresentar o ingrediente especial.

A família mal percebe quando ele enfia com força a mão dentro do pavê e segura algo, mas as risadas se vão quando a tia gorda logo emite um grito muito alto, agudo e tremido, como se fosse como se fosse uma gralha louca do inferno! Todos então olham para o pavê, quando veem o cabo da escopeta saindo.

Tudo ainda pode ser visto em câmera lenta, e o garoto observa calmamente a cara do vovô dando um grito alto, com seus olhos arregalados em direção ao cano grosso da arma, a baba ainda continua saindo. O rapaz se levanta e vê as costas do velho, que agora corre, corre feito uma gazela fugindo por sua vida, ele nem ao menos usa sua bengala, apenas avança rapidamente, jogando com força os seus braços para frente e para trás, e com passos tão longos que seu joelho quase chega a tocar o seu queixo.

Ao lado, a tia gorda começa a cair da cadeira, ela parece um balão de água gigante pronto para estourar assim que se estabacar no chão, e em frente a ela o peru de natal voa rodando no ar com a batida que a mulher deu nele sem querer. Mas tantas delícias em cima da mesa fazem o garoto perder a concentração por um segundo, panetones, tenders um salpicãozinho, é uma maravilha! Mas não há tempo para isso, ele está em uma missão de vingança!

Eduardinho enfia o cano da escopeta em baixo da pesa e a empurra para o lado, fazendo toda a comida ser virada em cima dos membros da família sentados a esquerda. Ele então recarrega a arma com o tradicional "tic tic" e aponta em direção ao coroa, que se aproxima cada vez mais da janela. O vovô dá um salto digno de atletas olímpicos, fechando o corpo para atravessar a vidraça em meio ao som dos vários cacos estraçalhados. O dedinho do garoto está nervoso no gatilho, mas ele sabe que será apenas um tiro, não pode errar, tudo o que ele deseja nesse instante é que alguém da família tire uma fotinho na hora que o fogo tiver saindo pelo cano para ele poder postar depois com a legenda "Matando o vovô com uma escopeta no natal".

Ele mira direitinho nas costas do velho e agora sabe que ele vai finalmente descobrir que aquilo na mesa não é nem pavê nem pacumê...

[FIM Ò_Ò]

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