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terça-feira, 15 de abril de 2014

Você sabia que o Super Homem original era um vilão?

Como escrevo histórias, uma coisa que já percebi há muito tempo é que ideias mudam, se adaptam e evoluem. Sendo assim uma ideia pode até surgir de uma vez, porém é completamente improvável que um texto inteiro, com cada uma das palavras contidas nele apareçam prontas. Na hora que você vai escrever, as coisas mudam, uma coisa que pareceu legal inicialmente pode de repente parecer ser um verdadeiro lixo quando você lê o que escreveu. Assim como ideias podem evoluir, com o dia a dia você vai se inspirando com coisas do cotidiano e isso te faz querer adicionar certos elementos, sendo que às vezes isso pode modificar a obra por completa e dar um verdadeiro novo ar, isso não acontece apenas com livros, mas com arte em geral. E hoje vou falar sobre uma dessas mudanças, no caso algo surpreendente que é a ideia original feita pelos criadores do Super Homem, que foi não de um herói, mas de um vilão que só depois foi alterado.

No ano de 1883, Friedrich Nietzsche lançou um livro inspirador para o mundo, o "Assim falou Zaratustra: um livro para todos e para ninguém", inspirado nos pensamentos de Zaratustra, que foi o pseudônimo usado por um filósofo na antiga Pérsia e que foi também o responsável pela criação do Zoroatrismo em meados do século VII antes de Cristo. Esse livro foi um verdadeiro sucesso, se tornando uma das obras mais influentes da humanidade.

Nesse livro, Nietzsche apresentou um conceito que chamou muito a atenção, que é o do Übermensch, que é a palavra alemão usada para algo como "Super Humano", "Humano Superior" e "Super Homem". A ideia era de que a humanidade inteira de uma vez não podia se elevar, mas sim que deveria haver uma nova raça com apenas o objetivo de progresso constante, e que tinha que estudar para isso, se tornando assim responsável pelo crescimento dos outros, a raça do Super Homem não deveria se misturar com humanos normais, pois o amor era um capricho destinado apenas aos inferiores, sendo assim um Super Homem deveria se unir apenas com outro de sua "raça" e assim dar seguimento na linhagem para que um novo Super Homem nascesse e desde criança fosse educado especialmente para liderar e guiar.

Nietzsche faleceu em 1900 e então houve a grande depressão em 1929 como vocês devem saber, quando a bolsa de valores de Nova Iorque desabou e da noite para o dia muita gente ficou bastante pobre, fazendo assim com que o desemprego chegasse a taxas altíssimas e o desespero tomasse conta de todos. E assim em 1932, dois jovens de 18 anos, amigos do ensino médio tentavam de alguma forma ganhar algum dinheiro para evitar a pobreza que a crise estava causando, um deles era Jerry Siegel, que escrevia contos, e o outro era seu amigo Joe Shuster, que desenhava. E assim eles decidiram tentar publicar algo.
Os dois enviaram o conto para várias editoras das famosas Revistas Pulp, mas todas negaram o pedido. Dessa forma eles tiveram uma ideia desesperada e resolveram imprimir por conta própria, fazendo assim a sua própria revista que foi nomeada de "Science Fiction: The Advance Guard of Future Civilization", e onde finalmente puderam publicar a história "The Reign of the Super-Man" (O Reino do Super Homem), e chegaram a fazer cinco edições da revista amadora. Mas uma coisa engraçada é que eles só foram publicar a história na terceira edição.

A história apresenta um cientista careca chamado Professor Ernest Smalley e especializado em química, mas ao ver que não poderia arriscar testar em si mesmo as fórmulas que criava, decide procurar por cobaias para testar os seus experimentos, e assim vai até uma fila onde mendigos se atumultuam para pegar pão e escolhe um homem chamado Bill Dunn para fazer uma oferta. Ele diz ao mendigo que lhe dará uma refeição de verdade todos os dias e roupas novas se o mesmo aceitar experimentar as suas fórmulas, e o mesmo aceita. Durante os testes, Smalley cria uma fórmula que dá poderes telepáticos à cobaia, e imediatamente o cientista fica obcecado com a ideia de conquista e em como poderia ter o mundo inteiro em suas mãos ao combinar sua inteligência com poderes. E assim toma também a fórmula, mas tenta matar Dunn para apenas ele possuir tal poder, no entanto o mendigo acaba matando-o, porém o efeito apenas é temporário e o mesmo os perde, Dunn chega a tentar recriar a fórmula, mas não tem capacidade, e assim ele se vê destinado a apenas ser novamente mais um homem que será esquecido em uma fila para pegar alimentos.

Um ano após a publicação do Super Homem original, Siegel decidiu reescrever o personagem como sendo um herói e assim fazendo a história que tanto conhecemos, porém ainda era um conto, e quando o mesmo viu uma revista em quadrinhos chamada "Detective Dan"m ele ficou fascinado com a ideia, pois viu que o seu próprio personagem poderia dar muito certo em uma versão em quadrinhos.  E assim escreveram os quadrinhos, deram o nome de "The Superman" e enviaram para a Consolidated Book Publishing, que foi a editora que publicou Detective Dan, e a mesma respondeu encorajando os dois mass não quis publicar, e isso deixou Shuster muito furioso, ateando fogo nas páginas, sendo que só a capa foi salva por Siegel, que conseguiu tirar a tempo.

Somente em 1938 eles conseguiram finalmente publicar o seu herói em uma pequena editora que estava em ascensão, chamada DC Comics, e que tinha sido criada há apenas quatro anos. A mesma lançou a primeira edição de sua revista chamada Action Comics, já com o Super Homem na capa e então finalmente deu o verdadeiro empurrão no herói que conhecemos hoje, um detalhe engraçado da capa é que o Super Homem aparece enfiando um carro em uma pedra. Será que o motivo disso era chamar a atenção? Tipo apresentar o personagem ao mundo de uma forma um tanto chocante para as pessoas falarem "Nossa, aquele homem ta levantando um carro O_O ". Afinal de contas eram os anos 30 né, e muita coisa do que conhecemos hoje em dia ainda não era normal naquela época.
Vendo isso sobre o quanto os dois lutaram pra ter a sua história publicada, uma coisa engraçada de se pensar sobre o tema, é que parece o H.P. Lovecraft estava em um nível diferente desses caras, afinal ele era super culto e tudo mais, no entanto ao menos na linha do sucesso, ele era tão ferrado quanto e talvez até mesmo pudesse ser colocado na mesma turma de nerds admiradores de ficção do mesmo tipo.

Digo isso porque ele também publicava em revistas amadoras e inclusive foi em 1934 que publicou o conto Do além, também envolvendo a temática de cientista louco, então imagina se Super Homem nunca tivesse virado quadrinhos? Poderia simplesmente ter caído no esquecimento, porém poderia ser que hoje tivéssemos uma série de histórias sombrias envolvendo o personagem, afinal convenhamos que o final é do mal ein? Eu esperaria que o mendigo se desse bem, mas os caras realmente fugiram do clichê e o colocaram de volta à realidade, onde ele era um ninguém.

Hoje em dia achamos inúmeros produtos do homem de aço, e ele é um verdadeiro ícone, mas naquela época não tinha nome algum. Incrível o cara nascendo na grande depressão no meio do desespero por dinheiro e crescer a um nível desses né? Mas e vocês, o que acharam da origem do Super Homem?

4 comentários:

ygor0504 disse...

Sky foi combinado com InsaneGaming fazer um vídeo jogando no seu blog?

link: https://www.youtube.com/watch?v=A18lSchLdv0

Coincidência? '-'

Skywalkerpg disse...

Não conheço eles não, mas tem alguns canais que fizeram vídeos mesmo pra mostrar, bem legal. =)

ygor0504 disse...

Legal saber que varios Youtubers que acompanham seu blog, e o cara me faz 40 segundos naquela coisa o.O

Naira D. Yagami disse...

Sky, a respeito do que vc disse: "Será que o motivo era chamar a atenção? [...] 'Nossa, aquele homem ta levantando um carro O_O".
Bom, vc está certo.. Eu o aconselho a ler "A ciência dos Super-Heróis", um livro de Lois Gresh e Robert Weinberg. (Eu não iria me surpreender se vc dissesse que já leu, muahhhhh) ...
Mas vc vai gostar desse livro, fala sobre o início de alguns super heróis, incluindo o Super-Homem e ainda citam a respeito da capa da 1º edição dele sobre "chamar a atenção". E sou grata a vc pela postagem, pois eu não sabia da relação do livro de Nietzsche com o início do Super-Homem...