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GTA Vice City Stories Recomp | Clássico do PSP portado para rodar direto em computadores

Grand Theft Auto Vice City Stories ganhou uma alternativa para quem quer jogar o clássico fora do PSP. O projeto PSPRecomp usa recompilação estática para transformar o código da versão de PSP em um programa que roda nativamente no Windows, sem precisar executar o jogo através de um emulador como o PPSSPP.

A diferença parece pequena na superfície, mas tecnicamente é bem grande. Em uma emulação tradicional, o computador precisa reproduzir o funcionamento do hardware do PSP enquanto o jogo está rodando. Na recompilação estática, o código original é analisado e convertido para código que pode ser compilado para o computador. Em vez de ficar fingindo que é um PSP o tempo inteiro, o PC passa a executar uma versão nativa daquele código. O processador do portátil da Sony, o Allegrex baseado em MIPS, deixa de ser o protagonista da brincadeira.

O PSPRecomp foi criado como um framework para esse tipo de trabalho e GTA Vice City Stories é o primeiro perfil funcional do projeto. O repositório possui uma área específica para VCS, reunindo o código gerado, configurações, integração com o sistema e outras partes necessárias para transformar o jogo de PSP em uma aplicação para Windows. O projeto utiliza C++20, CMake e Visual Studio 2022, além de integração com DirectX 12 no perfil de Vice City Stories.

E não se trata de um port oficial da Rockstar. Vice City Stories foi lançado originalmente para PSP em 2006 e depois recebeu uma versão para PlayStation 2, mas nunca ganhou uma versão oficial para PC. A situação é particularmente curiosa porque GTA Vice City Stories é uma produção bastante diferente de GTA Vice City, apesar de compartilhar a mesma cidade e funcionar como uma história anterior aos acontecimentos do jogo de 2002.

Claro que a recompilação também não transforma automaticamente o projeto em uma versão remasterizada. A ideia principal é fazer o código do jogo funcionar de forma nativa no computador. Recursos de emulação e limitações do hardware original podem ser tratados de outra maneira, mas isso não significa que o projeto já venha com gráficos refeitos, texturas em alta resolução ou todas aquelas firulas que aparecem em um remaster. mas abre muitas portas!
 
Outro detalhe é que o PSPRecomp não distribui os arquivos comerciais de Vice City Stories. O projeto mantém separado o código necessário para a recompilação e os dados pertencentes ao jogo. Para montar a versão correspondente, são necessários os arquivos obtidos da própria cópia do usuário. É a velha regra dos projetos de engenharia reversa de jogos, ninguém vai colocar o GTA inteiro dentro do GitHub e fingir que o advogado da Take-Two não vai perceber.

Para quem está acostumado com projetos como N64Recomp, PS2Recomp e outras recompilações de jogos antigos, a lógica é familiar. O objetivo é pegar um jogo originalmente preso a uma arquitetura específica e transformar seu código em algo que possa ser compilado para hardware moderno. Isso também abre espaço para melhorias que seriam mais complicadas em uma emulação tradicional, principalmente quando o projeto começa a receber ajustes próprios para resolução, controles, áudio, renderização e outras partes do funcionamento.

No caso de Vice City Stories, isso é especialmente interessante porque a versão de PSP é a base de um jogo que nunca teve uma edição oficial para computadores. Em vez de esperar a Rockstar resolver tirar Victor Vance da gaveta, o projeto segue por outro caminho e trabalha diretamente com o código da versão original.

O PSPRecomp também não foi estruturado exclusivamente para GTA Vice City Stories. A ideia do framework é permitir que outros jogos de PSP recebam seus próprios perfis de recompilação, cada um com as adaptações necessárias. Isso transforma o VCS em uma espécie de cobaia de luxo para uma tecnologia que pode acabar sendo usada em outros jogos do portátil.

Por enquanto, portanto, o grande atrativo do GTA Vice City Stories Recomp é bem simples de entender. Um jogo que nasceu no PSP pode ser transformado em uma aplicação nativa de Windows através de recompilação estática, sem depender da emulação do portátil da Sony para executar o código. Para um GTA que passou quase duas décadas sem uma versão oficial para PC, já é uma baita mudança de endereço.
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Sobre GTA
Quando se fala em Grand Theft Auto, é normal lembrar primeiro dos jogos numerados, como GTA III, GTA: Vice City, GTA: San Andreas, GTA IV e GTA V. Só que a franquia da Rockstar Games construiu uma quantidade enorme de histórias paralelas que ficaram fora dessa linha principal. São os chamados spin-offs de GTA, jogos que aproveitam cidades, personagens e ideias conhecidas para contar outras histórias, muitas vezes explorando períodos diferentes e até consoles bem diferentes daqueles usados nos grandes lançamentos.

A história desses derivados começa ainda na época do primeiro Grand Theft Auto, lançado em 1997. Em 1999, a série recebeu Grand Theft Auto: London 1969, uma expansão que trocou as cidades americanas por Londres e levou a ação para o ano de 1969. O jogo também ganhou uma espécie de prequel chamada Grand Theft Auto: London 1961, ambientada oito anos antes. Esses dois projetos são curiosos porque mostram que a ideia de pegar GTA e mudar completamente o cenário já existia antes mesmo da série entrar na era 3D.

A transformação mais importante veio com Grand Theft Auto III, em 2001. A partir dele, a Rockstar criou uma nova fase da franquia, com cidades em 3D, personagens com histórias próprias e um mundo aberto muito mais detalhado. Depois de Vice City, em 2002, e San Andreas, em 2004, começaram a aparecer jogos que funcionavam como histórias paralelas dentro desse mesmo universo. Em vez de simplesmente repetir a aventura dos protagonistas principais, eles mostravam outros criminosos, outros bairros e acontecimentos que ajudavam a preencher o mundo de GTA.

Um dos exemplos mais interessantes é Grand Theft Auto Advance, lançado para Game Boy Advance em 2004. Apesar do nome, ele não é simplesmente uma versão portátil de GTA III. O jogo conta uma história própria envolvendo Mike, que se movimenta por Liberty City no ano 2000, antes dos acontecimentos de GTA III. É um caso bem peculiar porque a Rockstar colocou uma aventura de GTA em um portátil que tinha limitações enormes em comparação com o PlayStation 2, mas ainda preservou a ideia de cidade aberta, carros, armas, missões e confusão com a polícia.

No ano seguinte, o PlayStation Portable recebeu um projeto muito mais ambicioso. Grand Theft Auto: Liberty City Stories, lançado em 2005, voltou para Liberty City e colocou o jogador no controle de Toni Cipriani, personagem ligado à família Leone que já aparecia em GTA III. A aventura acontece em 1998, alguns anos antes da história de Claude, permitindo conhecer uma versão diferente da cidade e acompanhar acontecimentos envolvendo máfia, gangues, negócios criminosos e personagens conhecidos. O jogo também ganhou uma versão para PlayStation 2.

Em 2006, a fórmula foi repetida em Grand Theft Auto: Vice City Stories. Dessa vez, a Rockstar voltou para a Vice City inspirada em Miami e colocou Victor Vance como protagonista. A história acontece em 1984, dois anos antes de GTA: Vice City, permitindo conhecer uma cidade diferente daquela vista na aventura de Tommy Vercetti. O jogo trouxe novamente a estrutura de mundo aberto, missões criminosas, veículos, armas e atividades paralelas, mas com uma campanha própria construída ao redor de Victor e de seu irmão Lance Vance.

A era do GTA IV levou os spin-offs para outro formato. Em 2009, a Rockstar lançou Grand Theft Auto IV: The Lost and Damned, colocando o jogador no papel de Johnny Klebitz, integrante da gangue de motoqueiros The Lost. A expansão acompanha acontecimentos que acontecem ao mesmo tempo que a campanha de Niko Bellic. No mesmo ano veio The Ballad of Gay Tony, protagonizado por Luis Lopez, segurança e braço direito de Tony Prince. As duas histórias mostram lados completamente diferentes de Liberty City e se cruzam com acontecimentos de GTA IV.

Também em 2009 apareceu Grand Theft Auto: Chinatown Wars, desenvolvido para Nintendo DS e depois levado para PSP e celulares. O protagonista é Huang Lee, integrante de uma família ligada às tríades chinesas, e a aventura acontece em Liberty City em 2009. O jogo se destaca até visualmente, usando uma câmera inclinada que lembra os antigos GTA, mas com uma apresentação própria e várias mecânicas adaptadas para o portátil. Ele também mostra como a Rockstar conseguiu levar a fórmula de GTA para uma plataforma completamente diferente sem simplesmente transformar o jogo em uma versão menor de GTA IV.

Esses jogos também ajudam a entender que spin-off de GTA não significa necessariamente um jogo pequeno ou distante da série principal. Liberty City Stories e Vice City Stories são praticamente capítulos completos de seus respectivos universos, enquanto The Lost and Damned e The Ballad of Gay Tony funcionam como expansões enormes de GTA IV. Chinatown Wars segue outro caminho, adaptando a série para uma experiência portátil, e GTA Advance leva a mesma ideia ainda mais longe ao colocar uma aventura inédita de Liberty City no Game Boy Advance.

Existe ainda uma característica interessante nessa divisão: os jogos de GTA são separados em diferentes universos. Os títulos antigos formam o universo 2D, com GTA e os dois episódios de London. Depois vem o universo 3D, iniciado por GTA III e formado também por Vice City, San Andreas, Advance, Liberty City Stories e Vice City Stories. A partir de GTA IV começa o universo HD, que reúne GTA IV, seus dois episódios, Chinatown Wars, GTA V e GTA Online. Isso explica por que personagens e acontecimentos de determinados jogos não podem simplesmente ser tratados como parte da mesma continuidade dos títulos mais recentes.

No fim, os spin-offs ajudaram a transformar Grand Theft Auto em algo muito maior do que uma sequência de jogos numerados. A franquia conseguiu voltar para Liberty City várias vezes, explorar Vice City em diferentes períodos, visitar Londres, contar histórias de mafiosos, motoqueiros, membros de tríades e criminosos que nunca seriam protagonistas de um GTA principal. E talvez seja justamente por isso que nomes como Liberty City Stories, Vice City Stories, GTA Advance, Chinatown Wars, The Lost and Damned e The Ballad of Gay Tony continuam sendo lembrados quando se fala na história da série. Eles não são apenas versões menores dos GTA principais, mas partes próprias da evolução da franquia.