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Atriz da Bruxa do 71 foi guerrilheira clandestina e fugiu de seu país pro México

É muito curioso como alguns atores conseguem ter vidas tão inusitadas que parecem roteiro de cinema. Angelines Fernández ficou conhecida no mundo todo por interpretar Dona Clotilde, a Bruxa do 71, em Chaves, mas muitos fãs descobrem com surpresa que, antes da fama, ela participou da resistência contra a ditadura de Francisco Franco, na Espanha. Sua história mistura guerra, perseguição política, exílio e uma mudança completa de vida.

Angelines nasceu em Madri, em 1924. Quando a Guerra Civil Espanhola começou, em 17 de julho de 1936, ela tinha apenas 11 anos e estava prestes a completar 12. O conflito colocou frente a frente os republicanos, que defendiam o governo da época, e os nacionalistas, liderados pelo general Francisco Franco. Em 1939, os nacionalistas venceram a guerra, e Franco iniciou uma ditadura que permaneceria no poder até 1975. Angelines tinha apenas 14 anos quando viu esse novo regime se instalar em seu país.

Muita gente imagina que tudo terminou em 1939, mas a realidade foi diferente. Com o fim da guerra, diversos opositores continuaram lutando de forma clandestina. Esses grupos ficaram conhecidos como guerrilha antifranquista, ou Maquis. Eles se escondiam em regiões montanhosas e florestas, realizavam ataques contra o regime e dependiam da ajuda de simpatizantes para sobreviver. O período de maior atividade desses grupos aconteceu entre 1945 e 1947, quando também aumentou a repressão do governo franquista.

Foi nesse contexto que Angelines se envolveu com a resistência. As informações conhecidas sobre esse período vieram principalmente de entrevistas concedidas por sua filha, Paloma Fernández. Ela contou que a mãe era considerada antifranquista por colaborar com as guerrilhas. Não existem registros detalhando qual era exatamente sua função, por isso não é possível afirmar se ela participou diretamente de combates ou se atuava em atividades de apoio à resistência.

Em 1947, aos 23 anos, Angelines passou a correr risco de ser presa por causa de sua ligação com o movimento antifranquista. Diante da perseguição, decidiu deixar a Espanha. Primeiro passou por Cuba enquanto resolvia sua documentação e, no mesmo ano, estabeleceu-se no México, país onde reconstruiria sua vida e desenvolveria sua carreira artística. Ela nunca voltou a morar na Espanha, mesmo após o fim da ditadura de Franco.

A trajetória de Angelines Fernández chama atenção justamente pela cronologia dos acontecimentos. Ela era uma criança quando a Guerra Civil começou, tornou-se adolescente durante a consolidação da ditadura e passou a juventude vivendo sob um regime que perseguia seus opositores. Em vez de abandonar imediatamente o país após o fim da guerra, permaneceu na Espanha por cerca de oito anos, período em que a resistência ainda existia e enfrentava uma repressão cada vez maior.

Décadas depois, milhões de pessoas passaram a conhecê-la apenas como a divertida Bruxa do 71. No entanto, por trás da personagem havia uma mulher que viveu acontecimentos históricos marcantes antes mesmo de iniciar sua carreira de atriz. É um daqueles casos em que a vida real consegue ser tão surpreendente quanto qualquer roteiro de ficção.
 
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