Ofertas do dia no link de afiliado Amazon!

Um dos jogos mais bem avaliados da Steam que simplesmente excluiu quem só fala inglês!

Magical Girl Witch Trials (魔法少女ノ魔女裁判) é um jogo que chama atenção logo de cara pelo contraste entre a estética clássica de garotas mágicas e uma atmosfera gótica pesada, cheia de mistério e tensão. Desenvolvido pela Acacia, uma marca criativa ligada ao estúdio japonês Re,AER, e publicado pela Circle Line Games, o título segue a tradição do estúdio de apostar em narrativas densas e visuais marcantes. Aqui, a proposta mistura visual novel com elementos de investigação, algo que pode lembrar a tensão psicológica de jogos como Danganronpa ou Zero Escape, mas com uma identidade própria, mais sombria e focada no desconforto constante entre os personagens.

O jogo coloca treze garotas presas em uma ilha isolada, forçadas a participar de um “Witch Trial”, um julgamento onde precisam descobrir quem entre elas é a bruxa. Mentiras, acusações e paranoia fazem parte da dinâmica, sempre com a ameaça de execução pairando sobre o grupo. A narrativa gira em torno de investigações, diálogos intensos e decisões que moldam a percepção do jogador sobre cada personagem. Oficialmente classificado como mystery adventure e visual novel, Magical Girl Witch Trials se apoia fortemente no tema “dark magical girl”, usando o contraste entre inocência e crueldade como motor da história. A direção artística assinada por Umemaro reforça esse clima opressivo, enquanto a trilha sonora composta por SLAVE.V-V-R sustenta a sensação constante de perigo e desconfiança.

Até aqui, tudo parece descrever apenas mais um bom jogo indie de nicho. O que torna Magical Girl Witch Trials realmente curioso é o contexto em que ele explodiu. O jogo foi lançado no Steam oferecendo apenas legendas em japonês e chinês simplificado, sem qualquer opção em inglês. Em outra época, isso seria praticamente uma sentença de invisibilidade fora do Japão. Ainda assim, o título não apenas encontrou seu público como se tornou um dos jogos mais bem avaliados de seu período na plataforma, acumulando dezenas de milhares de análises e atingindo a tão desejada classificação “Extremamente Positiva”, com cerca de 95% de aprovação. Para um jogo independente, narrativo e sem inglês, esse feito é tudo menos comum.

Grande parte desse sucesso vem de um público que durante muito tempo foi tratado como secundário no mercado global: o asiático, especialmente o chinês. As estatísticas do próprio Steam deixam isso claro. A maioria esmagadora das análises de Magical Girl Witch Trials está em chinês simplificado, seguida por japonês, coreano e chinês tradicional, enquanto as análises em inglês representam apenas uma fração mínima do total. Isso reflete uma mudança enorme no cenário dos games, onde o inglês já não é mais o idioma dominante absoluto. Em termos de usuários ativos, o chinês simplificado já superou o inglês como idioma mais usado no Steam, e o mercado chinês de jogos movimenta cifras absurdas, sendo hoje o maior do mundo em receita.

Esse contexto ajuda a entender por que Magical Girl Witch Trials conseguiu prosperar ignorando completamente o público ocidental dependente do inglês. O jogo encontrou um público gigantesco, engajado e faminto por experiências narrativas fortes, sem precisar adaptar sua obra para atender expectativas externas. Ao mesmo tempo, isso levanta uma reflexão incômoda: se um jogo como esse conseguiu estourar mesmo sem inglês, quantas outras obras incríveis continuam escondidas, presas a barreiras linguísticas, nunca chegando ao radar de quem depende de traduções para ter acesso à cultura asiática? Quantos jogos japoneses, chineses ou coreanos jamais receberam adaptação para inglês, muito menos para português, e acabaram passando despercebidos fora de seus países de origem?

Narrativamente, Magical Girl Witch Trials segue um caminho relativamente linear, mas com escolhas que influenciam o andamento dos julgamentos e a forma como os personagens são vistos. A aposta é com tudo na força do texto, no ritmo da investigação e na construção da tensão psicológica. Para quem gosta de obras como Umineko no Naku Koro ni, há uma familiaridade clara na maneira como mistério e fantasia se misturam, embora aqui a abordagem seja mais direta e focada no jogo de acusações.

No fim das contas, Magical Girl Witch Trials é uma obra feita para quem aprecia visual novels sombrias, mistério psicológico e histórias que exploram dilemas morais em ambientes fechados. Ele conversa com fãs de Danganronpa e Umineko, mas se sustenta por conta própria, tanto pelo clima quanto pela forma como foi recebido. O fato de ter sido lançado para PC e posteriormente anunciado para Nintendo Switch só amplia seu alcance, mas o que realmente o define é ter se tornado um fenômeno sem seguir o caminho tradicional. É o tipo de jogo que prova, na prática, que o mercado mudou, que o inglês sozinho já não basta e que muita coisa grande está acontecendo fora do eixo ocidental, mesmo quando a maioria de nós nem fica sabendo. Aliás, tô aprendendo chinês de graça há um tempo no Duolingo, mas lá tem uma penca de outros idiomas também, vale a pena.

O adblock bloqueia links de afiliados da Amazon como os desse post, então se não estiver aparecendo, é só desativar o adblock.