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Tenebris Somnia | Jogo de terror mistura pixel art com live action de alto nível

Tenebris Somnia
 
Tenebris Somnia é um jogo de terror e sobrevivência em 2D que aposta em uma combinação bastante curiosa, visual retrô inspirado nos games de 8 e 16 bits, mas com cenas de terror filmadas com atores reais, maquiagem elaborada e monstros construídos fisicamente. Desenvolvido pelo cineasta argentino Andrés Borghi em parceria com a Saibot Studios e publicado pela New Blood Interactive, o jogo mistura duas formas bem diferentes de apresentar o horror. Durante a exploração, você encontra aquele estilo clássico de aventura com quebra-cabeças, criaturas grotescas e recursos limitados. Porém, em momentos importantes, a pixel art dá lugar a cenas cinematográficas que parecem ter saído diretamente de um filme de terror. E a coisa foi um belo estouro em seu marketing, sendo que no lançamento rapidamente atingiu notas muito positivas.

A história acompanha Julia, uma jovem que começa a ter pesadelos nos quais seu ex-namorado é atacado e despedaçado por criaturas monstruosas. Tentando descobrir o que está acontecendo, ela vai até o apartamento dele, mas acaba encontrando algo muito pior do que imaginava. A partir daí, a aventura envolve explorar ambientes assustadores, encontrar pistas, resolver enigmas e enfrentar criaturas hostis. A estrutura segue a tradição dos survival horrors clássicos, com referências a jogos como Resident Evil e Silent Hill, mas troca os cenários tridimensionais por uma apresentação lateral em pixel art bonita pra cacete.
Mas com certeza o grande diferencial está justamente na maneira como essas cenas foram produzidas, afinal de contas jogos em pixel art super bonitinhos nós temos de montão, e esse aqui claramente quis apostar em algo diferenciado. Em vez de recorrer a vídeos no mesmo estilo 2D ou mudar o visual e ir pra cutscenes feitas com computação gráfica do começo ao fim, a equipe gravou sequências com atores de verdade, cenários físicos, maquiagem e criaturas construídas com próteses. 
 
A atriz argentina Clara Kovacic interpreta Julia, enquanto os efeitos práticos dos monstros ficaram sob responsabilidade de Marcos Berta, profissional que também trabalhou em filmes de terror como Quando o Mal Espreita (2023), que foi um baita estouro mundial. Inclusive, curiosamente quando fiz live do jogo, comentei sobre esse filme com o povo.
O trabalho envolveu máscaras moldadas a partir dos rostos dos atores, maquiagem elaborada e estruturas físicas para dar vida às criaturas. Algumas cenas foram gravadas em uma catedral argentina do século XVII, com direito a uma penca sangue falso espalhado pelo chão, enquanto outras aproveitaram até mesmo o metrô vazio de Buenos Aires durante a madrugada, o que sinceramente me impressionou. A produção contou com equipe profissional de filmagem, equipamentos de cinema e preparação cuidadosa das cenas. 
 
Apesar de tudo, a mistura de videogame com filmagens reais não é exatamente uma invenção desse jogo. Durante os anos 90, jogos como Phantasmagoria e Harvester utilizaram atores filmados para construir suas aventuras, seguindo a onda dos chamados jogos FMV. Certamente você já viu por aí algum jogo antigaço que tinha atores, inclusive algumas obras mais badaladas, tipo  Command & Conquer ou Star Wars Jedi Knight Dark Forces II.
A diferença é que Tenebris Somnia é uma opção de alto nível, que claramente os caras tacaram dinheiro adoidado pra fazer as partes filmadas. E não seguiu o estilo dos FMV modernos, portanto em vez de transformar toda a aventura em um filme interativo, ele mantém a jogabilidade tradicional em pixel art e reserva as filmagens para momentos específicos da narrativa. O contraste entre os personagens pixelados e os monstros interpretados por atores reais também ajuda a criar uma sensação bastante particular, principalmente quando uma criatura que parecia existir apenas dentro do universo desenhado aparece em uma filmagem com aparência cinematográfica.

Isso ajuda inclusive a dar uns bons sustos, porque pode acontecer coisas do tipo, você estar correndo em direção a um lugar, e a porta do lado do nada se escancara com uma criatura saindo de dentro, e de repente você não está mais no visual pixel, mas sim vendo de verdade a criatura horrenda saindo do lugar em sua direção.
Outro detalhe interessante é que a produção não utilizou inteligência artificial generativa em nenhuma etapa, segundo os responsáveis pelo projeto. Isso não significa que todos os efeitos sejam exclusivamente físicos, pois também existe CGI e trabalho de efeitos visuais na pós-produção. Andrés Borghi, que trabalha justamente com efeitos visuais no cinema, explicou que a equipe combinou essas técnicas com as próteses e os monstros construídos por Marcos Berta. A ideia foi aproveitar o que cada método oferece de melhor, sem entregar a criação das imagens a uma inteligência artificial. Até mesmo os desenhos e animações em pixel art foram feitos manualmente, quadro a quadro. 

O mais bacana é que o jogo não está só no visual e jogabilidade, pois a própria história é bem interessante. Conta com quatro finais, e é aquele tipo que rola reviravoltas em meio ao mistério. Eu acho que os argentinos tem um dom muito bom pra histórias de suspense, pois já consumi muita mídia deles que mostra terem um ótimo gosto para universos sobrenaturais ou apocalípticos. É só ver o maravilhoso Bahnsen Knights ou mesmo O Eternauta, que até virou série da Netflix.
Por trás do projeto está Andrés Borghi, cineasta e desenvolvedor argentino responsável por The Black Heart, jogo de luta independente que também apresenta criaturas monstruosas e uma estética bastante peculiar. A Saibot Studios, que participa do desenvolvimento, tem outro projeto conhecido no currículo, Hellbound, um jogo de tiro em primeira pessoa inspirado nos clássicos do gênero. Já a publicação ficou nas mãos da New Blood Interactive, empresa responsável por jogos como DUSK, Blood West e FAITH: The Unholy Trinity. A ideia de misturar pixel art e cenas filmadas surgiu justamente enquanto Borghi transmitia uma partida de FAITH, quando imaginou como seria criar um terror retrô com monstros interpretados por pessoas de verdade. 

Enfim, Tenebris Somnia tem um apelo especial para quem gosta de survival horror antigo, jogos de terror em pixel art e filmes de monstros com maquiagem e efeitos físicos. Também é uma opção curiosa para quem sente saudade daquela época em que os videogames experimentavam maneiras diferentes de misturar cinema e jogabilidade, mas quer encontrar essa ideia aplicada com uma produção cinematográfica muito mais elaborada. O jogo foi lançado para PC, PlayStation 5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch e Nintendo Switch 2. 
 
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