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domingo, 7 de maio de 2017

Ghost Hound - Um anime belo em sua simplicidade

Hora de falar sobre um anime que adorei não por ter uma história cabulosa, mas sim pela simplicidade. O maior problema que vejo em animes é que quando pego alto aleatório, é quase 100% de certeza que vai ser a mesma história que já vi um milhão de vezes. Os clichês de animes, o mesmo drama barato, as cenas de "Oh, ele vai morrer!", com todo mundo sabendo que NÃO, o protagonista não vai morrer e é só enrolação, a fofura tosca e forçada, entre outras coisinhas que são desanimadoras. Então ver uma obra como Ghost Hound é um verdadeiro colírio!



Eu tava procurando alguma coisa pra assistir na Netflix e vi esse anime, resolvi dar uma conferida, mas como sempre não tava esperando nada demais. A minha surpresa foi em ver que os caras realmente se empenharam em fazer uma história própria pra coisa. Não é algo inovador nem nada, mas só o fato de ser uma obra neutra e diferente, dá um charme maravilhoso.

A trama se passa em uma cidadezinha ao lado de montanhas chamada Suiten, e tem foco em três amigos, cada um com seus problemas. Além disso há um certo toque inteligente na trama, envolvendo uma empresa de biotecnologia que abriu uma filial no lugar, um psicólogo que tenta abrir a mente para a parapsicologia e templos espirituais.

O primeiro garoto é Tarō, que foi sequestrado quando tinha 3 anos, sua irmã mais velha também, só que ela morreu, isso gerou traumas e ele passou a anotar os sonhos, onde sempre vê a irmã falando suas últimas palavras, mas ele não consegue lembrar quais eram. Isso o leva a fazer terapia e tentar entender seu passado.

O segundo é Masayuki, um menino da cidade grande que acabou se mudando pra Suiten graças a um evento que comprometeu sua vida. Ele tem fobia de altura, mas em geral o seu jeito de ser é de uma pessoa bem antipática, sempre com um sorriso no rosto e se metendo na vida das pessoas, o que acaba irritando facilmente.

Por fim temos Makoto, um garoto revoltado, seu pai cometeu suicídio e ele é de uma família que é a base de uma seita religiosa, que faz rituais e já foi muito poderosa, inclusive com membros no governo. O garoto se nega a aceitar seu destino como herdeiro, mas sofre uma imensa pressão de sua avó.

Bom, a história tem realmente muitos pontos e o pequeno universo criado no lugar é vasto. Isso foi uma das coisas que mais me maravilhou, existem elementos simples que se tornam atraentes. Lembram quando criei uma postagem com a história do saquê? Foi por causa desse anime, o Tarō é de uma família de fermentadores e no anime é mostrado muitas curiosidades sobre a produção, é bem bacana.

Há também um constante mistério em relação ao passado, esse não é daqueles animes pesadões e tal, com uma surpresa que vai partir sua mente, mas é algo simplesmente agradável de ver. Cada personagem é robusto, detalhado e não usa bases prontas de anime. Eles não são os heróis que vão salvar o mundo, são meninos com problemas e que entram em contato com algo surreal.

Existe um toque de ciência e religião no anime, nada profundo como Serial Experiments Lain, mas agradável em se ver. É algo mais claro e direto, sobre moral. A empresa de biotecnologia do lugar cria órgãos artificiais, mas fica aquela coisa "Essas criaturas tem alma?". E aí vem o lado espiritual, envolvendo a família de Makoto, mas também um imenso templo que o dono é incrédulo, mas era professor de cultura e resolveu pegar o cargo, ele faz todos os rituais e passa o conhecimento, mas não acredita realmente nisso.

Algo curioso que só descobri depois é que esse anime tem envolvimento direito do criador de Ghost in the Shell, que teve participação na produção (não roteiro). O estúdio inclusive e o mesmo, o Production I.G , que também foi responsável por Blood The Last Vampire. Achei até estranho demorar tanto pra ficar sabendo dessa obra, já que é de 2007.

Apesar de que parece mesmo um anime meio underground, ele não é baseado em um mangá, no caso dele a coisa foi ao contrário e um mangá veio depois. Da mesma forma surgiu um jogo para Nintendo DS, porém pelo o que vi ficou só pelo Japão mesmo, já que não achei informações sobre, e as poucas imagens que achei são em japonês.

Enfim, esse é um anime neutro, agradável de passar o tempo. Também é uma daquelas belezinhas que você assiste e sente que está tendo um contato mais direto com a cultura japonesa, pois além dos eventos surreais envolvendo espíritos, coisas mais normais do dia a dia são mostradas e de formas bem detalhadas. Recomendo!


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