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quinta-feira, 6 de outubro de 2016

X-Wing - Um jogo de miniaturas com táticas fantásticas

Eu não preciso nem falar que sou completamente apaixonado por Star Wars, da mesma forma que tenho uma paixão incrível pelo universo dos jogos de tabuleiro. No entanto, tenho que assumir que a primeira vista o jogo X-Wing não me encantou. O negócio é que olhei pra ele de uma forma meio preconceituosa, algo do tipo "Pô, jogo de miniaturas tem que ter um cenário maravilhoso! O espaço é muito sem graça". Mal imaginava eu o quanto esse jogo poderia ser divertido!

X-Wing é um jogo que foi lançado nos Estados Unidos em 2012 pela Fantasy Flight. Três anos depois a Galápagos Jogos trouxe ele para o Brasil. Quando saiu em 2015 me chamou a atenção por ser de Star Wars, mas em meio a tantos outros jogos, deixei de lado. O tempo foi passando e vi que o negócio virou uma febre, com direito a torneios pelo Brasil todo, até que em 2016 finalmente tive a oportunidade de experimentar.



No jogo você é colocado em partidas um contra um e tem que dividir as naves inimigas e um dos primeiros brilhos dele é o fato de apesar de ser um boardgame, ele também pode funcionar com uma mecânica semelhante à dos cardgames. Ou seja, você leva suas navinhas e enfrenta a de outros jogadores. O jogo não está preso à mecânica onde é um tabuleiro fechado com tudo pronto, aliás o jogo nem tabuleiro tem.

A caixa básica vem com três naves, uma X-Wing e duas Tie Fighters, sendo que a primeira representa os Rebeldes e as duas últimas representam o Império. A princípio parece desequilibrado, mas não é. Isso porque o jogo tem variação de pilotos e ainda conta com a possibilidade de adicionar aperfeiçoamentos às naves. Ou seja a quantidade não é o que realmente importa.

Cada miniatura conta com uma base onde você pode encaixar uma ficha de nave que representa o piloto que você escolheu. Ele pode ser um piloto único, que não pode ser repetido, como Luke Skywalker ou Darth Vader, no entanto pode ser também um piloto genérico e assim é possível criar uma grande frota cheia de pilotos fracos, porém baratos.

Ou seja, você pode ter a Millenium Falcon, mas sem ter o Han Solo pilotando ela. Dependendo de quem você colocar na base, as habilidades em cima daquela nave vai ser modificada e ela pode ser melhor ou pior. Cada piloto é representado por três coisas; A Ficha de Nave, que é a base colocada embaixo das miniaturas, a Carta de Nave, que é uma carta onde você pode ler as habilidades daquele piloto e o Disco de Manobra, que é um tipo de "relojinho" em que você seleciona as manobras que vai fazer.

No começo das partidas de X-Wing os jogadores decidem quantos pontos terão para distribuir. Partidas com poucas naves usam poucos pontos, partidas com muitas naves ou naves gigantes usam muitíssimos pontos. Cada piloto tem seu preço, sendo assim se você for usar um genérico, será mais barato do que um piloto único. Os pontos também podem ser gastos para colocar melhorias, que fazem ela ficar melhor do que é.

Essa distribuição de pontos para montar o exército me lembrou um bocado a apresentada em Star Wars Trading Card Game e dá uma baita emoção ver que as condições de combate podem dar uma baita de uma variada na mesa, depende demais da estratégia que o jogador pretende usar contra o adversário.

As cartas de piloto indicam as habilidades que o piloto tem em combate, mas também mostram algumas habilidades especiais. Pilotos genéricos só tem um textinho de história, mas pilotos únicos sempre tem habilidades para serem usadas em jogo. Além do mais cada carta de piloto varia os tipos de cartas de melhoria que eles podem comprar. Sendo assim as vezes um jogador pode comprar um piloto mais fraco apenas pelo suporte a uma melhoria que vai ser bem útil.

Durante a montagem de cenário, existem também as fichas de obstáculo, que são meteoros que os jogadores podem colocar onde quiserem, primeiro um coloca, depois o outro coloca e assim vai até todos os obstáculos estiverem em jogo. Esses meteoros podem ajudar ou dificultar as coisas para os jogadores, pois é preciso sempre estar tentando desviar deles, porém uma estratégia bem bolada pode fazer com que eles sejam usados como suporte.

O jogo não tem tabuleiro, portanto qualquer lugar reto pode ser usado, a Galápagos recomenda um mínimo de 90x90cm. A movimentação dentro desse cenário é feita através de réguas chamadas de "Gabaritos de Manobra", existem delas de todos os formatos e uma das coisas mais legais é que o jogador não pode medir, ele tem que olhar e dizer o que vai fazer, então pode passar raspando por outra nave ou pode bater. Especialmente quando se está muito perto, a coisa é bastante emocionante. Lembra um pouco o combate de Reinos de Ferro.

Então no começo do turno os jogadores entram na fase onde escolhem a manobra que vão fazer, eles as escolhem no "relojinho" que falei anteriormente, o "Disco de Manobra". Lá existem várias, algumas fáceis, outras difíceis, você pode seguir reto, fazer curvas. Os gabaritos de manobra tem formatos variados. Quando a manobra é selecionada o Disco de Manobra é colocado de cabeça para baixo.

Depois disso os jogadores vão revelando seus gabaritos e fazendo as manobras, ou seja não dá pra saber o que o seu adversário vai fazer. É preciso deduzir, as vezes você vê coisas como um meteoro e pensa "Pra frente ele não vai mais" e aí olha para os lados e tenta imaginar o que ele vai fazer depois para assim se antecipar e preparar.

Graças a essa antecipação, existem várias surpresas durante a partida, por exemplo você pode ir para um lado, achando que seu inimigo vai ficar bem na sua área de combate e quando chega a vez dele, o cara faz a manobra chamada "Curva Koiogran", em que ele se move em linha reta, dá um e fica completamente de frente para onde antes era as costas dele.

Após se mover, os personagens podem usar determinadas ações logo em seguida, são coisas como dar um loop para a esquerda e assim sair da área de tiro de um inimigo, focar em alguma nave para facilitar um ataque futuro, entre outras coisas. Todo mundo tem essas ações, não apenas pilotos únicos, mas elas variam de nave pra nave. Uma nave gigantesca por exemplo não vai dar um loopzinho pro lado hahaha.

Os combates são feitos através de dados, sendo que tem os de ataques e os de defesa. Uma coisa muito interessante no combate é que dependendo das habilidades que seu piloto tiver, ele altera os resultados o tempo todo. O combate do jogo tem bastante foco nessa alteração constante, rolar dados novamente, trocar fichas por resultados diferentes, etc.

Mas sem dúvidas o que realmente me encantou nesse jogo foi a liberdade de bolar táticas. Você realmente inventa formas novas de atacar e tem que se adaptar. Que tal começar com quatro Tie Fighters, enviar um grupo para a esquerda, outro para a direita e depois retornar, atacando pelos dois lados? Que tal fazer um exército de navezinhas fracas, mas com suas miras apontadas para todo lado? Ou usar uma nave gigantesca e encher ela de cartas de melhoria pra fazer um baita estrago?

É realmente aquele tipo de jogo que você acha lindo de se ver a coisa acontecendo. Mas apesar de tudo a desvantagem dele é exatamente o fato de ser um jogo que para se ter uma batalha super épica, você vai ter que comprar mais expansões. Quanto mais naves, mais tempo vai levar o combate, porém mais épica vai ser a coisa. O que muita gente faz é comprar duas caixas básicas para dar uma economizada, pois comprar elas sozinhas sai mais caro.

As miniaturas são absurdamente lindas, pintadas e inclusive tem muita gente que ao invés de comprar o jogo para jogar, compra para colecionar, pois são realmente como itens de colecionador, maravilhosos para se deixar na estante e já com a base prontinha para ficar ali. O resto dos componentes também tem um ótimo acabamento, é uma graça o Disco de Manobra quando está montado.

Enfim, tá aí um baita de um joguinho simpático e apaixonante, é fácil de pegar a coisa, não é aquele tipo de jogo de tabuleiro que tem uma quantidade monstruosa de regras, mas apesar de tudo apresenta o suficiente para a rejogabilidade ser imensa, e o aprimoramento de táticas vai acontecendo constantemente. Então se você é do tipo que gosta de bolar estratégias, sem dúvidas vai se apaixonar e o melhor é que a Galápagos não apenas lançou, mas também promoveu torneios pelo Brasil. Enfim, quem se interessar pode conferir aqui.


Um comentário:

Patrick disse...

Confesso que também tive um preconceito com esse jogo, pelo fato de achar que já pra começar a jogar deveria comprar no minimo uma expansão, então nem acabei pesquisando nada sobre. Bom, decidi dar uma chance já que acompanho seu blog, e tenho que assumir que eu achei a mecanica de batalhas muito interessante. Talvez agora eu dê uma chance como fã da franquia...