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segunda-feira, 30 de maio de 2016

Flash Gordon - O herói que revolucionou os quadrinhos


O MUNDO VAI ACABAR
Um estranho e novo planeta avança contra a terra
SÓ UM MILAGRE NOS SALVARÁ
diz a ciência


Essas eram as palavras do primeiro quadrinho das aventuras de Flash Gordon, um super herói que nasceu antes mesmo do termo Super Herói se popularizar ou mesmo de revistas em quadrinhos serem algo comum. Mas mesmo sendo algo clássico, introduziu uma série de elementos que mesmo HQ's que surgiram décadas depois não conseguiram imitar.

Em 2 de outubro de 1909 nasceu  Alex Raymond na pequena cidade de New Rochelle (No estado de Nova Iorque). E os Estados Unidos daquela época era bem diferente do que conhecemos hoje em dia. No nordeste do país tinham diversas fábricas, era um baita ambiente industrializado, no resto dele tinham dezenas de milhares de fazendas.


A energia elétrica era uma novidade que muitos não tinham, diversas pessoas continuavam usando a iluminação a gás, enquanto outros usufruíam das maravilhas do novo tipo de iluminação. E graças a esse momento a mais de iluminação tão nítida, significava um dia maior. De repente as pessoas não eram mais tão animadas para ir dormir, as coisas eram claras.

Quero dizer, antes disso grande parte da população americana faziam trabalhos braçais durante o dia todo, não tinha tempo para fazer outra coisa. Não tinham opções também, então o que restava? Trabalhar e dormir, eles não chegavam em casa a noite e tinha televisão ou internet, na maioria das vezes o que restava era conversar com os amigos.

Aquela iluminação tão tristonha causada pelas velas não é da mais empolgante para se manter acordado, acaba sendo uma coisa que te faz pensar que é melhor ir logo para a cama e ver esse tédio desaparecer. Mas com a vinda da iluminação elétrica, a coisa era diferente, as pessoas podiam ver de forma clara!

Isso logo as animou para arrumar uma coisa para fazer e jornais começaram a vender muito mais. Pessoas que antes não liam nunca passaram a achar atraente aquele pedaço de papel, descobrir o que está acontecendo lá fora, viajar. E assim começaram a toda noite após o trabalho, querer relaxar um pouco, o entretenimento chegou a um novo nível nos EUA.
Mas em pouco tempo a coisa esquentou, em 1914 o mundo presenciou a primeira guerra mundial e uma legião de jovens americanos foi enviada. Raymond era um menino de cinco anos nessa época e gostava muito de desenhar. Seu pai sempre o influenciou a fazer aquilo cada vez mais e era algo que o garoto fazia com o maior prazer.

Em 1918 o horror da primeira guerra finalmente chegou ao fim e todos aqueles jovens foram enviados de volta. Porém um novo impacto surgiu, o tédio extremo. Aqueles rapazes não queriam simplesmente voltar a ser meros fazendeiros, eles tinham ido para a Europa, conhecido lugares inacreditáveis.

Hoje em dia viajar para outro continente é algo que chama a atenção, as pessoas colocam fotos em redes sociais e comentam com os amigos. Mas naquela época, isso era surreal! Eles tinham ido para outro mundo, visto construções com designs únicos, pessoas falando em outras línguas, tinham vivido entre eles.

Esses soldados trouxeram histórias junto a eles, coisas que faziam as pessoas ficarem impressionadas. Passaram por momentos tensos, medo, se safaram por pouco de certas situações. E ali estavam eles, vivos, tinham voltado do outro mundo e espalhavam as histórias. Um vazio se formava na alma de todos. De repente o mundo parecia pequeno demais.

A coisa piorou em 1920 com a entrada da lei seca nos Estados Unidos, que proibia o consumo de álcool. O entretenimento já era limitado e ainda tiraram as bebidas, quem assistiu Boardwalk Empire sabe do que estou falando. Bares clandestinos surgiam, de repente esse tipo de diversão era um risco que podia te levar preso. E o pior, os americanos estavam mais ricos do que nunca nessa época, tinham dinheiro pra gastar.

Como a Europa tava completamente destruída após o fim da primeira guerra, os Estados Unidos viram a oportunidade de ouro que tinha ali e decidiram fazer empréstimos e exportar uma quantidade imensa de produtos industrializados. Isso fez com que o país recebesse um baita de um empurrão, muita coisa precisava ser exportada. Empregos surgiram aos montes e o dinheiro não parava de entrar, a população enriqueceu bastante durante os anos 20 e o tédio de ter dinheiro consumia as pessoas.

Com o estouro das revistas pulp, as coisas mudaram. Os americanos finalmente podiam ter mais histórias como as que os soldados trouxeram, podiam viajar. Era algo diferente, ambientes exóticos ou em outro mundo, coisas que nunca tinham ouvido falar. A diversão finalmente estava fazendo parte da vida das pessoas e crescia cada vez mais a popularização de materiais, as empresas precisavam de mais pois as pessoas queriam mais!

Em 1928 um conto chamado Armageddon 2419 A.D foi publicado na revista pulp Amazing Stories, e essa história apresentava ao mundo o personagem  Buck Rogers. A história falava sobre um veterano da primeira guerra mundial que começou a trabalhar para uma companhia de gás radioativo. Ao investigar uma mina de carvão ele acabou sendo exposto ao gás e ficou inconsciente, a substância o manteve vivo porém o tempo passou e apenas em 2419 ele despertou.

O personagem foi um sucesso imediato, suas aventuras em um futuro misterioso e com coisas inesperadas acontecendo o tempo todo era algo novo. As pessoas não estavam acostumadas com histórias assim e parecia fantástico demais. Não demorou muito para que uma sequencia fosse lançada e o público cada vez mais amasse o personagem.

A década de 20 foi um período de ouro, a economia estava poderosa, o povo gastava sem parar. Porém em 1929 veio um impacto que mudou tudo. A Europa estava reconstruída e o que eles fizeram? Pararam de comprar dos Americanos, uma quantidade monstruosa de produtos em estoque estava nos Estados Unidos mas não tinham para quem vender.

Isso fez gerar a chamada Grande Depressão, com a falta de compradores, os investidores em ação começaram a vender sem parar pois os lucros iriam cair. Com essa enorme quantidade de vendas, o valor das empresas desabou. Com a quantidade de produtos em estoque, não era preciso continuar fabricando, se não era preciso fabricar, não era preciso de empregados. Resultado, 25% da população americana perdeu os empregos.

As pessoas tentavam se sustentar de formas desesperadas, há várias imagens de coisas chocantes como a mulher que colocou os filhos a venda. Foi nessa época que surgiu o Super Homem por exemplo, com uma revista pulp indie na tentativa de acumular qualquer dinheiro. O entretenimento barato era algo atraente. As pessoas tinham ficado mal acostumadas a aquele mundo de maravilhas, mas não tinham como pagar por ele, era preciso se virar. As revistas pulp ficaram mais fortes do que nunca nesse tempo.

Logicamente os jornais queriam a fatia deles, e o presidente da National Newspaper Service queria algo daquele tipo. Decidiu então que publicaria uma adaptação para tirinhas diárias em seu jornal, algo que levava a revista pulp para um formato diferente. Simplesmente foi um sucesso imediato! Aquilo era algo novo, revistas em quadrinhos não eram uma forma de entretenimento normal na época e tirinhas eram de coisinhas engraçadas, mas aquilo era uma história em série que a pessoa só veria a continuação se comprasse o jornal.

Outros jornais não puderam deixar de notar o sucesso que a coisa estavam fazendo e passaram a lançar suas próprias tiras em série. Alex Raymond tinha conseguido um emprego como ajudante em um jornal e tinha enviado uma sugestão de herói que não foi aceita por não ter muita ação de primeira e parecer não ser algo que chamaria a atenção do público.

E assim ele trabalhou apenas dando ajuda nos desenhos de outras tirinhas, até que no fim de 1933 ele decidiu reformular o personagem e enviar uma nova versão para os editores. Aquela sim parecia diferente o suficiente e assim em 1934 foi publicada a primeira página da chamada "Tirinha Dominical" do herói Flash Gordon.

Agora vocês entendem a forma escandalosa do primeiro quadrinho sobre o final do mundo. Raymond precisava fazer algo de impacto, que fizesse imediatamente as pessoas olharem e quererem continuar lendo, e em um quadrinho foi o suficiente para isso. Mas a coisa não era apenas um quadrinho, mas uma página inteira.

Todos os domingos uma página era dedicada a Flash Gordon e assim as pessoas podiam colecionar, recortar e ir juntando, formando uma revista em quadrinhos despedaçada em uma era que veio antes da explosão das HQ's. A primeira aparição de Batman por exemplo só foi acontecer no ano de 1939, quando Flash Gordon já era extremamente popular.

A trama apresentava o avistamento de um planeta se movendo em direção à terra e um cientista insano querendo salvar o mundo. Para isso ele construiu um foguete e decidiu se arremessar contra o planeta, tornando-se assim um mártir para a humanidade. Mas sua mente perturbada faz com que ele pense que está sendo espionado.

Flash Gordon faz uma viagem de avião que passa próximo ao lugar onde o cientista está. Quando a aeronave repentinamente sofre com o impacto de um dos destroços que está caindo na terra, ele salta do avião salvando uma moça, e o cientista obriga a entrar no foguete também. Os três partem em direção ao planeta, mas as coisas não acabam como deviam e ao invés do foguete explodir o planeta, apenas cai nele e assim Flash precisa sobreviver em um ambiente alienígena.

O público ficou encantado com as coisas que eram apresentadas. De repente toda semana tinham uma página cheia de quadrinhos. Bulk Rogers era diário mas eram três quadrinhos, Flash Gordon podia abusar do espaço e apresentar as coisas com tamanhos variados, era um jeito novo, com mais conteúdo de uma vez e sem precisar se apressar para a surpresa do final do capítulo, uma coisa mais desenvolvida.

O ambiente era fantástico, um Space Opera, com diversas raças alienígenas e tudo com muita ação, reviravoltas e coisas excêntricas. Os leitores simplesmente não tinham ideia do que viria depois, não era a terra no futuro, era mais do que isso, um ambiente em que não apenas a tecnologia era alta, mas haviam terrenos inusitados, raças mirabolantes e tudo mais que um Space Opera permite fazer.

Outra coisa revolucionária de Flash Gordon é que ao contrário dos outros desenhistas, Alex Raymond não economizava na coisa. Desde a primeira aparição ele fazia desenhos espetaculares com pequenos detalhes que surpreendiam. Era uma coisa tão bem feita que colegas diziam que era um desperdício de tempo fazer aquele tipo de ilustração para quadrinhos de um jornal.

Mas a verdade é que esse foi um dos elementos que o destacou, não eram meros desenhos, eram ilustações dignas de livros de história. Coisas que as vezes beiravam o fotorealismo e que o criador foi aperfeiçoando cada vez mais com o passar dos anos. Suas técnicas foram aperfeiçoadas e ele mesmo queria surpreender.

Com o passar dos anos Flash Gordon ganhou diversas adaptações para outros tipos de mídia, sendo HQ's padrões, contos, seriados, filmes, desenhos e muito mais. O herói serviu como base para muitos na era que os quadrinhos estouraram. Inclusive até mesmo cópias descaradas de quadrinhos das tirinhas eram feitas no começo da vida de alguns heróis.

Enfim, e essa é a saga desse herói que tanto inspirou. No Brasil a Pixel Media lançou uma versão encadernada mais do que maravilhosa de Flash Gordon, grandona com cara de almanaque. Ela reúne as tiras dominicais de 1934 a 1937, colocando em cada página uma delas, e na parte de baixo a data da publicação. Essa edição luxuosa tem capa dura com papel fosco e o nome "FLASH GORDON" brilhando dourado, introdução com a história de Raymond, de onde tirei parte das informações dessa matéria e alguns extras com desenhos nunca publicados antes. Material obrigatório para fãs de quadrinhos, confira aqui.

2 comentários:

Wendel disse...

Estou gostando de ver hehehe, bastante conteúdo inusitado este blog está cada vez melhor. parabéns Sky, pelas matérias recentes!
Lembrei da época remota que eu lia Perry rhodan, uma excelente space opera "infinita" heheh

Skywalkerpg disse...

Muito obrigado! =D ! Fico feliz que o conteúdo esteja agradando. *-*