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sábado, 31 de outubro de 2015

Dia das Bruxas em um subúrbio - Um Poema Macabro

Traduzir materiais em geral de H.P. Lovecraft é algo complicado pra caramba, não porque a maioria das escritas dele são dos anos 20 e 30 fazendo o linguajar ser diferente do atual, mas porque além disso o cara ainda era extremamente intelectual, e assim tinha um linguajar extremamente sofisticado, quem leu o espetacular "Nas Montanhas da Loucura" sabe bem do que estou falando. Só que o que REALMENTE piora a bagaceira é o fato de que o infeliz tinha uma tara em procurar por palavras arcaicas e usar, sendo Eldritch a que ficou mais popular.

E vez ou outra invento de traduzir algo do infeliz, como por exemplo o conto "O inominável", mas dessa vez fui traduzir um poema. A ideia original era conseguir fazer uma adaptação em português capaz de manter rimas, só que depois de um tempo com tentativas falhas vi que era melhor só traduzir mesmo e perder a parte musical da coisa, pois já era complicado demais entender determinadas coisas, então imagina depois do trabalho ainda ter que adaptar a mesma frase pra algo que rimasse?

E empaquei diversas vezes em um monte de lugares, sendo assim não sei bem se o que Lovecraft criou foi uma obra como se estivesse sendo narrada por um caipira, ou se é pura coincidência um monte de coisas, porém realmente acho que é algo relacionado a roceiros mesmo. A começar pelo nome "Hallowe’en in a Suburb", por que ele não colocou Halloween? Uma conhecida disse que é uma transcrição fonética, ou seja ao invés de escrever algo como é certo, diversos autores decidem escrever como é pronunciado (no caso em inglês né minha gente, não vão ler isso em português e achar que se pronuncia assim não kkk).

No entanto tem várias outras palavras que ele taca um apóstrofo bem no meio e arranca uma letra da palavra fora. De duas uma, ou a bagaceira é alguma forma medieval que Lovecraft achou nos livros dele e resolveu usar, ou é realmente algo relacionado a caipiras. 

Muito indica que sim, como um momento em que o infeliz usa a palavra "penn'd". Vi que Penn pode se referir ao estado da Pensilvânia, e li em um fórum em inglês que lá é cheio de "Caipiras Armados e Preconceituosos", somando isso com o fato do poema dizer que é "No Subúrbio" e ter citações a coisas como as "Safras" e "roldanas" (Aquela rodinha que você taca uma corda e usa pra puxar coisas, se vê em alguns celeiros).


Enfim, decidi postar tanto em inglês quanto em português, portanto se você sabe inglês talvez valha a pena dar uma olhada na homenagem de dia das bruxas de 1926 feito pelo autor:

Hallowe’en in a Suburb

The steeples are white in the wild moonlight,
And the trees have a silver glare;
Past the chimneys high see the vampires fly,
And the harpies of upper air,
That flutter and laugh and stare.

For the village dead to the moon outspread
Never shone in the sunset’s gleam,
But grew out of the deep that the dead years keep
Where the rivers of madness stream
Down the gulfs to a pit of dream.

A chill wind weaves thro’ the rows of sheaves
In the meadows that shimmer pale,
And comes to twine where the headstones shine
And the ghouls of the churchyard wail
For harvests that fly and fail.

Not a breath of the strange grey gods of change
That tore from the past its own
Can quicken this hour, when a spectral pow’r
Spreads sleep o’er the cosmic throne
And looses the vast unknown.

So here again stretch the vale and plain
That moons long-forgotten saw,
And the dead leap gay in the pallid ray,
Sprung out of the tomb’s black maw
To shake all the world with awe.

And all that the morn shall greet forlorn,
The ugliness and the pest
Of rows where thick rise the stones and brick,
Shall some day be with the rest,
And brood with the shades unblest.

Then wild in the dark let the lemurs bark,
And the leprous spires ascend;
For new and old alike in the fold
Of horror and death are penn’d,
For the hounds of Time to rend. 

Dia das Bruxas em um subúrbio

As torres estão brancas sob o luar selvagem
E as árvores tem um um brilho prateado
Além das altas chaminés veja o voo dos vampiros
E as harpias mais em cima

Da vila dos mortos para o desdobramento da lua
Nunca brilhando ao por do sol,
Mas crescendo das profundezas que os anos mortos mantiveram
Onde fluem os rios da loucura
Em direção ao abismo para um pouco de sonhos

Um vento frio serpenteia as cordas das roldanas
Nos bosques que brilham palidamente
E se misturam com o brilho das lápides
E os ghouls do cemitério grunem 
Pelas safras que voam e falham

Nem o sopro de estranhos deuses cinzas da mudança
Que destroem o passado de si mesmos
Podem acelerar essa hora, com um poder espectral
Espalhando sono sobre o trono cósmico
E se perdendo no vasto desconhecido

Então se alongam mais uma vez aqui o vale e a planície 
Que luas há muito tempo esquecidas foram vistas
E os mortos saltam felizes no pálido feixe
Pulando para fora da boca negra da tumba
Para agitar o mundo inteiro com admiração

E tudo o que a manhã deve cumprimentar desamparada,
A feiura e a praga
De trilhas onde a espessura faz surgir pedras e tijolos
Que deverá um dia ser como o resto
E remoer com os tons deploráveis

Então o selvagem nas trevas deixa a casca lêmure, 
E os pináculos leprosos se erguem; 
Para o novo e o velho que se igualam na dobra
De horror e morte que se encerram
Para que os cães de guarda do tempo destrocem

E aí, o que acharam? Esse poema serviu como capa em 1952 para a revista Weird Tales (15 anos após a morte do autor), ele publicou muitos contos nessa revista portanto era conhecido por lá. Curiosamente saiu na edição de Setembro e não de Outubro.

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