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sexta-feira, 14 de agosto de 2015

[Conto] O julgamento

Durante anos muitas pessoas se perguntavam o que aquele frágil rapaz fazia da vida, sempre com roupas sujas e fumando, Gustavo podia ser bem definido com a palavra “anormal”. Ele nunca se importou muito com o que diziam.
Em uma tarde chuvosa e fria o rapaz caminhava sem direção exata, apenas colocando seus pensamentos em ordem após um longo dia de trabalho no cemitério da cidade, o pagamento era horrível e vez ou outra o rapaz furtava alguns pertences dos cadáveres, essas manhã havia faturado um trabalhado colar de ouro e estava feliz com a conquista, a estrada estava enlameada, suas botas afundavam na terra e dificultavam as passadas vacilantes, já acendendo o seu segundo cigarro Gustavo observava a região escurecida pela pesada nuvem que apontava uma tempestade iminente, um silencio fúnebre se caiu pela região, nem mesmo o sons dos carros ao fundo podiam ser ouvidos, o céu parecia vivo as nuvens eram como serpentes se enrolando tomando formas estranhas e o jovem acompanhava toda a movimentação com fascínio.
Já se aproximando se sua casa, um grito quase ensurdecedor o sobressaltou, assustado Gustavo deixou seu cigarro cair e com bom senso resolveu correr daquele desolado cenário aterrador, mesmo com dificuldade ele prosseguiu, entre tropeços e escorregões chegou rapidamente a sua casa, adentrando-a acendeu todas as luzes e se acalmou.
 


Rindo de si mesmo e de sua estupidez o rapaz ligou a televisão em um canal aleatório e abriu uma cerveja, o grito já nem lhe passava mais pela cabeça quando um estampido forte fez sua casa tremer, os moveis se deslocaram e poeira caiu do telhado envelhecido o grito que se seguiu após o tremor foi tão obscuro e agudo que fez os ouvidos de Gustavo sangrarem, prostrando-se de joelhos o rapaz meio desnorteado viu um ser surgir pela porta, mesmo ela estando trancada a estranha forma a abriu e caminhou lentamente pelo cômodo desarrumado, um fedor nauseante invadiu as narinas do rapaz que tentou correr para o quarto onde guardava uma arma, antes que pudesse se levantar o ser o agarrou pelo colarinho e com força desumana o jogou ao chão, seu cheiro era tão forte que inebriava todos os outros sentidos de Gustavo que mesmo olhando o monstro a menos de dois metros, não podia definir uma forma exata. O ser arrastou os pés ate sua direção, com todas as suas forças o rapaz tentava correr, mas não havia ímpeto em seus movimentos, o monstro o pegou, sentindo as garras o perfurarem Gustavo se viu ser içado e encarou o olhar do ser... Era o cadáver que havia enterrado mais cedo, senhor Martin, em seus olhos apenas se via o branco e com um sorriso gélido ele esmagou o jovem em sua mão, o sangue se espalhou pelas paredes e as duas partes que se tornaram o corpo, caíram inertes ao chão. Senhor Martin caminhou de volta a porta com um colar entrelaçado em seus dedos anormais e retornou ao seu mausoléu.
A lenda de cadáveres que retornavam com estranhos poderes para julgar os vivos cresceu, e a pacata cidade nunca mais voltou a ser a mesma

Autor: Frank Johnny Amorim

Esse é um dos contos que concorreu no concurso de contos de terror do blog.

Um comentário:

Matt Kist disse...

Jamais roube dos mortos! ò_ó
... dos vivos também não, por favor...