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domingo, 9 de agosto de 2015

[Conto] NÃO LEIA!

Não vou pedir créditos para meus leitores acreditarem nessa tão extraordinária e exuberante história. Posso morrer a qualquer hora e seria tolice da minha parte não deixar por escrito esse fato que até os meus próprios sentidos se recusam a aceitar. Talvez seja meu destino final mostrar para o mundo fatos pelos quais poucas são as pessoas que conseguem realmente sentir, ver e ouvir o desconhecido. Um acontecimento que tortura-me, apavora-me, entristece-me e estará comigo para o resto da vida. Há dois sentimentos terríveis me corroendo: a tristeza e o medo. Para mim, há mais tristeza do que medo, mas para vocês que estão prestes a ler, sentiram mais medo do que tristeza. O aviso foi dado, e se você já começou a ler, creio que só Deus poderá lhe ajudar agora! A curiosidade é o fim.

Sempre tive uma paixão ardente por bibliotecas e livros, e logo que passei na universidade descobri que em meu campus tinha uma esplêndida biblioteca. Poderia devorar vários livros e claro, poder ficar em um ambiente tão amável quanto é a biblioteca. Nesta minha louca obsessão por bibliotecas e livros comecei a ir todos os dias de manhã para estudar, ler e fazer trabalhos acadêmicos; nisto observei um belo jovem na ala de psicologia. Ah, quão belo era seu sorriso e aqueles olhos azuis como a cor do céu e o brilho do mar, tímida apenas retribuía sorrisos, nada de aproximações.
Após dias e dias minhas idas à biblioteca ganham mais um motivo, poder agradar meus olhos com aquele belo olhar e aquele maravilhoso sorriso. Mas como alegria de pobre dura pouco, as greves chegaram para estragar todo aquele clima, passando três meses sem aulas, sem ver aquele sorriso e o pior era eu não saber seu nome. Com tudo, as aulas voltaram, mas algo tinha mudado, o rapaz não aparecia mais na biblioteca, procurei saber seu nome, quem era ou o que fazia, mas sem sucesso nas buscas. Deixei as ilusões de lado e segui minha vida e meus estudos.
Dois anos se passaram e eu sem saber do seu paradeiro, até que em um dia, numa tarde nublada, ele apareceu. Era quatorze e quinze quando cheguei na universidade, precisava fazer uma ligeira pesquisa na internet, me direcionei rapidamente para o laboratório de informática e para meu agrado o laboratório estava vazio, sem aquele pessoal chato que frequentava o local. Peguei a primeira máquina que encontrei, concentrei nas pesquisas, precisava entregar o relatório mais tarde, até que percebi brevemente que havia alguém do lado de fora estava me observar pelo vidro da porta, mas sem me importar continuei as atividades sem se quer olhar, porém ao delongo de dez minutos, dei conta de que ainda estava ali parado, alguém me observando. Bruscamente olhei para o porta e me deparei com aqueles belos olhos azuis, sabia de quem era, e era dele. Embora ao cruzar olhares, um sorriso brotou nos meus lábios, mas infelizmente ele saiu rapidamente dali. Sem hesitar fui atrás dele, precisava saber o seu nome, conhece-lô e também saber porque estava me espionando.
 


Ao abrir a porta, olhei para os dois lados; o corredor do lado direito estava vazio, porém no final do corredor esquerdo lá estava ele, dei um grito pedindo para que me esperasse, mas não esperou, então encostei a porta e corri para conseguir alcança-lo. Quando finalmente virei o corredor, dei de cara com uma porta saloon(vai e vem). Ao abri-la fez um rangido imenso que ecoou no corredor, andei mais um pouco e virei mais um, entrando em um corredor que era comprido, cheio de armários nas paredes, estilo escola americana, no final do corredor, a penúltima luz estava piscando, já a última, queimada. Ele estava indo para o próximo corredor, mas estava escuro como a noite sem lua e então desapareceu nas trevas. Não iria me atrever a segui-lo no escuro, não sabia suas intenções, se era uma pessoa boa, parei no meio do corredor e me dei conta que aquele bloco estava vazio, salas, corredor, banheiro, não tinha ninguém além de nós dois ali. Escutei um som estranho, uma brisa fria passou sobre mim roubando-me um imenso e intenso arrepio. A temperatura local caiu, uma ventania surgiu, as portas da salas começaram a bater uniformemente,folhas de cadernos misturado com folhas e terras sujaram todo aquele corredor, o vento ficou mais forte, me segurei em uma barra de ferro de um dos armários. Uma risada alta e com uma maldade imensa nela ecoou, transformando aquele simples bloco em um cenário de terror bizarro, minhas pernas travaram, como se algo estevisse segurando minhas pernas. E foi então, que uma fumaça negra passou sobre mim e percorreu até a escuridão no fim do corredor, e foi lá que aquela fumaça negra transformou-se em um homem de carne e osso, mas não era um desconhecido, era o rapaz da biblioteca, só que estava mudado, seus olhos azuis tornaram vermelhos e aquele sorriso delicado transformado em um sorriso psicótico. Estava de traje de gala de cor branca, um branco tão claro que fazia total contraste perto da escuridão que estava atrás dele. Minhas pernas fraquejaram, e eu comecei a gritar, horrorizada em saber que uma fumaça se transformou em homem e quando pensei em correr, surgiu do chão mãos dilaceradas e com garras, tentavam segurar meus pés, as portas dos armários dos alunos começaram a abrir e fechar e dentro delas havia imagens de pessoas pedindo socorro, agonizadas. Enquanto lutava com aquelas malditas mãos que insistiam em segurar meus pés, aquele ser do submundo caminhava calmamente e intercalava assobios e risadas, transformando o ambiente no real inferno, e cada passo que dava, uma luz se apagava e saia de cada sala um ser diferente, como se estivessem saindo do próprio inferno, serpentes com asas, um bebê recém nascido com cara de javali que vomitava escorpiões, um ser gosmento que rastejava e que babava ácido, um projeto de esqueleto que pisava e deixava rastros de lava vulcânica, cães ferozes de duas cabeças em carne viva, dragão de sete cabeças e seres da escuridão que deixavam aparecer só os olhos vermelhos e amarelos, todos caminhavam atrás do seu líder, em direção a vítima e era exatamente eu.
Estava aterrorizada, e com a adrenalina consegui escapar daquelas mãos, ao menos foi o que havia pensado, quando comecei a correr em direção a saída o chão começou a se abrir, fazendo buracos e aquelas mãos ressurgiram, mas não só as mãos como mais serpentes com asas e aranhas que espirravam veneno de longe, tudo aquilo dificultava minha escapatória daquele verdadeiro inferno. Quando consegui ver a porta de saída ela fechou-se, comecei a correr em direção a ela, desviando das mãos e daqueles seres infernais. Ao chegar diante da porta, comecei a esmurra-la tentando-a abrir, ao pegar na maçaneta e girar me deparei que ela tinha virado um imenso olho vivo, comecei a gritar por socorro, mas era em vão, não estava mais na mesma dimensão dos humanos, estava no inferno. Foi então que o ser do sub-mundo virou o corredor, na escuridão, atrás dele haviam olhos vermelhos, e garras tentavam sair para o lado de fora, querendo sair da escuridão. Ele parou a vinte metros de mim, sem saber o que era comecei a pedir que não fizesse nada contra mim, lágrimas caíam involuntavelmente e molhavam meu rosto. O silêncio pairou sobre o lugar, a escuridão foi embora assim como todos aqueles seres enigmáticos. Agora somente existia eu e ele, ele começou a caminhar em minha direção e meu corpo começou a tremer, sabia que nada iria sair bem. Medo, pânico, angustia misturavam-se no meu olhar e isso era prazeroso para ele. Chegou diante de mim, era bem mais alto do que eu, seus olhos mudaram e voltaram para a cor “natural”, ele levou sua mão até meu cabelo, colocando-o atrás da minha orelha, desceu os dedos até meu queixo e levantou meu rosto para cima, para que eu olhasse para ele, para seu rosto e seus olhos. Então disse: —Minha garotinha, por que está com tanto medo de mim? Não lhe fiz mal e não quero fazer, apenas quero um contrato.
— O que você quer de mim?! — lágrimas caiam sobre meu rosto, ao pensar que poderia fazer algo de ruim a qualquer momento. Meu corpo se estremecia a cada movimento.
— Eu gosto de tratos, você gosta de tratos? — disse sorrindo. Não respondi, não conseguia nem se quer olhar para ele. — Vou oferecer um trato para não roubar sua alma para mim, que tal? Isto parece para você um bom trato?
— VAI PRO INFERNO! — disse e cuspi em sua cara.
Ele pegou um lenço do seu bolso e começou a andar ao meu redor, parou atrás de mim, levou o seu rosto próximo da minha orelha: — Eu moro lá, doçura minha. Vou propor o contrato, você escreve sobre o que presenciou hoje e eu não farei mal a você e sua família. Basta só você escrever sobre o que aconteceu hoje e publicar na rede social que quiser, quanto mais acesso, melhor para você. — Terminou dando um beijo no meu pescoço. Fechei meus olhos, estava com medo e com nojo.
— Mas para quê isto? O que você quer com isto? —Não sabia o que ele pretendia.
— Você publicará o texto de forma que quiser, mas tem que ser baseado nisto e cada pessoa que ler, eu vou pessoalmente buscar a alma dela no final da leitura.
— Não vou fazer isto! É inadmissível.
— Você pode escolher isto ou viver sozinha pro resto da vida, sem família, sem amigos, sem amores. Viverá até o último dia da sua vida atormentada.
Comecei a pensar como enganaria o demônio, e achei uma solução.
— Aceito! — dei uma risadinha.
— Boa garota, assim que eu gosto. Você vai rapidamente escrever e publicar, na maneira que quiser, sem restrições, mas precisa falar de mim e sobre o que existe. Você tem um ano para concretizar essa escrita, caso contrário sofrerá em dobro e se fizer alguma trapaça viverá eternamente em sofrimento.
— Mas todo mundo que ler isto você vai matar e pegar a alma?
— Não, meu anjo. Se a pessoa for igual você terá que fazer o que estou lhe oferecendo, se for uma pessoa ruim, bem, você já sabe!
E com um beijo selamos o contrato, a luz começou a apagar e todos os seres do sub-mundo ressurgiram das trevas, assim como a risada, os olhos vermelhos apareceram, a escuridão ia me engolindo, e de repente, algo queimou minha costela e logo após senti uma mão no meu ombro, comecei a gritar desesperadamente.
— Ei, garota! Acorda, aqui não é lugar para dormir, tem gente precisando usar o computador. Se não for usar, rala fora. — Disse o monitor ignorante do laboratório de informática. Todos estavam me olhando, alguns assustados outros rindo, peguei meu material e fui embora para casa, pensando sobre tudo. Ao chegar em casa passei direto para meu quarto, estava sentindo algo estranho na minha costela e bem, lá estava a marca do seu nome: ASMIDÊ o mesmo que havia no anel dele, nada foi sonho ou delírio. Tentei esquecer, mas ele sempre vinha em sonhos ou em acontecimentos paranormais para lembrar do nosso contrato. ASMIDÊ é um demônio que gosta de ser conhecido e temido, ele pode ser homem como pode ser mulher. Seu maior aliado é a curiosidade humana, eu fui atrás dele e você, leu o título e mesmo assim continuou com a leitura.
O aviso foi dado, sua curiosidade te condenou. Caso você esteja lendo até aqui, te desejo uma boa sorte, porque ASMIDÊ está chegando, aliás, ASMIDÊ já chegou.

Autora: Lorraina Costa

Gostaram? Ela também que comanda a página Sonata do Medo e escreve vários contos, então curtam lá para mais um pouco.

 Esse é um dos contos que concorreu no concurso de contos de terror do blog.

3 comentários:

alex5432 disse...

Merda, terminei 3 minutos antes...

Matt Kist disse...

50 tons de cinza ripoff

Miya Seat Lee disse...

Pois é, gente curiosa é um problema! Agora tenho um encontro com Sr. Asmidê...