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quinta-feira, 9 de julho de 2015

[Conto] O anjo da morte

Eu já fiz muita coisa errada.Já matei, já roubei, enfim, já fodi com muita gente. Eu não nego isso. E muito menos me arrependo. Mas ainda assim, não pude deixar de pensar que não mereci o que me aconteceu naquele fatídico dia.
Dia 31 de Dezembro. O ano era 1999. Era alguma hora da noite, a qual eu não podia distinguir, de tão chapado e doidão que estava.Eu não fazia a menor ideia de onde diabos eu estava, mas sabia que tinha que chegar em casa. O efeito da droga estava passando.
"A porra da abstinência de novo, não", eu gritava em voz alta.
Em algum lugar, eu ouvi fogos de artifício estourando.Caralho, deve ser quase meia noite, eu pensava.Não que eu tivesse alguma noção, é claro. Eu andava cambaleando pelas ruas, e, sem perceber, cheguei a uma ponte sobre um rio. Do lado, havia um caminho de terra que levava à margem. Desci pelo caminho, mas acabei tropeçando e batendo de cabeça em uma pedra.
"Cacete!" eu gritei, esfregando a cabeça com a mão direita.
Foi então que aconteceu. Eu me levantei, vagarosamente,me apoiando em uma árvore solitária. Então eu olhei para frente e vi alguém.Como descrever aquela porra? Parecia não ter forma, e olhar nos seus olhos parecia ser como fitar o mais profundo abismo. Eu só conseguia distinguir um manto, e algo que pareciam ser asas.
"Quem diabos é você?" perguntei, esfregando os olhos, achando que ainda era efeito da droga, e pensando como era bom ainda não ter passado.
Silêncio.
"Tá de brincadeira com a minha cara, ô, comédia?" eu perguntei, tateando meus bolsos atrás de uma faca que eu lembrava ter comigo.
Ele olhou diretamente em meus olhos, e uma onda de pavor percorreu meu corpo.
"Eu sou a sua Condenação.Eu sou o Anjo da Morte." sua voz era o murmúrio de almas condenadas.
"E... o... que... você quer comigo?" eu não conseguia formar uma frase direito, as palavras se embaralhavam pelo medo. Era difícil pensar.
Ele apareceu do meu lado. Eu juro que não vi o filho da puta se mexer. Eu caí no chão, eu senti um cheiro de fezes e urina. Porra, eu estava com tanto medo que nem isso eu podia controlar.Ele me cobriu com suas "asas"(seriam asas, ou seria só o medo?). Jamais vou esquecer o que vi.
Foram apenas cinco segundos, mas pareciam uma eternidade. Lá, eu vi tudo o que já havia feito. E me vi no Inferno. Agora eu entendia. Aquilo viera me buscar. Eu seria torturado pra sempre.
Neste instante, eu fui solto. Percebi que o "demônio"(será que isso é suficiente para descrever aquela criatura?) estava se afastando. Era como se ele estivesse deslizando no ar. Ele olhou nos meus olhos novamente(e, de novo, eu tive aquela sensação de fitar o mais profundo abismo), como se dissesse:"Você tem sorte, seu bastardo, mas eu volto pra te pegar um dia".
Eu fiquei ali por alguns instantes, tentando entender porque ele tinha me deixado lá.
Então, eu escuto uma legião de fogos de artifício, e compreendo. Meia-noite.Virada do milênio.
Ha.Salvo pela porra do gongo.


Esse é um dos contos que concorreu no concurso de contos de terror do blog.

Um comentário:

Matt Kist disse...

Caralho meu irmão, não era nem meia noite, há que horas que você começou a se drogar!? O.o