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quarta-feira, 8 de julho de 2015

[Conto] Infinity Security

Tenho uma porrada de ideias fervilhando em minha mente, uma legítima tempestade cerebral, mas organizá-las em frases coerentes é um desafio e tanto. A lauda em branco parece me dizer “você não é bom o bastante” e então ouço um ruído. É o beep da secretária eletrônica seguida pela mensagem “Se você está ouvindo isso, significa que estou fora, ou que não quero lhe atender. Diga o motivo da ligação e talvez eu retorne”. Era um ex-funcionário da Infinity Security rogando pateticamente para que eu lhe devolvesse o emprego. Ignoro. Olho para o calendário no canto da tela do computador. São 7 da noite do dia 8 de agosto do ano do tigre. Acendo um cigarro enquanto me afasto da máquina. Penso no quanto era fácil escrever quando estava no colegial e então praguejo contra esses malditos exercícios propostos por meu analista.
 
 Ligo a televisão, diminuo a temperatura do ar-condicionado e me sento na cama para fumar enquanto assisto o noticiário. É transmitida uma reportagem dizendo que após as investigações o número de vítimas do serrial killer capturado há 4 dias, foi confirmado em 8, todas, mulheres. Estendo minha mão para bater as cinzas e vejo o logotipo da Infinity Security nos documentos que larguei ao lado do cinzeiro em cima do criado-mudo. Penso sarcasticamente “ainda bem que ele foi pego”.
 
 Aproximadamente 1 hora se passa, decido então sair de casa. Vou ao banheiro, abro a torneira, coleto água com as mãos e molho o rosto. Levanto minha cabeça e me surpreendo. “Olá!” disse a imagem refletida no espelho. “Não está pensando em se divertir agora, não é mesmo?” disse enquanto a sobrancelha se arqueava. A água da torneira escorre lavatório a baixo enquanto olho a tatuagem localizada no lado esquerdo do peitoral. Eram dois círculos interligados, o logotipo da Infinity. “Nós temos um trato, ou se esqueceu disso? Tenho feito minha parte, e é saudável que você cumpra o acordo.”
 
 Minha pupila se dilata enquanto analiso atentamente minha alma através do globo ocular, a janela da alma, refletida naquele pedaço de vidro. “Não! Eu não quero continuar! Nosso acordo acabou, me deixe em paz!”. Meu coração se acelera e desvio o olhar de mim mesmo por alguns instantes. Miro novamente o espelho. “Olhe só pra você... Criatura patética. Você realmente confiou em algo como eu? Logo eu, que lhe ajudei a evoluir aquela empresinha ridícula, usando meus meios não convencionais?”. A água continua a escorrer e o ar-condicionado se silencia. “Você não entende... Eu já cumpri o que me pediu... Agora você tem que me deixar" . Aqueles olhos me fisgam novamente, de uma forma que eu nunca vi antes... . Meus pelos se eriçam fazendo-o gargalhar. Minha mão formiga e é tomada por um calor infernal. “Já chega! Não estou mais afim de brincar. Essa sua vidinha até que é legal, mas eu tenho planos maiores . Ideias mais complexas que sua capacidade de entendimento. Não posso deixar que a necessidade da proteção seja comprometida. Preciso... Preciso continuar! Somente a insegurança legitima o discurso da proteção.ATÉ NO INFERNO, MORTAL ESTÚPIDO!”, grito socando o espelho que se quebra e rasga meus dedos.
 
 Saio em passos rápidos da casa, espalhando um rastro de pingos de sangue. Entro no Mustang quase inconsciente e acelero o máximo que posso enquanto “Paranoid” é executada no rádio. Olhares atentos buscando em meio a uma infinidade de feixes circulares de luzes que surgem na minha frente, uma chance de cumprir minha missão, preciso dar o a ele o que quer e talvez assim ainda continue seguro... As luzes tomam toda minha visão e causam uma dor de cabeça insuportável... Cumprir minha missão... Preciso...




Esse é um dos contos que concorreu no concurso de contos de terror do blog.

Um comentário:

Matt Kist disse...

A moral é que o babaca do protagonista/antagonista fez um pacto com o tinhoso e cumpre ele matando mulheres? É isso né?
Esse babaca merece mesmo ter o c% rasgado pelo mochila de criança.
Bom conto.