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sábado, 4 de julho de 2015

[Conto] Escuridão

Acordo com um pulo. Ofegante e suando frio, e com uma vontade incontrolável de chorar. O mesmo sonho pela sétima vez seguida. Um sonho feliz com minha esposa e filho. Um sonho feliz em circunstâncias normais. Mas meu filho, nasceu morto. E minha esposa sangrou até a morte naquele maldito parto.
Desde que os dois me deixaram, passo os últimos dias trocando as lágrimas por álcool. E as noites; bem, a tristeza não me deixa pregar os olhos mesmo bêbado. E altas horas da madrugada, quando o sono chega, vem aquele sonho, igual nas 7 noites.
Não, dessa vez foi diferente.
Havia uma escuridão ao longe.
Crescente.
Ameaçadora.
No dia seguinte,vou ao banheiro, me olho no espelho. Perdi peso. E o meu próprio olhar perdeu o brilho, e as olheiras apenas realça o breu profundo contido nos meus olhos.
Profundo como aquela escuridão.
Aterradora.
E sufocante.
Chega a noite. De volta ao lar e não sinto ânimo nem para beber. Vou direto ao quarto onde novamente a tristeza causada pela solidão me mantém acordado. Entre lembranças felizes que me cortam o coração e pensamentos sobre o filho que nunca terei, adormeço. Entro no mesmo sonho...
Não. A escuridão, praticamente me ronda comparada à do último sonho. Escuridão, que me sufoca. Escuridão densa, que me dá a sensação de ver as sombras dançando ao fundo, como se houvessem tentáculos grotescos ocultos pela sombra. Não, era como se eles fossem a própria sombra, o que só me deixava mais sufocado.
Então, em meio à aquele breu sinistro, vejo surgir uma figura. Uma figura feminina com longos cabelos negros caídos sobre a face, de modo que só era possível ver um de seus olhos cor de sangue, que chegavam a brilhar em contraste com sua pele alva, que também contrastava com a escuridão, que parecia ter como fonte a própria criatura. Alguns tentáculos daquela sombra cobriam seu torso. Mas as sombras se abriam em seu ventre, cheio de feridas abertas. E aquela visagem amedrontadora, segurava em seus braços um esqueleto de uma criança pequena. A escuridão se fechava, e aquela aberração se aproximava cada vez mais, sempre me fitando com seus olhos vermelhos enquanto as sombras me cobriam...
Acordo com um pulo. Ofegante e suando frio, me liberto de um sonho horrível. Desnorteado, olho ao redor e lembro que estou na sala de espera, enquanto o parto da minha filha está acontece. O médico sai da emergência, e me dá os parabéns. Uma enfermeira me conduz logo em seguida para o quarto onde minha esposa foi levada. A beijo e a abraço duplamente aliviado por ela estar bem e viva. Em seguida a enfermeira me leva ao berçário, onde a minha filha repousa. Me aproximo dela e tenho uma surpresa. Um homem em circunstâncias normais ficaria feliz em ver sua filha recém nascida. Mas ao ver aquela criança de pele alva e olhos vermelhos, que começa a rir freneticamente ao me ver, meu coração apenas pára. Desabo ali mesmo, meus olhos se fechando lentamente, enquanto parto em direção à escuridão eterna.
Escuridão que tudo devora.
Devora a vida.
A luz.
Eu.
Você.

Autor: Matheus Rodrigues

Esse é um dos contos que concorreu no concurso de contos de terror do blog

Um comentário:

alex5432 disse...

Havia uma escuridão ao longe.
Crescente.
Ameaçadora.
Profundo como aquela escuridão.
Aterradora.
E sufocante.
Escuridão que tudo devora.
Devora a vida.
A luz.
Eu.
Você.

Até parece uma música.