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sexta-feira, 31 de julho de 2015

[Conto] Aku No Hosuto

Eu morava em um prédio do subúrbio bem no centro da cidade, próximo a estação de metro.
Havia três meses que no meu prédio e nos arredores estavam acontecendo mortes ou quem sabe assassinatos inexplicáveis, as vitimas eram encontradas estiradas no chão com um fundo vazio no lugar dos olhos, e que pareciam ter seus cérebros arrancados, mas sem nenhuma perfuração ou quebra do crânio.

Mas essas mortes estavam me causando mais dor de cabeça do que medo, pois as pessoas começaram a suspeitar de mim.

Meu nome é Haruka, tenho 28 anos, sou descendente de japoneses e moro sozinha, e durante esses três meses de mortes inexplicáveis no prédio, sou a única pessoa que praticamente não conhecia ninguém e não tinha nada fora do normal acontecendo comigo, bom, a única coisa meio que fora do normal que estava acontecendo era que de uns tempos pra cá tenho tido uma dor de cabeça constante e com essas mortes acontecendo bem no meu prédio à dor parecia estar aumentando, foi quando eu finalmente resolvi ir ao médico, pois não aguentava mais essa dor de cabeça.

- Haruka isso pode ser um tumor, mas precisamos marcar uma outra consulta para verificarmos melhor.

E foi isso o que o médico me disse.

E na volta para a casa eu fiquei pensando “será que vai ser isso? Não vou morrer por uma morte estranha, mas sim, morrer com um tumor no cérebro?”.

Ao chegar em casa já estava meio tarde e me joguei no sofá da sala e olhando pro teto pensando em como seria a minha vida e acabei adormecendo.

No meio da noite eu acordei com um susto, me levantei rapidamente e senti a minha cabeça mais leve que nunca, e uma coisa estava de diferente.
A dor de cabeça havia sumido.
Levei a mão até minha cabeça e senti algum tipo de liquido que parecia estar saindo do meu ouvido, olhei para o sofá aonde minha cabeça estava encostada e havia uma mancha escura.
Eu corri para o banheiro, liguei a luz e me olhei no espelho, e minha intuição estava certa, o que estava saindo do meu ouvido era sangue. E enquanto eu me perdia em pensamentos escutei um barulho vindo da janela do banheiro, olhei rapidamente, mas não havia nada.
Quando voltei o olhar para o espelho vi o vulto de algo na parede atrás de mim, me virei.

E o que quer seja aquilo pulou em meu rosto,
Comecei a me debater tentando tira-lo do meu rosto mas a coisa era forte , e por algum motivo ele parecia estar querendo entrar dentro do meu ouvido.
Eu finalmente consegui fazer com que ele me largasse e o joguei para o chão e corri para a cozinha, mas aquela coisa começou a gritar, um som medonho no qual eu nunca tinha escutado antes, e começou a correr em minha direção, ele agarrou minha perna e senti minha pele sendo cortada, cai no chão, e por um relance e sorte eu vi uma faca em cima da minha mesa da cozinha, estiquei o braço e a agarrei.
Sem pensar duas vezes fui com a faca em direção à coisa em minha perna e a acertei em cheio, e em um grito agonizado a coisa começou a se debater no chão após me largar e finalmente pareceu ter morrido.

Ao ver que estava praticamente seguro me aproximei para poder ver melhor o que era aquilo.
Ele me lembrava um feto mas ao mesmo tempo parecia uma lagartixa ou um pássaro morto e tinha praticamente uns 40 centímetros de tamanho. O lugar aonde eu o atinge com a faca parecia ser a barriga dele e ela estava aberta por causa da facada, havia uma coisa saindo de dentro dela, e não precisava ser um expert em medicina para saber que aquilo eram restos de miolos.

E as perguntas que ecoavam em minha mente eram:
Será que era essa coisa por traz das mortes inexplicáveis? Essa coisa comia cérebros?
E por que havia sangue em meu ouvido e não sentia mais aquela dor de cabeça?
Bom, só havia um jeito de obter uma resposta para a minha intuição.
Marquei outra consulta com o mesmo médico e o que ele me disse foi:


- Nossa Haruka!, isso é animador mas ao mesmo tempo estranho pois pelos meus exames aquilo que parecia ser uma suspeita de tumor , não está mais ai, é como se ele nunca tivesse existido.

Isso então concluiu a minha intuição, de que o que quer que tenha sido aquilo, era o causador das mortes, ele comia o cérebro das pessoas, meus vizinhos.
E por algum motivo ele parecia “morar” dentro da minha cabeça, e saindo toda noite para se alimentar, e toda vez que se alimentava o tamanho dele aumentava.
Isso explica a dor de cabeça que a cada dia aumentava e também explica o sangue saindo pelo meu ouvido, pois ele parecia estar bem grande para poder ficar saindo do meu ouvido sem causar nenhum dano.
Nas pessoas encontradas mortas, elas estavam sem os olhos então isso quer dizer que ele entrava e saia pelos olhos após o cérebro acabar.
Mas agora algo está impregnado em minha mente; por que ele “morava” no meu cérebro? Por que ele nunca devorou o meu?
Bom, acho que as respostas pra essas perguntas, eu nunca saberei.

Autor: Tk Abrams

Esse é um dos contos que concorreu no concurso de contos de terror do blog.

3 comentários:

Matt Kist disse...

Um bixo de 40 cm dentro da tua cabeça? Caraca!!!
Se sua cabeça não for uma pokébola, é melhor fazer outro exame. O.o


Estou acompanhando TODOS os contos do concurso, e estou achando interessante que a maioria optou por uma narrativa em primeira pessoa. O que será que isso significa? É a forma correta de escrever um bom conto de terror? É a forma mais fácil? Qual seriam as principais diferenças para um conto de terror entre uma narrativa em primeira e uma em terceira pessoa? Existem respostas para essas minhas perguntas? Alguém?

Matt Kist disse...

Ah. Apenas um parênteses. Eu sei pouquíssimo, quase nada, de japonês. Mas com ajuda do google translate acredito que o título do conto poderia ser traduzido para algo como: Hospedeiro do mal
Aku no = アク の = mal/mau
Hosuto = ホスト = hospedeiro/anfitrião/acolhimento

Quase um resident evil, se fosse "aku no gesuto" (hóspede maldito). hehehehe

Miya Seat Lee disse...

Gostei bastante da história, tudo encaixadinho e com sentido. Legal o título ser em japonês por se tratar de uma nisei.

Acho que o motivo de preferirem escrever em primeira pessoa é por ficar parecendo um diário, dessa forma, acaba saindo mais naturalmente a história. Em terceira pessoa, o conto fica mais impessoal, o que acaba tornando mais difícil a escrita para quem não tem muito costume...