DroidDeck é um projeto que leva a experiência do Steam Deck para aparelhos Android, transformando dispositivos compatíveis em uma espécie de PC gamer portátil baseado no sistema do Google. A proposta vai bem além de simplesmente abrir a Steam no celular. O projeto usa o cliente oficial da Valve em ARM64 dentro do Android, com interface Big Picture, e permite rodar jogos de Windows por meio do Proton ARM64 e do FEX. Em outras palavras, aquele celular que normalmente serve para WhatsApp, YouTube e mais 47 aplicativos que ninguém lembra por que instalou pode ganhar uma bela crise de identidade e começar a agir como um Steam Deck.

O funcionamento do DroidDeck gira em torno de tecnologias como gamescope, Vulkan e proot para criar o ambiente necessário para executar o Steam e os jogos dentro do Android. O projeto possui seu próprio compositor Vulkan e integra componentes usados na compatibilidade com jogos de PC, incluindo FEX, DXVK e VKD3D-Proton. Também existe suporte a ferramentas adicionais como GE-Proton e proton-cachyos, além do Decky Loader, permitindo usar plugins dentro da interface do Steam.

A compatibilidade de hardware, porém, não é para qualquer Android que tenha sobrevivido a três anos de atualizações e uma capinha rachada. O DroidDeck exige Android 9 ou superior e aparelhos com GPU Adreno 730 ou mais recente, além de determinados chips mais antigos ficam de fora. O projeto também não exige root, o que facilita bastante a instalação para quem não está interessado em transformar o próprio aparelho em um laboratório de experiências potencialmente desnecessárias.

A interface foi pensada para aparelhos portáteis e tenta manter a experiência mais próxima de um videogame do que de um desktop enfiado dentro de um celular. A biblioteca da Steam aparece em uma interface própria, existe uma área para jogos e cada título pode ter configurações específicas. O DroidDeck também pode assumir o papel de tela inicial do Android, colocando os próprios aplicativos do sistema dentro do mesmo ambiente. Assim, dá para alternar entre jogos de PC e aplicativos Android sem precisar ficar pulando de uma interface para outra como quem procura o controle remoto perdido no sofá.

O projeto também trabalha com controles físicos e controles virtuais. Um controle conectado pode ser apresentado aos jogos como um gamepad de Xbox 360, enquanto existe um controle na tela para quem não tem um gamepad externo. Há ainda touchpad virtual, teclado na tela, suporte ao toque dentro do Big Picture e opções para configurar os controles virtuais. Isso faz diferença principalmente em aparelhos portáteis Android que possuem tela sensível ao toque, mas não foram exatamente projetados pensando em alguém tentando administrar um jogo de PC usando os dedos.

Outro detalhe curioso aparece nos aparelhos com duas telas. O DroidDeck consegue manter a Steam em uma tela enquanto a outra pode ser usada para abrir um aplicativo Android, funcionar como teclado e touchpad ou até servir como terminal Linux. O projeto também possui um menu de sessão que pode ser aberto durante os jogos para acessar configurações de tela, controles e outros ajustes sem precisar abandonar a partida. É aquele tipo de coisa que parece exagerada até você imaginar um portátil com duas telas e perceber que alguém realmente pensou no que fazer com a segunda.

O DroidDeck também não fica preso aos jogos da Steam. O ambiente inclui um desktop Linux baseado em LXQt e pode oferecer emuladores como RPCS3, ARMSX2, Dolphin, DuckStation, melonDS, Cemu, PPSSPP e RetroArch. Os jogos de emulação podem aparecer dentro da própria interface do projeto, com capas e acesso direto em tela cheia. Com isso, o mesmo aparelho pode reunir jogos de PC, emulação de PlayStation 2, PlayStation 3, GameCube, Wii, PSP, Nintendo DS e vários outros sistemas, dependendo dos emuladores e da capacidade do hardware.

O projeto também possui recursos voltados para desempenho e compatibilidade, incluindo gerenciamento de drivers Turnip, diferentes configurações de resolução, suporte a geração de quadros e opções para controlar como os jogos são executados. Algumas dessas funções dependem do hardware utilizado e de componentes externos, então não existe aquela matemática maravilhosa de internet em que um celular de entrada recebe um aplicativo e imediatamente vira um PC gamer de R$ 15 mil. O desempenho varia bastante conforme o aparelho, e o próprio projeto deixa claro que a compatibilidade ainda depende do dispositivo.

A instalação também exige um pouco de espaço, já que o ambiente do DroidDeck inclui o runtime necessário para executar o Steam e seus componentes, além do espaço adicional usado pelo desktop e pelos emuladores. O processo parte do APK disponibilizado pelo próprio projeto, seguido da instalação do runtime Linux e do login na Steam. Em aparelhos com determinadas versões do Android, algumas configurações das opções de desenvolvedor também precisam ser ajustadas para permitir que o Steam funcione corretamente.

O DroidDeck é distribuído sob a licença GPL-3.0 e reúne trabalhos relacionados a projetos como WinNative e Bannerlator. Steam e Proton continuam pertencendo à Valve, e o DroidDeck não é um projeto oficial da empresa. Também não existe um site independente oficial para o projeto, então o repositório do Droid-Deck no GitHub é o ponto principal para encontrar o código, documentação e versões disponibilizadas pela equipe.

No fim das contas, a graça do DroidDeck está em juntar várias coisas que normalmente ficam separadas. Ele coloca o cliente ARM64 da Steam, compatibilidade com jogos de Windows, interface de portátil, controles, desktop Linux e emuladores dentro de um único ambiente Android. Para quem possui um aparelho Snapdragon compatível e gosta de transformar celular em console portátil, é uma alternativa particularmente curiosa, porque em vez de simplesmente emular outro videogame, o projeto tenta colocar uma experiência completa de PC gamer dentro do próprio Android.
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