Vikings: Valhalla apresenta a era cristã da cultura nórdica!

Essa é uma daquela séries que eu simplesmente não podia deixar de assistir, isso porque gostei demais da série Vikings, e uma sequência era naturalmente interessante. Eu nem pesquisei sobre, apenas sabia que tinha uma ligação e esperei até o lançamento na Netflix, e não me decepcionou, foi realmente muito do que a original tinha e com um toque diferenciado.

A história se passa 100 anos após os acontecimentos da obra original, apresentando os personagens antigos como lendas. Kattegat, que antes era uma pequena vila, se tornou uma imensa cidade comercial muito bem sucedida e desejada, liderada por uma mulher negra, de descendência africana, Jarl Haakon, que conseguiu se tornar o que é exatamente pelos fortes laços comerciais.
Mas o elemento multicultural apresentado acabou se destacando não apenas pelo fato de que os vikings atingiram a rota da seda, mas também porque sua própria cultura foi fortemente afetada. E o contato com a Inglaterra adicionou a presença cristã. O resultado disso são fortíssimas crenças entrando em conflito e os interesses resultando em mortes e traições.

Eu adorei como se viraram para fazer uma série que conseguisse se destacar em relação à original. Digo isso porque já tinham usado os heróis de maior destaque das sagas vikings, inclusive nomes que não se sabe ao certo se existiram ou não. Pegaram tudo e deram um jeito de colocar esses personagens ali. Então com o fim daquilo, o que é que podiam fazer pra entregar algo tão bom quanto?
Eu sei que é possível sim criar qualquer história que até supere a original, até porque temos inúmeras obras de ficção, que conseguem entregar tramas maravilhosas. Mas levando em consideração a presença de fatos históricos como a Invasão de Paris, era complicado imaginar uma ambientação em uma outra época, que conseguisse passar algo tão único.
 
Mas os caras conseguiram, colocando algo que realmente não tinha como ter na obra original. O conflito cultural que os vikings passaram. Não sei se vocês sabem, mas a cultura viking como era antigamente, morreu desse jeito, ela foi mudando até desaparecer. E aqui, temos uma adaptação que é bem no meio do processo, afinal não foi de uma vez.
O resultado é algo no mínimo curioso, que são os vikings cristãos. E o mais interessante, é que eles se chamam de vikings, agem como vikings, fazem invasões, entram na tradicional matança, no entanto ao invés de falarem de Thor ou Odin, falam de Jesus Cristo. Isso causa uma certa estranheza, já que ele usam toda a cultura de navegações e invasões, mas com um toque religioso diferente.

O resultado disso, é uma visão clara de inúmeras possibilidades, em uma série spin-off que tem potencial para não ficar à sombra da original, mas sim ao lado, já que é capaz de entregar uma experiência diferente e que até então eu não lembro de ter visto em outra obra viking. Sim, eu sei que tem filmes que a viagem vai a outro nível, como Outlander, no entanto falo de algo com fatos históricos.
Apesar de tudo, é realmente uma sequência, então dá pra ver ela como a sétima temporada de vikings, porém dando um baita de um salto temporal. Temos citações frequentes a Bjorn, Ivar, Lagertha, Ragnar Lodbrok, Ubbe... E os seus feitos são usados como forma de inspirar a população, mostrando que foram até o limite.

Dessa vez a coisa não é focada nos personagens de uma família, mas no resultado do conflito cultural. Então temos jornada em busca de vingança, a tensa administração de Kattegat, uma traição que resultou em guerra, o reino da Inglaterra e mais. E também algumas história menores, como um grupo de fanáticos religiosos que saem por aí caçando e matando pessoas.
A produção usufrui bem de como a série original evoluiu. Se você observar a primeira temporada de Vikings, vai ver que é tudo bem mais simples e era uma clara aposta da History, mas sem exagerar. Porém na medida em que as temporadas vão passando, a produção vai ficando mais e mais cabulosa. Inicialmente as guerras eram com pouquíssimos combatentes, enquanto depois, deu pra ver lotarem ambientes com pessoas.

E em Vikings: Valhalla, podemos ver já desde o início, uma produção realmente cara. Com certeza em parte, porque muito do cenário e figurino já estavam prontos e não precisaram ser criados do zero, no entanto ainda assim, é notável que a produção em geral, com elementos novos não se acanhou em ter um investimento adequado.
Infelizmente é uma temporada curta demais, assim como a primeira de vikings. Antes de ir assistir, vi no IMDB listado 24 episódios e fiquei surpreso, então saíram 8 na Netflix e fui correndo ver, pensando que os próximos viriam depois e bom... Não! Eram só 8 episódios mesmo, o que foi uma pena, mas usaram esse tempo  muito bem, com episódios tunados e bem concentrados de conteúdo.

Enfim, uma série que saiu no momento certo. A temática de povos nórdicos caiu no gosto do povo com força, é só ver por exemplo Assassin's Creed Valhalla, que foi o primeiro jogo da Ubisoft a gerar 1 bilhão de dólares pra empresa! E que aliás, tá aí algo que certamente se inspiraram muito na série original pra tirar várias coisas. Enfim, assistam, a diversão é das boas! Ao menos na minha opinião XD.

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