Os jogos de sobrevivência sempre tiveram um apelo curioso: não é apenas sobre vencer inimigos, mas sobre resistir ao ambiente, às próprias limitações e ao medo constante de não durar mais um dia. Desde experiências mais leves, onde coletar recursos e construir abrigos é quase relaxante, até títulos que mergulham o jogador em cenários hostis e sufocantes, o gênero desperta aquela sensação primal de estar em perigo e precisar improvisar. Green Hell surge exatamente nesse espaço, levando a ideia de “homem contra a natureza” ao extremo, ao colocar o jogador no coração da floresta amazônica, onde cada detalhe pode significar a diferença entre a vida e a morte.
A história apresenta um casal que adentra a floresta amazônica em busca de uma tribo. Eles precisam urgentemente fazer contato por alguma razão inicialmente desconhecida, no entanto, as coisas começam a dar errado quando a esposa desaparece e o marido precisa sobreviver sozinho na selva, tendo que suprir suas necessidades e enfrentar as dificuldades.
Existem muitos jogos do gênero survivor, desde o simpático Samphi até o desafiador Conan Exiles. Mas Green Hell tenta ir além, criando uma experiência para ser claustrofóbica e um tanto estressante. Esse é o toque que pode assustar muita gente, mas é também algo que atrai jogadores, afinal de contas se jogos como Resident Evil 1 existem é porque tem quem ame né?
E aqui temos um jogo que apresenta um desespero constante não apenas para achar alimentos, mas para manter o corpo intacto. Essa é inclusive a mecânica que faz o jogo brilhar, permitindo que o jogador inspecione o próprio corpo em busca de qualquer coisa que possa prejudicá-lo. Não fazer isso pode ser fatal.
Você tem um sistema de craft bem comum em jogos do gênero, tendo que procurar por paus, folhas secas, pedras e outras coisas. Combinando esses elementos pode formar uma fogueira, mas também várias outras ferramentas que podem ser úteis e estão anotada em um livrinho que pode ser consultado quando você quiser.
Além de se manter aquecido, ter que comer, fazer um abrigo, é necessário também se preocupar com o que ronda pela selva, com indígenas nada amigáveis que se te verem, perseguirão sem trégua, sendo que correr pela selva sem rumo não é exatamente o tipo de coisa que é muito sábia. O mesmo acontece com alguns animais, sendo que alguns nem precisam te perseguir, como cobras que quando você menos imagina, está em cima de uma.
O sistema de inspecionar o personagem te coloca em um ângulo de visão onde é possível olhar os braços e pernas, podendo girar para ver se tem ferimentos ou sanguessugas que aos poucos vão te matando sem você nem ao menos perceber e quando finalmente nota, já é tarde demais. Sendo assim é importante sempre dar uma olhada e isso gera certa paranoia.
O jogo me lembrou bastante Day One Garry's Incident, porém sem ser aquela tosqueira. Parece uma versão do mesmo jogo só que deu certo dessa vez, sem ser todo bugado e pesado pra caramba. É algo que o mais chato é o tutorial inicial, mas depois que você está livre, realmente se sente sobrevivendo pela floresta.
Por exemplo, você toma um corte e sabe que precisa tratar urgente, pra isso você consulta seu caderninho e vê o que tem pra cortes e assim sai pela selva em busca de determinada planta. Inclusive isso te obriga a lembrar onde viu certas coisas, pois você pode precisar depois e assim terá uma ideia de onde procurar.
Além da campanha principal, o jogo também oferece modos extras que ampliam bastante a experiência. Existe o modo de sobrevivência livre, onde você não tem uma história guiando seus passos e precisa apenas resistir o máximo possível à selva, criando sua própria narrativa de desespero. Há também desafios específicos que funcionam como missões curtas com objetivos claros, ideais para quem quer testar suas habilidades sem se prender a longas sessões.
E, para quem gosta de jogar acompanhado, o modo cooperativo permite enfrentar a floresta com amigos, tornando cada vitória ainda mais saborosa e cada derrota ainda mais amarga, já que a selva não perdoa nem em grupo.
Graficamente o jogo tem altos e baixos. É um jogo feito em Unity e ele impressiona em vários aspectos. Apesar de tudo não chega a deixar boquiaberto como Ghost of a Tale ou na série Adam. O visual é daqueles que às vezes impressiona em como está bem feito e em outros momentos parece bem feinha a coisa.
Eu acho que para os gringos é uma decepção o Brasil falar português, pois a esposa do personagem fala algumas coisas em espanhol, sendo assim mesmo todo mundo sabendo que praticamente toda a floresta amazônica está no Brasil, essas histórias sempre acontecem na parte em que fala espanhol, e assim como em The River, Green Hell também acaba seguindo a mesma onda.
Enfim, Green Hell é um jogo bacana, com vários modos onde você tem objetivos específicos e assim aumenta bastante a rejogabilidade, permitindo ao jogador tentar mais uma vez. Pra quem gosta de jogos do gênero com certeza pode divertir. Recomendo sempre dar uma olhadinha no preço dele na Greenman Gaming antes de comprar na steam, algumas vezes os preços deles estão bem abaixo do normal, e sempre lembre de olhar os cupons de desconto que eles espalham pelo site, que deixa a coisa mais barata ainda, dê uma conferida aqui.
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