Tenho que assumir que eu nunca tinha ouvido falar nada sobre Maze Runner antes do filme, não tinha ideia que era uma série de livros, não tinha ideia que tinha uma penca de fãs. Eu nem lembro exatamente como fiquei sabendo disso, acho que vi o trailer e o que mais me chamou a atenção foi ver o "Stiles Stilinski" da série Teen Wolf. Mas ainda assim me pareceu algo meio genérico, só outro filme de aventura, não fiz questão de ir atrás.

Depois passei a ver frequentemente meninas falando "Ai meu deus! Maze Runner já vai virar filme! Tenho que apressar minha leitura!". Com a quantidade imensa de público feminino, tive uma visão meio preconceituosa da coisa, de primeira pensei que deveria ser algo meio crepúsculo, um amorzinho que fazem menininhas suspirarem. Nada contra, mas não é bem meu estilo, mas logo pensei que aquilo era agitado demais, então talvez fosse uma coisa mais voltada para o estilo de Jogos Vorazes.


O tempo passou e não fui atrás, porém quando li The Witcher Os filhos da raposa, fiquei encantado com o formato maravilhoso que a Pixel Media tinha lançado no Brasil e fui procurar mais coisas da empresa, foi quando vi que eles tinham lançado a HQ Maze Runner Prova de Fogo, e em formato luxuoso assim como The Witcher, com capa dura e tal.

Animei imediatamente! Parecia a forma perfeita de finalmente conhecer esse universo, um jeito alternativo, nem seria pelos livros nem pelo filme, mas por uma revista em quadrinhos. Então fiquei decidido! Quando minha edição chegou pelo correio eu nem tinha lido nada sobre, fui correndo, mas o que eu pensava é que era uma adaptação do primeiro livro, porém ao ler a introdução percebi que não dava pra começar por ali.

E aí finalmente vi que eu teria mesmo que dar uma pesquisada pois não parecia adequado ler aquilo sem ter assistido o filme ou lido os livros. A própria introdução não dizia direito que diabos era aquilo, no momento dessa análise eu ainda não a li, portanto não descobri que tipo de conteúdo terá naquela maravilha.

E assim fui pesquisar, descobri que Maze Runner tem um monte de livros como eu já imaginava e que "Prova de Fogo" é o nome do segundo. Isso me deu até um arrepio ao imaginar que eu poderia ter lido o segundo antes de assistir o primeiro, mas pelo jeito aquela HQ não é também uma adaptação do segundo filme, mas um prólogo contando a história de cinco personagens, achei alguns lugares se referindo a ela como Maze Runner 2.5.

E assim não teve jeito né? Os meus planos de entrar nesse universo de uma forma alternativa foram por água abaixo e tive que na marra assistir Maze Runner Correr ou Morrer. Que aliás, tomei um susto ao ver que já tinha o segundo filme da bagaceira quando fui pesquisar sobre. Isso me surpreendeu pois tava com uma carinha daqueles filmes que adaptam o primeiro livro, não dá bilheteria e desistem dessa ideia, sabem? Mas pelo jeito o bagulho não foi assim e vieram com tudo!

A história se passa em um universo daqueles bem próprios, que olhando de imediato você não sabe bem se aquilo é em uma realidade alternativa, se é no futuro ou o que diabos tá acontecendo. Isso porque os personagens não tem memórias, já começa com o personagem Thomas subindo em um elevador e indo parar em um lugar cheio de garotos, mas ninguém sabe que lugar é aquele.

O lugar é uma imensa área gramada com um bosque, porém cercado com muros gigantescos e uma entrada que leva a um labirinto, sendo que durante a noite ela se fecha e criaturas surgem. Ninguém que ficou preso no labirinto durante a noite voltou para contar a história. Mas todos os dias os garotos chamados de Corredores (Runners) entram nele para mapeá-lo aos poucos e tentar achar uma saída.

Agora sobre o filme em si, eu acho que era exatamente o que eu esperava, não me impressionou. É divertido com certeza, é uma ótima obra para passar o tempo com os amigos e tem até uma reviravolta no final! Mas eu achei com muita cara de "mais um filme pra passar o tempo". Porém não dá pra ser cruel também, então não entendam mal, eu não achei ruim, é um filme divertido, um bom passa tempo mesmo.

O negócio é que ele parece carregar todo aquele padrãozinho sabe? O protagonista é o herói! O cara é o fodão, ele sempre tá surpreendendo a todos, tem o nervosinho que não confia nele e sempre tá querendo atrapalhar os planos, e tudo que acontece parece sempre envolver o Thomas. Essa ideia do personagem especial e mais habilidoso que os outros meio que me cansa demais.

E quando a garota apareceu então? kkkkkkkk, eu assisti sozinho mas na hora soltei um "Era só o que faltava!". Porque foi praticamente um "O autor não vai colocar o protagonista pra pegar outro dos meninos presentes né? E apareceu uma garota, adivinha quem vai ser o único que vai ficar com ela?". Mas tenho que assumir que fiquei feliz das coisas não terem ido pra esse rumo ao menos no primeiro filme embora os dois tenham uma ligação especial. Mas reviravolta mesmo seria se o Thomas fosse gay e pegasse o nervosinho! Até imagino:

-Eu sou o putinho chato que tá aqui só pra você ter algum desafio na história Thomas!
-Chega cara! Eu cansei! Eu tentei, realmente tentei me segurar, mas não tem jeito, vou ter que calar essa tua boquinha gostosa de beijar com minha boca!

E aí começa a pegação com o momento quente em uma cabaninha com música romântica dos anos 80! Isso sim ia dar uma verdadeira variada na coisa e dar o que falar! Uahahaha. Mas falando sério, o problema do filme é esse padrão tão formado das coisas. Tenho essa sensação com muitíssimos filmes que tem universos maravilhosos mas a história em si é do herói-sou-foda-tudo-que-faço-é-certo!
 
Isso sem contar com um certo detalhe que me pareceu um furo e que eu espero que no livro explique porque caso não, sinceramente eu só posso ver como ridículo. Isso porque tem um momento do filme que um personagem parece se teletransportar, porque só pode! Ou o roteiro forçou demais viu, pareceu algo bem do tipo "Já sei! E se nesse momento EXATAMENTE o fulano aparecesse aqui? E com uma arminha safada na mão que ele só pode ter tirado do có!". Na hora que vi o infeliz acho que fiz a pergunta que a maioria das pessoas fez "Ah tá! E como é que esse puto foi parar aí né?".

O mundo de Maze Runner em si é bem fantástico, ele tem uma história por trás da coisa bem legal, a revelação do segredo pode causar um belo de um arrepio em muita gente e aquela sensação de satisfação tão gostosa que uma reviravolta pode trazer. A própria comunidade criada me fez ter aquela sensação de Dying Light, de vagar durante o dia e durante a noite voltar pois criaturas são liberadas. Muito boa essa sensação, me fez imaginar como um jogo aberto disso não seria maravilhoso.

Enfim, um bom filme é, mas não acho que seja marcante, acredito que é daquelas obras que consegue encantar muito mais para quem lê o livro, pois requer mais tempo e assim o leitor pode se apaixonar, ter uma ligação maior com a coisa. Então recomendo para assistir com os amigos. Para quem se interessar os livros da franquia foram lançados no Brasil assim como filme também está disponível.