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Roguecraft DX | Roguelike lovecraftiano em turnos com visual pixel art obscuro fantástico

Roguecraft DX é um roguelike retrô inspirado em dungeon crawlers clássicos, com jogabilidade em turnos, visual pixel art isométrico e uma atmosfera marcada por referências ao horror lovecraftiano.

O jogo, desenvolvido pela Badger Punch Games e publicado pela Thalamus Digital, coloca o jogador nas profundezas das masmorras de Mordecoom, onde cada partida é única graças às fases totalmente geradas de forma procedural. É possível escolher entre três classes distintas, Guerreiro, Ladino ou Mago, cada uma com estilo próprio e nível de dificuldade diferente. 
 
 
O cenário é recheado de poções misteriosas, salas secretas e até galinhas que podem se tornar inimigos inesperados. Além da campanha principal, há modos extras como o Endless Dungeon, voltado para pontuações altas, e o curioso Chicken Run, em que o jogador assume o papel de uma galinha tentando sobreviver. 
 
A estética combina gráficos pixelados em perspectiva isométrica com uma trilha sonora atmosférica criada por Photon e efeitos sonoros de h0ffman, reforçando o clima sombrio e divertido ao mesmo tempo. Roguecraft DX se destaca por oferecer partidas rápidas, mas sempre diferentes, mantendo o espírito dos roguelikes tradicionais enquanto adiciona elementos de humor e desafio constante.
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 Jogos lovecraftianos
 
Quando alguém fala sobre jogos lovecraftianos, muita gente imagina criaturas com tentáculos surgindo do oceano ou monstros gigantes destruindo cidades. Esses elementos realmente aparecem com frequência, mas o que define esse tipo de jogo é algo mais profundo. A inspiração vem das obras de H. P. Lovecraft, que criou histórias onde a humanidade é apenas uma pequena parte de um universo repleto de mistérios antigos e forças impossíveis de compreender.

Lovecraft nasceu em 1890 e escreveu contos que ajudaram a moldar o chamado horror cósmico. Em vez de focar apenas em fantasmas ou assassinos, suas histórias apresentavam cultos secretos, cidades esquecidas, livros proibidos, criaturas ancestrais e conhecimentos que podiam destruir a sanidade de quem os descobrisse. Obras como The Call of Cthulhu, The Shadow over Innsmouth, At the Mountains of Madness e The Dunwich Horror ajudaram a criar um universo que continua influenciando diversas formas de entretenimento.

Os videogames demoraram um pouco para explorar esse tipo de terror de maneira mais completa. Durante muitos anos, era comum encontrar apenas referências isoladas a criaturas como Cthulhu ou a cidades fictícias como Arkham e Innsmouth. Com o passar do tempo, desenvolvedores passaram a perceber que o verdadeiro fascínio das histórias lovecraftianas estava na sensação de descoberta, no medo do desconhecido e na ideia de que existem forças muito maiores do que qualquer personagem pode enfrentar.

Um dos exemplos mais conhecidos dessa abordagem é Call of Cthulhu: Dark Corners of the Earth. Em vez de apostar apenas em sustos, o jogo constrói uma atmosfera de paranoia constante. O jogador investiga acontecimentos estranhos, encontra moradores suspeitos e percebe aos poucos que existe algo muito mais sombrio por trás dos eventos da cidade. Até hoje ele é lembrado por muitos fãs como uma das adaptações mais fiéis do espírito das obras de Lovecraft.

Outro título frequentemente citado é Bloodborne. Em seus primeiros momentos, o jogo parece seguir uma linha mais próxima do horror gótico, com caçadores e criaturas monstruosas. Porém, conforme a história avança, entram em cena entidades antigas, pesadelos, dimensões além da compreensão humana e conceitos que se aproximam bastante do horror cósmico. Grande parte de sua fama vem justamente dessa transformação gradual.

Ao mesmo tempo, vários estúdios independentes passaram a explorar essas ideias de formas diferentes. Um dos casos mais interessantes é World of Horror. Com visual inspirado em computadores antigos e forte influência dos mangás de terror, o jogo coloca o jogador diante de mistérios sobrenaturais, cultos, maldições e entidades que parecem ter saído diretamente dos contos lovecraftianos. Seu estilo visual simples contrasta com uma atmosfera extremamente perturbadora.

Outro destaque é Dredge. O jogo começa de forma aparentemente tranquila, com o jogador navegando e pescando em pequenas ilhas. Aos poucos surgem fenômenos estranhos, criaturas deformadas, neblinas misteriosas e acontecimentos que sugerem a presença de forças antigas escondidas sob o oceano. O resultado lembra bastante a relação que Lovecraft costumava criar entre o mar e horrores desconhecidos.

A influência dos mitos também aparece em The Shore, Conarium e Lovecraft's Untold Stories. Cada um segue um caminho diferente, mas todos exploram temas como ruínas antigas, dimensões desconhecidas, investigações sobrenaturais e criaturas que desafiam a lógica humana. Em muitos momentos, o medo surge mais daquilo que o jogador imagina do que do que realmente vê.

Jogos como Darkest Dungeon e Fear & Hunger também mostram como o horror lovecraftiano pode funcionar sem depender diretamente de Cthulhu ou dos Grandes Antigos. Ambos trabalham conceitos como decadência, sofrimento psicológico, insanidade, corrupção e a sensação constante de que o mundo está dominado por forças impossíveis de controlar.

Outro nome importante é Stygian: Reign of the Old Ones. O jogo mergulha profundamente nos Mitos de Cthulhu e apresenta uma sociedade já afetada pela chegada de horrores cósmicos. Em vez de mostrar apenas o confronto contra monstros, ele explora as consequências sociais, religiosas e psicológicas desse contato com o desconhecido.

O mar, aliás, sempre teve uma relação muito forte com o horror lovecraftiano. Isso aparece em jogos como Sunless Sea, onde a exploração de águas misteriosas leva a encontros com criaturas estranhas, ilhas bizarras e histórias que desafiam qualquer explicação racional. Seu sucessor, Sunless Skies, leva essas ideias para cenários ainda mais surreais.

Mesmo jogos que não são considerados totalmente lovecraftianos acabam incorporando elementos desse universo. Chefes gigantescos, deuses antigos, cultistas, bibliotecas proibidas, rituais obscuros, sonhos perturbadores, realidades paralelas, artefatos amaldiçoados e monstros indescritíveis se tornaram parte do imaginário dos videogames. Muitas dessas ideias apareceram em obras de gêneros completamente diferentes, desde RPGs até jogos de ação, estratégia e sobrevivência.

Talvez o aspecto mais marcante dos jogos lovecraftianos seja justamente a sensação de insignificância. Em muitas histórias, o objetivo não é salvar o mundo ou derrotar um grande inimigo. Frequentemente o protagonista apenas consegue sobreviver ou descobrir uma pequena parte da verdade antes de perceber que existem forças muito maiores agindo nas sombras. Essa ideia continua tão poderosa quanto era nos contos publicados durante as décadas de 1920 e 1930.

Por isso, o horror cósmico permanece presente nos videogames. Seja em produções famosas como Bloodborne, em RPGs sombrios como Darkest Dungeon e Stygian: Reign of the Old Ones, em experiências independentes como World of Horror, Dredge, The Shore e Fear & Hunger, ou em aventuras de exploração como Sunless Sea, os elementos criados por Lovecraft continuam encontrando novos caminhos. O medo do desconhecido, a busca por conhecimentos proibidos e o encontro com algo que desafia toda compreensão humana seguem sendo temas capazes de fascinar jogadores de diferentes gerações.