Darkwood | Terror lovecraftiano em uma floresta de pura trevas

Tá aí um jogo que há muito tempo eu estava pra jogar e que vi muita gente dizendo que ele era a mistura entre Hotline Miami e Silent Hill. No fim das contas não achei exatamente isso, apesar do último poder ter suas semelhanças, mas ainda assim achei um jogo fenomenal e que me causou uma sensação diferente do que esperava e se você se atrai por coisas tipo histórias de bruxaria, com aquele climinha pesado de maldição, certamente vai gostar!


A trama é um tanto misteriosa, você é uma pessoa em uma floresta obscura sem saída. Há traços da humanidade sendo absorvidos pelas raízes, móveis, carros, até pessoas. Mesmo durante o dia, o lugar é muito sombrio, mas é quando você deve explorar e descobrir cada vez mais, já a noite, é preciso estar em casa, escondido e protegido, pois é quando as sombras aparecem.

A sensação que eu tenho, é que esse jogo é mais ou menos o que a versão original de Alan Wake queria ser, com esse ciclo de dia e noite e pessoas das sombras sensíveis à luz, além da produção de armadilhas e outras coisas que ajudam a sobreviver. E essa foi exatamente a minha grande surpresa com o jogo, pois de forma alguma eu esperava um survival, mas sim um survival horror, algo que contínuo, linear.

Outro jogo que achei absurdamente parecido foi Snowdrift, esse aqui até 2D e a própria história é semelhante. Essa ideia da civilização ser absorvida pelas trevas e os sobreviventes terem que lutar desesperadamente para manter luz próxima. E claro, tenho que citar também Deadlight, que inclusive parece até o mesmo universo (Apesar de saber que não são), mas ambos se passam nos anos 80 em que o mundo acabou e tem essas pessoas obscuras.

A mecânica que temos aqui é a de um survival mesmo e a dificuldade do jogo é alta, então você tem que ficar atento e se preparar bem. Ao amanhecer é preciso explorar, conseguir suprimentos e saber a hora de voltar pra casa. Não há indicação de tempo, não há um mapa bonito e não há uma indicação perfeita de onde você está. Então de repente você pode ver o jogo ficar alaranjado, indicando que o por do sol chegou, e não conseguir voltar porque está com um monte de árvores bloqueando o lado que você sabe que é onde está sua casa.

Existem vários objetos que você pode coletar, alguns são básicos e prontos, como lanternas, fósforos, máscaras de gás, gazuas, etc... Outros são itens para serem usados em construção, alguns já fabricados como pregos, outros que estão ali apenas pra você usar como material e transformá-los em novos objetos dependendo da necessidade, como a tora de madeira.

Em casa você precisa barricar as janelas, empurrar móveis pra frente das portas, manter o gerador ligado e iluminar partes estratégicas, colocar armadilhas. Ainda assim isso não é garantia de proteção, e você tem que estar preparado par lutar, pois muito provavelmente a casa vai ser invadida de qualquer forma, nem todos os pontos ficam com defesas fortes o suficiente e as criaturas às vezes estão realmente dispostas a te pegar.

Mesmo durante o dia as coisas podem ser perigosas, pois há animais como cachorros e alces prontos para te perseguir e atacar. Uma das coisas que mantém a tensão no jogo, é que apesar de você ter a visão geral do lugar, só é possível ver a frente  (em forma de cone), então enquanto olha pra tela você pode ver uma construção atrás do personagem, mas só verá alguns objetos ali se virar pra ela. E o mesmo serve para inimigos.

Somando esse limite de visão ao som macabro do jogo, o clima de tensão é criado facilmente. Você nunca sabe se tem alguém ao seu lado e muitas vezes só percebe quando toma dano ou ouve aquele som bizarro e se vira rapidamente em várias direções tentando descobrir de onde veio exatamente. É algo bem fantástico.

Aliás, tá aí um jogo que acho que se encaixa perfeitamente como Dark Fantasy sem ser medieval, coisa que acho realmente difícil de acontecer, mas aqui sai muito bem. Essa atmosfera moderna, porém em um tempo mais antigo (menos tecnológico) somado à conexão direta com o natural (a floresta) e demonstração constante da decadência humana é a mais pura fantasia sombria.

Essa ideia de floresta consegue criar atmosferas pesadas que me encantam muito e vez ou outra acaba aparecendo em alguma coisa que fica marcada como A Bruxa de Blair e Within the Woods. Porém aqui o clima misterioso da coisa acaba naturalmente fazendo receber um toque lovecraftiano e é fácil pensar nos Mitos de Cthulhu, pois é exatamente o tipo de apocalipse que um mundo assim receberia.

O combate do jogo é meio travado, aliás, toda a mecânica do jogo é um tanto travada e isso certamente pode irritar algumas pessoas. É o tipo de jogo em que você tem que ir frequentemente aos menus, organizar itens é bem chatinho, usar os itens é algo que requer uma série de cliques, tipo arrastar uma mesa, você tem que segurar o botão de ação, aí vai aparecer a opção de buscar algo e de arrastar, aí você seleciona arrastar e vai.

O combate também não é dos que te dão tanta liberdade, mas acredito que isso tenha sido proposital para aumentar a dificuldade e mostrar que seu personagem não é um lutador. Talvez os menus também tenham sido feito assim com esse objetivo. Talvez simbolizar que fazer certas ações leva tempo e na hora do desespero você não só sair dando cliques. No caso do combate é preciso segurar o botão de força e então apertar o botão de bater, e seu personagem é mais lento que qualquer inimigo, te obrigando a sempre se afastar pra ganhar tempo.

Você vai notando que a vida vai "melhorando" com a exploração. Na medida em que você encontra itens dá pra notar que as coisas podem mudar, como por exemplo o relógio que deixa o horário visível no topo da tela. É possível também negociar itens com alguns personagens estranhos que também te dão missões e é assim que a história vai avançando.

Essa atmosfera pesada e a complexidade de certos elementos junto à história misteriosa acaba fazendo o jogo me lembrar um pouco de Sunless Sea, com aquele climinha de entrar no desconhecido e não saber o que está prestes a acontecer, especialmente porque Darkwood tem elementos de roguelike, e inclusive se você jogar o modo "Pesadelo" vira um roguelike puro, já que se morrer, acabou. Mas mesmo o modo normal você perde equipamento se morrer, então é preciso pensar bem antes de tomar decisões.
Enfim, joguinho maravilhoso pra caramba e que pode se tornar um verdadeiro vício, a aleatoriedade aumenta muito a jogabilidade e a presença de história e possibilidade de zerar faz atrair tanto jogadores que só querem passar o tempo quanto jogadores que querem ver uma história. Recomendo sempre dar uma olhadinha no preço dele na Greenman Gaming antes de comprar na steam, algumas vezes os preços deles estão bem abaixo do normal, e sempre lembre de olhar os cupons de desconto que eles espalham pelo site, que deixa a coisa mais barata ainda, dê uma conferida aqui.


Comentários