Ancestors: The Humankind Odyssey | Reconstrua os primeiros passos da humanidade

Tá aí um baita de um jogo interessante, porém que definitivamente é para pessoas que estão interessadas em se esforçar para aprender a jogar ou vão acabar perdendo a paciência. Além de mexer em um tema extremamente delicado para algumas pessoas, que é o relatado no livro A Origem das Espécies, sobre o homem ter evoluído e não sido criado por Deus.


Esse não é um jogo focado em história, especialmente porque você está fazendo a sua própria história. Começa 10 milhões de anos no passado e para quem gosta de filmes como 10.000 AC, vai gostar bastante de ter a oportunidade de assumir o controle de hominídeos e se virar com o que pode ser transformado em ferramenta.

Só pra deixar claro, isso não é uma obra do gênero stonepunk, então o foco aqui não é controlar homens da caverna de forma surreal, mas sim refazer passos de forma realista. Graças a isso, acaba tendo um toque sentimental um tanto intenso. Um carinho do clã por cada membro, é daqueles raros jogos que você sente uma ligação familiar e um peso em perder alguém, tipo Children of Morta.

Assumo que suei pra conseguir pegar o jeito no jogo, e inclusive foi cansativo. Não me surpreende se pessoas desistirem de jogar, pois achei o tutorial um verdadeiro saco. No entanto não é chato por ter coisas demais, exatamente o contrário, tem coisas de menos e as informações passam voando, surgem e somem, você tem que ler e raciocinar rapidão. Só depois de me frustrar que fui ver que elas estão nos menus, mas até aí eu já não tava com saco, reiniciei três vezes, pois parecia ter ferrado tudo.

Ele é um survival, no entanto não é algo do tipo que você tem um inventário e tal, por mais que de certa forma tenha me lembrado a sensação que tive quando joguei Conan Exiles, talvez pelo clima tribal presente, porém tem uma mecânica bem própria e definitivamente a essência é bastante diferente.

Você começa como alguns hominídeos, podendo ser machos ou fêmeas e podendo ser crianças, adultos ou anciões. Você não conhece quase nada no mundo, não sabe o que pode comer, não sabe o que é perigoso, não sabe o que é útil. E só existe uma forma de descobrir as coisas, que é experimentando elas.

E assim é preciso identificar, memorizar e usar os sentidos para interagir com o mundo, à medida em que você vai descobrindo as coisas, vai ganhando pontos de evolução e pode gastar essa energia para guiar a evolução de seu clã para um determinado estilo, como focar na exploração, nos movimentos, na percepção do mundo, etc...

Então você vê as coisas, mas é preciso focar nelas para identificar, e se não souber o que é, fica um ponto de interrogação. Pra descobrir o que elas são, você precisa se aproximar, pegá-las e analisar pra ver o que parece ser. Uma vez identificado, a próxima vez que você focar em itens, ao invés do ponto de interrogação, vão ficar o símbolo deles.

Ao gastar seus pontos de evolução, você vai descobrindo novas coisas. Algumas são bem toscas, mas fazem parte da atmosfera da coisa e da sensação de estar evoluindo, como segurar dois itens nas duas mãos, que libera a ação de usar um no outro e assim produzir uma ferramenta. Tem certas coisas que você só vai conseguir interagir quando tiver ferramentas.

É preciso observar o que acontece pra começar a deduzir, e isso acaba sendo o "perdão" para o tutorial tão horrível, pois o objetivo do jogo é te fazer sentir o que é experimentar um mundo desconhecido, cheio de perigos e maravilhas. Com coisas pré-históricas inclusive isso fica mais difícil, pois você acaba não sabendo o que são as plantas. Mesmo sabendo que algumas podem te curar, mas quais?

Também é preciso tomar cuidado com animais, enquanto você pode produzir ferramentas e matar peixes para comer, há certas criaturas que você usará para se defender e de uma forma bem desesperada, desviando ou contra-atacando, e podendo simplesmente morrer. Certa vez eu estava andando com o clã inteiro e uma jiboia monstruosa apareceu, e danificou todo mundo, acabou matando um, mas foi um sufoco tentar libertá-lo e no fim ainda falhar.

Em outra vez, estava apenas eu e uma criança nas costas (que ajuda a receber experiência, por estar presente enquanto você descobre coisas), e cheguei em um ponto que ativou algo chamado "Medo do desconhecido", uma condição que deixa o personagem em desespero, com um monte de visões de olhos e presas pra todo lado, mas antes de eu sair da área, um tige dente-de-sabre me atacou e comeu meu personagem, a "consciência" passou pro macaquinho, que foi devorado logo depois e a consciência voltou para o clã.

É importante ter um clã grande e se reproduzir, pois quando você passa de geração, as crianças viram adultos, os adultos viram anciões e os anciões morrem. Então você não pode desesperadamente passar de geração. É preciso aproveitá-la e descobrir o máximo de coisas que puder, evoluir o máximo que puder, e assim a próxima vai ter o conhecimento acumulado.

Achei os gráficos meio batidos, não me impressionaram muito não, é aquela coisa um tanto simplória, e algumas animações um tanto limitadas. Apesar de tudo é um ambiente bastante bonito e robusto, e para quem não liga para gráficos impecáveis, certamente não vai se incomodar, apenas vai notar que poderia ser melhor.

Uma coisa que achei uma pena, é o fato do clã aparentemente sempre começar no mesmo lugar, o que faz com que o jogo pareça meio linear nesse quesito. Podia ter uma variação de pontos de início, mas quem sabe no futuro não vejamos um patch para dar um pouco mais de aleatoriedade à coisa né? Mas ao menos na versão inicial, achei que isso é péssimo par um survival.

Enfim, Ancestors: The Humankind Odyssey é um jogo bacana, feito pelo criador de Assassin's Creed, e que acho que pode encantar aqueles que têm paciência. Recomendo sempre dar uma olhadinha no preço dele na Greenman Gaming antes de comprar, às vezes os preços deles estão bem abaixo do normal, e sempre lembre de olhar os cupons de desconto que eles espalham pelo site, que deixa a coisa mais barata ainda, dê uma conferida aqui.

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