Kids | Fantástico jogo psicológico no estilo curta metragem

Todo mundo sabe que obras com toque psicológico acabam dando uma baita profundidade à coisa. No entanto nada impede de algo do tipo  ser fofinho, afinal de contas se existe algo que vai completamente para o lado bizarro como Salad Fingers, o contrário também tem que existir, não é? A mente humana tem vários lados, e Kids é um belo exemplo de obra profunda e muito fofa ao mesmo tempo.



Não existe uma história certinha no jogo, ele é mais algo voltado para a essência. Por um lado, sim, existe uma história, porém na forma que compreendi (E pelo o que vi no fórum, existem várias formas de se compreender), é uma história sobre o sentimento que se tem na infância, mas que se estende para outras épocas da vida em formas diferentes.

Na página da steam, o jogo é descrito como um curta de animação interativa, e pela arte usada, ficaria perfeito como curta comum e com certeza é capaz de encantar também o público não-gamer. Vez ou outra aparecem jogos nesse estilo, que não tem foco no desafio, mas na apresentação de algo belo, como é o caso de 9.03m ou They Breathe.

Mas bom, não dá para explicar com clareza o que o jogo significa, depende de cada pessoa, e por isso reviews podem apresentar visões bem diferentes. Mas na minha compreensão, o jogo apresenta  uma coletânea de emoções relacionadas a uma pessoa em relação à sociedade. Apesar do nome Kids (Crianças), eu não acho que esteja preso à infância. 

Me pareceu mais uma alegoria a uma fase importante, mas que o mundo inteiro continua sendo de crianças, apenas crescidas, porém ainda são as mesmas pessoas apresentando os mesmos sentimentos de formas diferentes. Um disfarce de maturidade, porém tudo movido pelas mesmas sensações e apenas tendo um disfarce de maturidade.

A jogabilidade é bastante estranha, se passa em cenas e a princípio você não sabe o que fazer e tem que ir descobrindo. Por exemplo clicar em um personagem e ver que ele  para de apontar de um lado e aponta para o outro, ou ir puxando alguém que está nadando para que chegue até um determinado lugar, e assim vai.

Cada vez que você termina uma cena, a outra começa com o personagem chegando no lugar, e você pode ou não controlar a mesma criança da cena anterior. Acredito que isso é para passar a sensação de jornada que todos estão passando juntos. No ponto de vista de cada um, eles são os centros e os outros é que formam a multidão e estão juntos.

O visual é provavelmente o que vai mais chamar a atenção das pessoas, é um estilo minimalista, com personagens que se movem em animações muito bonitas, correndo, pulando, nadando... Mas são todos iguais e os cenários ou são pretos, ou são brancos. Fãs de visuais como os de Ape Out e Gloom certamente vão se encantar de primeira.

A experiência é extremamente rápida, e é pra ser zerado entre 15 e 30 minutos, sendo assim é aquele tipo de obra que vale a pena escolher um momento especial para se aproveitar. É bom deixar ali preparadinho para quando a hora certa chegar. E também vale a pena dar uma olhadinha no fórum do jogo. A princípio tive a sensação de algo semelhante a essência da amizade na juventude apresentada em The Friends of Ringo Ishikawa, mas depois vi que parece algo bem mais amplo.

Enfim, esse é um daqueles jogos com forte essência própria e que consegue deixar um gostinho bem legal ao se zerar. Recomendo sempre dar uma olhadinha no preço dele na Greenman Gaming antes de comprar na steam, algumas vezes os preços deles estão bem abaixo do normal, e sempre lembre de olhar os cupons de desconto que eles espalham pelo site, que deixa a coisa mais barata ainda, dê uma conferida aqui.

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