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segunda-feira, 16 de abril de 2018

American Horror Story Cult | Com clima de clube da luta

Chegou a hora de falar sobre a sétima temporada de American Horror Story, que olhei com um baita de um preconceito inicial, graças à temática bastante inusitada, e inclusive cheguei a comentar sobre isso na matéria sobre a abertura mas que acabou me surpreendendo em vários quesitos, chegando a me lembrar bastante Clube da Luta, e que gostei, embora ainda assim tenha passado uma sensação que achei um pouco desagradável.



Dessa vez a história tem um baita de um pé na realidade, envolvendo a paranoia em relação a partidos políticos. O foco é na campanha eleitoral de Trump e Hillary, mostrando como isso afeta as pessoas e o efeito dominó do resultado da eleição. O foco inicial é uma mulher com coulrofobia (medo de palhaços) e tripofobia (medo de buracos), e mostra como os surtos disparam após Trump vencer.

O que não gostei nessa temporada foi o fato de escolherem algo local para usar como tema. Eu sei que existem ótimos contra argumentos para isso, por exemplo o fato do nome da série ser "AMERICAN horror story", mas convenhamos né? Essa é uma série mundial e os caras sabem muito bem disso. Outro argumento é o fato de que aquilo afetou o mundo inteiro, então não era local, mas ainda assim achei uma forçação de barra.

E naturalmente tem os que vão dizer que eu tenho que abrir minha mente e que a política é um verdadeiro horror mais assustador do que qualquer coisa sobrenatural e... Ah, fala sério né? Então vai assistir o canal de política né meu filho? Deixa quem quer assistir terror em paz e vá assistir seu tipo de terror. Então esse argumento eu não consigo engolir. Vejo como sendo a mesma coisa que tacar política brasileira em programa infantil e falar "ASSISTAM CRIANÇAS, ISSO É UMA PALHAÇADA!", pode ser o que for, a pessoa não está procurando assistir aquilo né...

Eu tive a sensação de que os produtores cometeram aquele erro do criador de Ringu, quando decidiu que a história de O Chamado ia virar uma ficção científica porque aparentemente estava no clima de fazer algo científico mas ao invés de criar algo novo, preferiu bagunçar o que já tava perfeito e assim surgiu o fiasco Rasen. E é super comum ver coisas desse tipo acontecendo, autores decidindo inventar demais, é só ver as sequencias de Highlander, com menção honrosa para a bagaceira que é Highlander 2.

Por outro lado assumo que tenho que dar o braço a torcer já que eu aprovei demais a temporada anterior, My roanoke nightmare, que também fugia bastante do padrão usado e ainda teve a tristeza de pela primeira vez não rolar uma abertura. E também tem o fato de que se o objetivo é mostrar vários tipos de terror que conhecemos, tem que abrir espaço para coisas peculiares desse tipo também né?

Ou seja, por mais que não tenha me agradado a ideia e eu ache uns argumentos toscos pra cacete, no final das contas sou obrigado a assumir que a coisa não fugiu realmente da proposta, muito pelo contrário, está apresentando do jeito certo. E assim fui ver com uma cara bem fechada e um olhar torto, sem muitas esperanças.

Bom, por um lado eu achei a coisa meio compacta demais. Enquanto nas outras temporadas você tem aquela sensação de algo amplo, com foco em vários personagens, nessa a coisa é parecida com a segunda temporada de The Leftovers, pegaram algo que era grande e espremeram fazendo uma história bem focada em uma personagem e os outros parecem bem mais protagonistas. Eu sei que em cada temporada tiveram os que brilhavam mais, porém nessa REALMENTE parece que o foco é em uma só e os outros tem sub-histórias.

Achei isso meio chato, sinto falta demais do clima que tivemos em Asylum, de muitas loucuras acontecendo e dois momentos da história sendo mostrados. Era algo amplo e que te deixava louco pra saber o que ia acontecer em cada uma das tramas, pra de repente você ir vendo elas se fechando e se juntando. Dava uma empolgação tão grande e você não sabia qual delas te provocava mais.

Por outro lado essa temporada me surpreendeu ao usar frequentemente uma técnica que eu adoro, que é a de enganar quem assiste. É muito comum apresentar algo e no fim do episódio ser revelado que aquilo não era nada do que parecia e apenas parte dos planos de um personagem. Não são reviravoltas de super impacto que racham seu crânio, mas são coisas que dão um charme a mais, te faz sentir que não é só um "Tá ele foi lá e fez isso e depois aquilo e aí ele saiu de lá, fim do episódio", mas sim algo que dá uma pequena surpresinha e um tempero a mais.

Uma surpresa foi ver o quanto essa temporada me lembrou Clube da Luta, algo que eu realmente não esperava de jeito nenhum, e meses depois de assistir, acabei notando que atmosfera de culto presente com um certo toque descolado acabou me lembrando bastante Far Cry 5, com esse toque mais descolado do que sombrio.

Enfim, essa é uma temporada boa. Não é algo que me apaixonei por completo, mas achei muito melhor trabalhada por exemplo do que a Freak Show, que tinha potencial para ser a melhor das temporadas, mas que parece simplesmente ser um casco maravilhoso que não utilizou de verdade o conteúdo. Então por mais que eu ache que isso tem cara de spin-off (sim, a temporada anterior também tinha), ficou charmoso. E vocês, o que acharam?

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