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quarta-feira, 24 de maio de 2017

Serial Experiments Lain | O jogo macabro do suicídio

Não param de pedir pra eu voltar a escrever sobre coisas macabras no blog, então para relembrar os velhos tempos, vamos lá! Existem algumas histórias de jogos amaldiçoados que vagam pela internet, normalmente as mais populares são as mais famosas, tipo A Fita Amaldiçoada de Zelda e A Misteriosa Música de Lavender Town, mas existem alguns jogos underground que a coisa acaba ficando mais sinistras como LSD Dream Emulator ou o macabro The Theater e não preciso nem falar do Sad Satan né? E hoje vou falar sobre mais um desses jogos.


Você talvez conheça o anime Serial Experiments Lain, não é tão popular, mas fãs de animes sérios acabam encontrando ele, assim como fãs do gênero cyberpunk em geral. É uma obra complexa, difícil de entender e que facilmente você se sente recebendo informações novas quando assiste mais de uma vez. Aquela sensação de "Eu não tinha percebido isso".

Uma coisa que chamou atenção em Serial Experiments Lain foi o fato de algumas pessoas cometerem suicídio quando o último episódio foi lançado em 1998. Quem assistiu sabe que o anime tem muito a ver com a ideia da existência além do corpo, suicídios e tentativa da imortalidade. Aquele pensamento de que a carne apenas é algo que nos prende no mundo físico. A forma série que isso é apresentado e toque filosófico extremamente profundo afetou algumas pessoas.

Se o anime já não é dos mais populares, imagina o jogo dele para Playstation 1? É fácil ser uma surpresa mesmo para os fãs sobre a existência desse jogo, ainda mais com o fato de que nunca foi lançado fora do Japão, e que a história não é uma adaptação do anime. Na verdade o jogo foi produzido simultaneamente, cada um com história própria, apenas usando elementos do outro, como se fossem reboots simultâneos.

Devido à estranheza do jogo, ficou ainda mais difícil ser reconhecido, pois ele não é algo muito comum em que o jogador vai apertando os botões e tentando passar de fase.  Nele informações são dadas em forma de texto, vídeo e áudio e aos poucos vão se revelando mais e mais coisas, de forma despedaçada.

É uma história que não é mostrada em forma linear, mas em fragmentos que precisam ser destravados. Tudo desenvolvido de uma forma que faça o jogador se sentir junto a Lain, que é apresentada durante todo o jogo parada olhando para o jogador e só desaparece da tela quando ele acessa informações.

Aos poucos a história dela vai sendo contada, uma menina que perdeu o pai entrou em depressão. Passou a ter um forte desejo de ter ele de volta, isso fez com que começasse a frequentar uma psiquiatra que também tem seus próprios problemas e o caso de Lain vai sendo analisado aos poucos e se mostrando cada vez mais estranho.

A própria psiquiatra passa a sentir que há algo além de um problema psicológico normal. Você pode acessar o livro de notas dela e em um certo momento ela cita que sente como se ela fosse a paciente e Lain quem analisasse. Com o passar das sessões é exatamente isso que acontece, Lain deixa de falar na forma infantil inicial e passa a falar sobre a existência.

Com o passar do jogo, uma coisa que Lain para pra pensar é que ela não precisa de seu pai, pois pode criá-lo novamente. Pode fazer uma inteligência artificial pra ele e colocar em um corpo robótico, recriando seu próprio pai. Essa ideia é levada por boa parte do jogo até ela perceber que não precisa de um corpo pra ele, nem ao menos ela precisa de um corpo.

A partir de então começam a aparecer questões cada vez mais fortes sobre a necessidade da existência física e como ela só traz dor. E então as coisas passam a ficar cada vez mais estranhas, as informações não são completas como em um jogo padrão, o jogador vai e volta em certas informações para montar aos poucos o sentido.

Há diversas mensagens escondidas e algumas simplesmente muito difíceis de serem liberadas, isso faz com que uma ideia que a pessoa viria apenas uma vez passe a ser vista de novo e de novo e de novo para que comecem a fazer sentido. Há inclusive cenas escondidas quando você não joga, se você soltar o controle e apenas ficar olhando para a tela, algumas cenas não disponíveis nos arquivos aparecem, envolvendo uma morte violenta.

Chega a um ponto em que a própria Lain passa a matar outros personagens, não é muito claro sobre o que exatamente ela faz, mas é mostrada uma cena que aparentemente ela sugere isso a uma de suas amigas, e logo depois que essa mata um amante muito mais velho, coloca a arma na boca e atira.

A personalidade de Lain vai sendo recriada aos poucos em uma versão digital e quando por fim ela percebe que está completa, encontra uma versão de si mesma e fala algo como "Acabou" e sua outra eu responde "Pra mim é o início" e então "De agora em diante nós estaremos sempre juntas". Após isso vem a cena a seguir:


Uma coisa curiosa nesse jogo é que ele apresenta uma ideia que não era muito comum na época. A existência digital. Tem um episódio de Black Mirror , o "Be Right Back", que foi exibido em 2013, nele uma mulher perde seu marido e ela usa um programa que reúne e-mails, vídeos, redes sociais, conversas em áudio e outras coisas de uma pessoa e forma uma inteligência artificial, trazendo-a de volta.

Mas a ideia de Black Mirror é usando redes sociais, um fruto da era da internet, ou seja, algo que surgiu muito depois de Serial Experiments Lain, que é de 1998 e chega um momento em que a psiquiatra é surpreendida pela garota em seu quarto. Ela explica que dois anos antes a garota apareceu na empresa em que trabalha, uma quantidade enorme de materiais sobre a garota foram colocados no banco de dados, anotações, filmes gravados pela família, todo o conteúdo do computador pessoal. E então passou a ser atualizado.
Na mesma cena ela fala que as atualizações eram normais, porém na última havia conteúdo de dois anos no futuro. Também não entende porque não há informações sobre Lain antes do que foi colocado. Lain não explica, apenas diz que "Isso não importa nesse mundo".

Assim como o anime, o jogo também gerou suicídios, a diferença é que não foi de imediato. Os relatos são de que ficaram estranhas, como se estivessem absorvendo a informação, como se algo subliminar tivesse sido plantado em suas mentes e começasse a crescer, até finalmente "entenderem" o que foi mostrado ali e cometerem suicídio.

A capa tem várias mensagens se repetindo sem parar como "Me deixe triste", "Me irrite" e "Me faça sentir bem?" (Esse último é o único com interrogação). Além disso no subtítulo está "Feche o mundo" e escrito ao contrário na frente da frase tem "Abra o próximo" (Confira na primeira imagem da matéria).

Esse é um jogo Underground e assim como LSD Dream Simulator passa aquela sensação de lavagem cerebral enquanto se joga. Ainda mais pelo fato de que, diferente de um jogo padrão, a pessoa repete várias e várias vezes a mesma coisa. Um grupo de tradução chegou a lançar uma atualização (obviamente não oficial) para o jogo ficar em inglês. Vez ou outra aparece uma cópia a venda no ebay, mas não preciso nem dizer que custa uma fortuna né? Afinal é uma raridade.

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