Temporario



Jogos | Séries | Filmes | RPG e Tabuleiro | Animes | Creepypastas | Quadrinhos | Livros | Mapa do Blog | Sobre o Blog | Contato |

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Alice: Madness Returns - Um pouco mais de insanidade

Quando esse jogo saiu em 2011 é lógico que fiquei encantado demais! Afinal de contas eu finalmente iria jogar a sequencia de um dos jogos mais marcantes que já joguei no computador, o clássico de 2000 American Mcgee's Alice, que muita gente nem ao menos sabe da existência e acredita que Magness Returns seja o primeiro da franquia.

Dessa vez a história se passa 10 anos após o primeiro, Alice já não é mais uma criança aqui e passou esse tempo ainda perseguida pela perda de sua família em um incêndio. Isso faz com que novamente entre no País das Maravilhas, que ainda está grotesco. Achei uma pena não terem aproveitado para dessa vez a história ser baseada em Alice no País do Espelho, não é muito popular, mas também é do autor original do livro, Lewis Carroll.

A verdade é que o próprio nome dado à sequencia é ambíguo, ao mesmo tempo em que é colocado "A Loucura Retorna" em relação ao fato da insanidade da personagem ter voltado, também é em relação ao fato de ser um jogo lançado pouco mais de 10 anos depois que o primeiro. Mas ainda assim é uma obra que pode ser jogada sem a necessidade do anterior, algo que foi feito para atingir um público maior, porém os que jogaram podem ver diversos elementos da história do primeiro sendo citados.

Não que o primeiro Alice não tivesse fãs, mas o negócio é que, apesar de ele ter sido lançado para consoles, é o típico jogo que o público alvo primário eram jogadores de PC, e em 2000 ele era muito mais separado de jogadores de consoles. Mesmo assim teve sua base de fãs, por exemplo foi lançado um live action do trailer original, mostrando que tem gente disposta a gerar conteúdo pra aquele jogo, mesmo não sendo tão popular.

Infelizmente, mesmo empolgado, foi um jogo que demorei demais pra jogar, isso porque em 2011 eu já estava sobrecarregado de coisas, foi um daqueles casos de como o entretenimento nos sufoca, ou seja tinha tanta coisa pra fazer que eu simplesmente não pude conferir esse jogo de imediato, mesmo querendo muito.

No fim levou 6 anos pra eu finalmente dar uma olhada na coisa e tenho que assumir que, graças à minha expectativa, de imediato me decepcionei um pouco. O negócio é que eu já tinha jogado Alice e tinha criado um hype bem maior do que o povo que só conheceu com esse jogo. Sendo assim eu queria algo novo, porém foi mais do mesmo com melhores gráficos.

Por outro lado, com o passar dos níveis acabei achando melhor. Acho que uma pessoa que não jogou o primeiro pode se apaixonar imediatamente. Afinal de contas essa ideia de uma Alice louca e um país das maravilhas super sombrio é algo que gera uma curiosidade de imediata e te faz querer dar uma olhada mais de perto na coisa.

Mas o negócio é que a princípio parece que a desenvolvedora foi meio desleixada, essa era pra ser uma experiência tão suave e tem erros bobinhos que me incomodaram. Começando pelos primeiros níveis, que achei absurdamente genéricos. Eu queria ter me impressionado de imediato, afinal de contas uma das coisas que mais vendeu o jogo foi o visual fenomenal né?

Porém o início é com um ambiente mais do que genérico, simplesmente pegaram um monte de coisas e espalharam, formando um cenário qualquer, parecendo um remake de alguns cenários do primeiro jogo, mas se for isso mesmo, escolheram logo algo não interessante. Logo comecei a me perguntar se eu ia jogar até o final em um ambiente como aquele.

Quero dizer, não basta espalhar um monte de elementos de forma aleatória pra um ambiente se tornar realmente legal né? Esse ambiente tem que ser intrigante de verdade e até o primeiro Alice tinha ambientes que conseguiam deixar qualquer um de boca aberta, como o inesquecível portão gigante voando em um furacão e que as vezes vinha em direção à fase, parecendo que ia bater, mas quando se aproximava, ele abria e a fase passava por seu centro.

Felizmente não demora muito para ambientes realmente bem bolados começarem a aparecer, sendo que Alice fica vestida em uma roupa baseada naquele ambiente. Por exemplo no fundo do mar ela fica descalça e com uma roupa estilo "cigana". Em especial achei fantástico demais a área oriental, tanto no estilo de Alice quanto em todo o ambiente.

Apesar de terem diversos elementos maravilhosos no jogo, como caminhos invisíveis que só podem ser vistos quando a personagem está pequena ou diversos desafios escondidos bem no estilo de jogo à moda antiga. Achei muita coisa mal trabalhada, afinal com a tecnologia que os caras tiveram em mãos pra fazer isso, fico pensando em como não poderiam brincar com a engine do jogo, só que não se esforçaram tanto.

No primeiro, mesmo com a tecnologia extremamente limitada da época, a equipe gostava de brincar com a loucura da personagem. Você entrava em um lugar e pensava "Eu devia voltar e explorar aquele outro lugar primeiro", mas aí você se virava e... "Cadê o caminho? De onde veio essa parede?!". Aqui a equipe não pareceu tão inspirada a fazer esse tipo de coisa.

Mas isso é perdoável ainda, agora uma coisa que me irritou sem sombra de dúvidas foi a presença surreal de paredes invisíveis. Tem isso pra todo lado e é um absurdo você não poder subir em locais minúsculos, e o pior é que é bem aleatório, parece que foi preguiça mesmo, pois tem uns lugares nada a ver que você pode subir e mesmo a personagem podendo dar múltiplos saltos no ar, não conseguia chegar a ambientes baixinhos.

A quantidade de armas é inferior à do jogo anterior, aqui você tem apenas cinco, a faca, um atirador de sal, um atirador de um tipo de meleca, um coelho explosivo e um martelo. Isso me fez falta... No primeiro jogo eu fazia o caos usando múltiplas armas, jogando aquelas estrelinhas que rebatiam nas paredes, atirando cartas, colocando a caixa explosiva, usando a bola de arremesso e mais, aqui são tão poucas e o pior é que mesmo tendo evoluções, só aumentam o dano mesmo, você não vê um super efeito novo ou algo assim.

Nossa, como desci o cacete no jogo né? Até faz parecer que ele é horrível e completamente sem originalidade, mas não é bem assim. O negócio é que sou fã do primeiro, então eu esperava muito mais, no entanto não quer dizer que o jogo é ruim, apenas acaba parecendo não tão bom assim pra quem viu o que foi feito antes.

O jogo tem seus elementos fantásticos, começando pela beleza em diversos elementos, Alice é tão bem detalhada, o cabelo dela dá um baita de um charme, sempre há uma ventania no lugar que o está lançando para algum lugar e você nota bem isso quando está em movimento, seja para a lateral, seja para o rosto dela.

Durante os combates há belos efeitos, você pode se teletransportar e aplicar sequencias, isso dá uma sensação bem frenética, especialmente quando se luta com múltiplos inimigos, sendo que eles também foram bem trabalhados, cada um tendo uma fraqueza própria e obrigando você a lutar de maneiras diferentes, lançando projéteis de volta, quebrando bloqueios, esperando momentos certos para atacar, etc...

Especialmente os cenários do meio do jogo pra frente são fenomenais, em especial achei maravilhoso o castelo de cartas voador. É fantástico sair correndo e vendo o céu ao fundo, sendo que as cartas se movimentam de acordo com o lugar onde você está. Ou seja, se você sair correndo com tudo, saltando, vai ver o caminho surgindo pouco à sua frente.

Vez ou outra há uma variação brusca na jogabilidade do jogo, isso é algo que pode agradar ou fazer as pessoas odiarem. Por exemplo vez ou outra você assume o controle de um barco com visão lateral e tem que atirar em tubarões e desviar deles enquanto a câmera vai se mexendo, estilo jogos do gênero STG.

Há outras coisas como você entrar em um quadro e a jogabilidade muda para um jogo de plataforma em 2D, assim como um tipo de xadrez que você deve jogar de vez em quando e um puzzle daqueles que tem uma figura e você tem que ir movimentando as peças até conseguir formar direitinho o que está ali.

A quantidade de ambientes secretos é imensa! Você pode a qualquer momento apertar o botão para Alice ficar minúscula e nessa forma é possível enxergar anotações escritas em um tipo de "luz negra" pelo ambiente. Também é possível atravessar caminhos escondidos nas paredes e enxergar plataformas invisíveis, que você pode andar quando estiver grande, mas sem ver e assim há vários momentos em que a personagem "Caminha no ar".

Enfim, Alice: Madness Returns é um bom jogo, a experiência é interessante, não digo que me apaixonei completamente porque eu realmente estava esperando mais do que as pessoas que tiveram essa experiência pela primeira vez, no entanto não me admira ver as notas dele serem Muito Positivas na steam. 

Esse jogo não está mais a venda na steam. Vale a pena dar uma conferida no site da G2A pra ver o preço que está lá, pois eles costumam vender keys da steam por um valor bem mais barato que na própria steam e ainda aceitam boleto bancário. Dê uma conferida no preço que tá lá, clicando aqui.

Nenhum comentário: