Temporario



Jogos | Séries | Filmes | RPG e Tabuleiro | Animes | Creepypastas | Quadrinhos | Livros | Mapa do Blog | Sobre o Blog | Contato |

quinta-feira, 19 de maio de 2016

A fúria do Cão Negro | Esse é pra quem curte uma chacina

-Eu sou Ultan, forasteiro. E espero que você tenha um bom motivo para me perturbar desse modo! 
-Estou aqui para matá-lo. Será que esse motivo é bom o suficiente?

Esse é um trecho do começo desse simpático livro brasileiro do autor Cesar Alcázar e lançado pela editora Arte & Letra. Uma obra curtinha e bem fácil de ler em apenas um dia, além de ter uma linguagem bem simples porém com uma história intensa e empolgante, o que faz com que naturalmente o leitor comece a ler e acabe devorando inteiro de uma só vez.

Em A fúria do cão negro temos um ambiente histórico, se passando em tempos antigos. Sabem o cenário apresentado na série Viking sobre o primeiro encontro entre dois mundos? Quando aquela cultura teve o primeiro contato com o cristianismo? Pois é, nesse livro as coisas se passam pouco depois daquele período, mostrando como a religião cristã se tornou a nova religião oficial de diversos povos.


Eu achei bem fantástico ver uma história que se passa nesse tempo, é algo tão diferente, a forma como os personagens falam com vergonha sobre antigamente seguirem "falsos deuses". O jeito que aqueles que ainda continuam com essas crenças são desprezados pelos que adotaram o cristianismo e claro o ódio que o impacto cultural naturalmente acaba gerando.

O livro tem fortíssimos elementos do gênero Sword and Sorcery, ficando a um passo de ser uma obra que usa inteiramente todos os elementos desse estilo, só não sendo por completo graças a mudança constante de personagens. Mas ainda assim a narrativa em si aplica constantemente as técnicas de obras Sword and Sorcery.

Sendo assim o que temos aqui é um guerreiro extremamente amargurado em uma busca por vingança pela morte de uma querida amiga. Ele vaga pelas terras de um poderoso senhor em busca de cada um dos responsáveis, arrancando suas cabeças e partindo para o próximo da lista. Esse homem se chama Anrath, porém é mais conhecido como Cão Negro e é implacável em suas missões.

Uma coisa curiosa é que li esse livro um dia depois de ter lido A Sombra do Abutre, e tenho que dizer que ficou difícil não comparar as obras. Os protagonistas pareceram o mesmo, um homem enorme com uma baita de uma espada e pronto para lutar de forma brutal. E os combates com uma carnificina rolando solta e cenas bizarras com espadas partindo gente ao meio.

Mas diferente dos personagens de A Sombra do Abutre, infelizmente não gostei muito da atitude dos personagens de "A fúria do cão negro". Eles parecem muito "Eu tenho que mostrar que sou bonzinho". Tem narrações que achei desnecessárias e que forçaram um pouco pra cima do Anrath e sua bondade no coração.

Por exemplo quando ele tá correndo desesperadamente e forçando o cavalo, o narrador tem que falar que o protagonista tá fazendo isso mas não é porque é malvado, ele tá com pena do cavalo! Ou quando ele liberta um personagem e vê que os outros olham tristes querendo também ser libertos. Nesse momento a narração sobre o que o protagonista sentiu foi: "a melancolia tomou conta de seu peito".

Sinceramente eu acho que o negócio força demais pra mostrar que o protagonista tem uma alma boa e iluminada. E eu não to falando que o personagem não possa ser bom e tudo mais, porém do jeito que as coisas são narradas, parece que há um temor imenso de que o leitor em algum momento pense algo de ruim sobre o Cão Negro, o que chegou em um ponto que comecei a pensar "Tá, tá, eu já saquei que ele é um homem maravilhoso! Por fora é um bruto mas por dentro é uma flor!", não me iria surpreender se em algum momento o autor colocasse o protagonista chorando por criancinhas passando fome.

Ok, eu já desci o cacete no livro, mas eu queria apenas falar primeiro desse incômodo que senti porque de resto é um livro fantástico pra caramba! Realmente uma daquelas obras que são genuinamente gostosas de se ler, você não vê o tempo passar. Com a linguagem simples que o autor usa de repente você se assusta com o tanto de páginas que já devorou.

A narrativa é feita em pequenos capítulos que variam bastante de personagens, e não se limita apenas aos heróis, vai desde soldados corruptos até os vilões principais da história. Sempre apresentando pontos de vista próprios, medos, crenças e linhas de pensamento bem peculiares. Um em especial que me chamou a atenção foi um padre fanático. O autor não mostra apenas um cara malvado e pronto, ele realmente acredita naquilo e fica tentando compreender o que fez de errado para deus castigá-lo.

Então cada personagem tem seu jeito de ser, tem seus toques de hipocrisia, mas defendem aquilo. Em seus capítulos você sente bem que o personagem segue uma lógica em seu jeito de ser. Existe uma profundidade em cada um deles, não é o tipo de livro onde existem os bonzinhos e os malvados e pronto.

O universo apresentado também é bem fantástico, fiquei surpreso em como o autor conseguiu apresentar um ambiente tão gigantesco em um livro tão curto. É falado sobre as terras do lugar, intrigas locais, cultura, passado de personagens. Sem perceber você vai se familiarizando muito com tudo.

Enfim, A fúria do Cão Negro é um ótimo livro para se passar o tempo, algo direto ao ponto e que mesmo assim consegue transmitir uma atmosfera intensa de amargura, vingança. Aquele tipo de obra que te leva pra dentro dela, realmente muito legal! Quem se interessar o livro está a venda em diversas livrarias.

Um comentário:

alex5432 disse...

Nossa parece ser muito bom, até me deu vontade de ler. Sobre isso do narrador descrever muito o que o personagem sente pra não fazer ele parecer malvado acho que justifica-se justamente por ser de um autor brasileiro, porque sabe como estão as coisas hoje em dia, basta fazer um coisa que possa ter mais do que um sentido, mesmo que você não tenha feito por mal, todo mundo cai em cima de você... por isso eu acho que no livro ele deve ter tentado amenizar a violência com essas narrações pra não ser alvo de coisas como "olha como esse livro é sádico e ofende a religião, esse cara é um mal pra sociedade", infelizmente as coisas estão assim hoje, embora acho que isso não fosse realmente acontecer por ser um livro, logo sendo um tanto quanto mais difícil de atingir um publico ignorante assim...