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segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Nas Montanhas da Loucura - Muito terror na Antártida

Antártida? Antártica? Polo Sul? Ah tanto faz o nome, o negócio é, vai dizer que aquela região não é fascinante? Tão misteriosa e diferente, enquanto outros lugares da terra são fortemente habitados, lá é um grande continente gelado e de vida difícil. Quando você vai pesquisar acaba achando tantas curiosidades, sabiam que não existe urso polar no continente antártico? E sabia que não existe pinguins no polo norte? E essa é apenas uma curiosidade pequena em relação ao tanto de coisas relacionadas à Antártida, o que mais não deve ter lá? Que mistérios não podem estar congelados ali?

Hoje vou falar sobre um livro espetacular, que foi completamente influente na cultura pop, aparecendo direto obras que bebem dessa fonte, mas foi além! E sua influência conseguiu até mesmo incentivar o meio científico. Para falar a verdade existem diversas obras da ficção científica que ajudam tanto a elaborar ou aperfeiçoar invenções, quanto a bolar ou incrementar teorias. E no caso de At Mountains of Madness (Nas Montanhas da Loucura), está no segundo grupo.


Mas o engraçado é que quando você pensa em ficção científica que incentivou teorias, você imagina algo como a Dobra Espacial (viajar na velocidade da luz de um ponto a outro do universo), que nasceu em Star Trek e depois começou a ser realmente pesquisados por cientistas. Mas aqui a coisa é inusitada, estamos falando de um livro de terror de ficção científica.

A história do livro tem início em setembro de 1930 e apresenta o Dr. William Dyer, um arqueólogo da universidade de Miskatonic, e que recebe um orçamento para liderar uma expedição até a Antártida. O grupo é composto com profissionais muito bem capacitados e equipados com instrumentos poderosos para perfurarem o gelo.
O grupo se divide em dois, um ficando na base e outro sai em pesquisa de campo, liderado pelo Dr. Lake. Na expedição acabam achando uma caverna lotada de fósseis, porém o surpreendente é que muitos dos seres são desconhecidos, e mais, acham espécimes conservados de seres de uma era antes dos humanos, antes dos dinossauros, antes de qualquer forma de vida conhecida. As informações são passadas de hora em hora por rádio para os membros do acampamento principal.

No entanto a coisa começa a a ficar intrigante mesmo, quando o rádio para de mandar informações e o contato é perdido com o acampamento de Lake. A partir daí o suspense é um verdadeiro espetáculo, as coisas vão ficando cada vez mais tensas e você se sente ansioso em saber o que vem depois e o mistério vai ficando cada vez mais intenso.
Sério, esse livro é um espetáculo, você vai cada vez mais descobrindo coisas novas e ficando intrigado com aquilo. A forma que o horror vai aparecendo te deixa arrepiado, ele vai sendo revelado bem de mansinho, como se estivesse chegando mais e mais perto sem você poder ver. A sensação de que a qualquer momento a coisa vai estourar é constante.

Um detalhe que se destaca nesse livro é algo que faz as pessoas amarem e odiarem, dei uma olhada em umas análises e vi que sempre citam isso, que é a quantidade de descrição que o autor faz. Ele descreve de uma forma extremamente detalhada cada lugar. Você fica abismado com a quantidade de detalhes pequeninos que são feitos.

Normalmente eu não gostaria de um livro assim, gosto de coisas mais direto ao ponto, acho um saco quando autores pegam um objeto e fazem uma descrição absurdamente minuciosa da coisa, isso porque eu quero saber da história e não do lindo copo de porcelana que o personagem viu. No entanto aqui a coisa é diferente e estou no grupo de pessoas que amou isso dos detalhes.
O que torna de tão mais atraente nesse, é que as descrições são com detalhes científicos e apresentando a visão de um cientista sobre a coisa. Sendo assim, quando um espécime é encontrado, ele apresenta todas as medidas, como parece, pequenos detalhes, tudo. É impressionante demais, ou você pula essas partes, continuando a ler, ou você para e monta aquilo, desenha e vê com os seus próprios olhos o que o autor tá falando.

Sério gente, é muito fantástico, ele faz isso tanto com espécimes quanto com o cenário em geral e tem cenários que você QUER saber como são mesmo, porque as coisas que vão sendo mostrada no livro são intrigantes e te fazem pensar "Caracas meu, que coisa louca que esses caras estão passando!", isso é muito surreal.

Ah sim, eu esqueci de falar, esse é um dos livros do meu amor, o H.P. Lovecraft, uahahaha qual é? Vão dizer que vocês já não estavam desconfiando né? E aqui existe referência a diversos outros elementos dos Mitos de Cthulhu, aliás, se você quer começar a entender o autor de verdade e ir a fundo no que ele tem a mostrar, essa é uma obra introdutória perfeita, aqui nós vemos citações de coisas como o livro maldito Necronomicon por exemplo.
Mas ao contrário do que possa parecer, aqui as coisas não são nem perto de parecerem sobrenaturais, é tudo muito científico mesmo. Eu sinceramente não consigo deixar de ficar abismado em como uma pessoa que não é formada na área tem a capacidade de escrever esse livro. São páginas e páginas com descrições técnicas tão detalhadinhas sobre arqueologia e mostrando a visão científica da coisa, que não dá pra crer que Lovecraft nem mesmo recebeu o diploma do ensino médio. O cara era um gênio, sério!

Você se sente um verdadeiro cientista com o livro sendo em primeira pessoa, dessa forma as coisas são apresentadas e explicadas constantemente, e não é preciso nem entender exatamente pra que servem as coisas, você simplesmente vai acompanhando. Como por exemplo quando ele fala sobre a furadeira usada na expedição para romper o gelo, a descrição é essa:

"O equipamento de perfuração de Pabodie, como o público já teve ocasião de tomar conhecimento por nossos relatórios, representou um avanço sui-generis e radical, por sua leveza, facilidade de transporte e capacidade de combinar o princípio da broca artesiana comum com o princípio da pequena broca circular para rochas, de maneira a furar rapidamente camadas de dureza variável. Cabeçote de aço, hastes articuladas, motor a gasolina, torre retrátil de madeira, instrumental para dinamitação, fiação, trado para remoção de detritos e tubulação em seções para brocas de 12,5 centímetros de diâmetro, que chegavam a trabalhar a 300 metros de profundidade — tudo isso, mais os acessórios indispensáveis, não representava peso proibitivo para ser puxado por três trenós de sete cães. Isso era possibilitado pela notável liga de alumínio de que eram feitas, na maioria, as partes metálicas."

Tipo assim, como o cara sabia de todos esses detalhes de um equipamento de perfuração no gelo e ainda deu detalhes de uma forma aperfeiçoada que ele inventou pro livro? É fascinante demais poder ver esse tipo de coisa e pensar no quanto ele teve que pesquisar pra fazer uma descrição dessas aí. A coisa ainda se estende a interpretações arqueológicas, ou seja, chega em um ponto que o personagem começa a falar a história do que aconteceu ali no passado.

E se fosse só esse textinho e aparecesse de vez em quando, tudo bem, mas não, o livro é todo em primeira pessoa e não tem a fala dos outros personagens, é ele contando o que aconteceu, ou seja, O TEMPO TODO é ele dando detalhes sem interrupção. Se eu fosse descrever um negócio desses aí em uma história minha seria "Nós tínhamos uma furadeira mais avançada, desenvolvida pra destroçar gelo com mais potência" e certamente todo mundo iria levar numa boa, mas ele não, o cara mostra que sabe mesmo do que tá falando, é lindo de ver!

Enfim galera, eu poderia ficar falando o dia todo aqui de quanto esse livro é incrível e no tanto de coisas que ele influenciou, mas decidi que depois vou fazer matérias próprias sobre a influência, a expansão Mountains of Madness do jogo Eldritch é baseado nesse livro. Assim como tem obras inusitadas que sugaram dessa fonte, por exemplo O Enigma de Outro Mundo ou mesmo o filme Prometheus. No Brasil ele foi lançado por diversas editoras.

Obs: Não recomendo ler outras análises, as que vi o povo contava as descobertas até o final do livro e só não falava o último momento, essa gente não sabe ficar sem contar spoiler não. ¬¬

6 comentários:

Douglas Scafutto disse...

link pra download de um PDF bacana do livro?

fabiomartinsm disse...

Cara, o Lovecraft era mesmo um gênio em todas as definições da palavra. Não me admira que ele escreva com precisão científica, quando ele era pequeno ele se alfabetizou sozinho e a prosa dele foi muito desenvolvida quando ele era jornalista.
Tu já leu aquele conto do Neil Gaiman chamado "Um Estudo em Esmeralda"? É uma união do universo do Conan Doyle e do Lovecrat.

Skywalkerpg disse...

Não vi não, tem muitos autores que fazem homenagens bem fantásticas mesmo. Os Mitos de Cthulhu dão uma liberdade criativa espetacular.

Matt Kist disse...

Hmmm, me fez lembrar um antigo game pra PC, um adventure que eu nunca zerei... Prisoner of Ice
...
Inclusive, acabo de pesquisar... não é a toa que sua postagem me fez lembrar do jogo, esse jogo é baseado nesta obra! O.O
Loucura...

Skywalkerpg disse...

Sim é como se o jogo fosse a sequencia do livro. =D

Miya Seat Lee disse...

Há anos quero ler esse livro, mas só achava em inglês e tenho preguiça... Pretendo lê-lo assim que finalizar a leitura de alguns quilos de livros pendentes!