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[Conto] Senhor Remorso

Antony sempre andava com os olhos fixos no celular, constantemente conversava com sua grande amiga Morgana. Bela garota de cabelos negros e lábios carnudos, embora fosse uma linda garota quase mulher, não tinha nenhuma atração por ela. Mas sabia que ela possuía interesse nele.
Estava caminhando de volta para casa, era por volta das 23 e 45. Uma noite sem luar de quase nenhuma estrela reluzente no pio céu, deveras sinistra para os mais corajosos amantes das sombras para se contemplar.
Não era comum ver andarilhos naquela hora perambulando pelas escuras ruas de Dirley, porem naquela noite fatídica Antony tivera um pequeno imprevisto, talvez fora o castigo "neste mundo se paga todas as dividas", pois não há outro. sua conta escorri lágrimas de sangue e estava na hora de quita-la.
Não fora a três dias que vândalos quebraram todas as lâmpadas dos postes da rua Nalp, duas antes da Dona Faliz, na qual situava sua casa. Estranhamente todas as casas estavam com as luzes apagadas, mas ao virar na esquina nem percebera, pois suas atenções estavam no seu celular, que na escuridão reluzia com força seu rosto magro e cabelo castanho pouco desgrenhado.
De repente um dos postes no final da rua começou a piscar, insetos sedentos voavam em rodeis torno a lâmpada tosca piscando. Neste momento Antony voltara seus olhos para frente e viu onde estava, um leve arrepio percorreu sua espinha. Olhou para o visor e notou que sua bateria estava terminando, nada que já não fosse esperado, nunca durava muito mesmo.
Com um suspiro decidiu desliga-lo e por no bolso. Olhou para os lados e sentira um desconforto ainda maior, talvez não passasse do primordial medo que todos compartilhamos do escuro ou quem sabe não. Continuou a caminhar, acelerando o passo, não deveria ser a toa que ninguém ficava naquela na rua, poderia ser muito perigoso.
Tentou esvaziar a mente daqueles pensamentos amedrontadores e desnecessários. Ora, pois, já era um homem.
Mas aquele sorriso perdurava em sua mente toda vez que fechava as pálpebras ao piscar. Aquele sorriso puro, lábios vermelhos e dentes perfeitos, atraente desejo ao beijo, mas deveria esquecê-la. Seria isso o correto a se fazer? Que honra merecem os mortos se não a vivida lembrança deles?
Ela era tão jovem, bela e feliz... não merecia esse desfecho tão cruel e horrível, diziam aqueles que a conheciam. Um terrível calafrio percorrera novamente seu corpo, o arregalo dos olhos demostrara sua preocupação. Seria o deslize do tênis deixado no seu encalço, uma demonstração de pernas bambas?
Um aperto em seu peito o impossibilitou por um instante a respiração e parecia que seu coração pulsante abandonaria o corpo, tornando-o inerte e gélido. Seus passos diminuíram de velocidade, mas o que estaria acontecendo com ele? Não era de sentir medo, corajoso e destemido eram suas qualidades moderadas.
Sim, talvez fosse culpa.
Aquele sorriso o surpreendera novamente, quão belo e doce aquele sorriso era. De repente um estranho som ecoou atrás de si, uma grande dose de adrenalina lhe fora injetado e o repentino susto o gelou por completo.
-Mais que Diabos! Controle-se... virou supersticioso agora...- disse em voz baixa para si mesmo. Antony se considerava muito inteligente para acreditar nestes tipos de conceitos frívolos.
Uma leve pontada de dor em sua cabeça o atordoou, franzindo a teste, levou a mão direita ate a cabeça. Sua visão estava turva e embaraçada, nada de preocupante. Os passos lerdos e pesados de seu tênis parecia soarem como estrondo no chão, perdurando por segundos. Antony levara as mãos aos bolsos da calça e começou a rir.
-Deixa de ser idiota! Ela esta... bem é somente minha imaginação- muita coisa nasce primeiro na imaginação, seres horríveis e cruéis existem na mente de cada um-. Tenho que chegar logo em casa, já estou com muito sono- risos-, estou falando sozinho, ora.
Os risinhos foram imperceptíveis, quase nem os escutou. Mas a atmosfera mudara bruscamente, tornou-se mais pesada e desesperadora, uma gota de suor brotava de sua testa. A respiração ofegante tornava o ar ardente, adentro das narinas, engolindo ar e em seco. Não conseguia se mover, paralisou. Outra vez os risinhos, desta vez acompanhada de uma delicada, mas maligna voz:
Ora... ora... Anna...
Aquele nome! Como conhecia este nome, não, por que lhe dissera este nome? Achou que nunca mais haveria de ouvi-lo, um nome que escondia um segredo sinistro...
Anna. Meu coração pulsava quando pensava nesse nome. A dona do sorriso que me perseguia. Tão jovem e bela, de fato uma morte prematura. Me recordo de seu caso em poucos segundos, bela garota é encontrada morta seminua em sua cama.
A causa da morte foi envenenamento, após sua morte fora empunhada uma faca em seu ventre. Não mais estranhas que as circunstancias da morte, não havia sinais de luta nem de invasão, e logo a linha de investigação quanto a suicídio foi descartada. Não se enquadrava em nenhum perfil de vitima, não possuía inimigos, tendências suicidas, nem depressão, nem problemas financeiros. Era fora do contexto.
O caso foi fechado como latrocínio, mas o assassino e o que foi roubado nunca foram descobertos.
O suor percorria seu rosto, uma gota percorre sua bochecha curvando seu queixo pontudo e por fim, escorrendo em direção ao chão. O som da gota se chocando pode ser ouvido e seguido de um súbito som de correntes arrastadas.
Seus olhos se arregalaram e girou sobre seu corpo. Nada. Não havia nada atrás dele, uma sensação de alivio percorreu seu corpo. Descansou o corpo, baixou os braços arqueados e passou a mão no rosto terminando na sua nuca. Limpou sua mão na causa e então começou a se virar de volta para seu caminho. Como se com um rufar estrondoso de tambores a silhueta negra pairava em sua frente.
Deixou escapar um suave gemido. Paralisado não conseguia respirar, ao pensar em mover um dedo era como usar todas suas forças para mover um carro de lugar, impossível.
Era alto, totalmente negro, sem cabeça, robusto de ombros largos, tronco grosso que afinava na cintura e longos braços. Nenhum mínimo movimento de sua parte, nenhum som ou grunhido, nada além de um silêncio esmagador, mas não mais que a presença desse “ser”.
De repente um sorriso macabro apareceu, onde seria o peito do espectro preto.
-Não!- conseguiu gritar- Não pode ser você...
Juntamente com o sorriso dois olhos surgiram lentamente, depois um nariz e agora se dava para ver com mais clareza. Cabelos loiros (mais para castanhos) cresciam lentamente. A agonia dentro de Antony o dominava mais e mais. Um sentimento assustados, medo, ansiedade, fraqueza, vertigem, seu corpo estava esquentando e seu coração batendo a cada segundo mais acelerado, o sentia pulsar em sua garganta que por sua vez parecia que estava inchada e dolorida.
-Não, não, não, não pode ser você... não você... como?- uma voz grave e choramingona saia da boca de Antony.
-Olá querido- disse o belo rosto tão familiar para ele.
-Não, não. NÂO!... eu.. eu te matei naquele dia Anna- sua voz se tornou ainda mais grave ou pronunciar seu nome- matei... voc...
Culpa. O que estava causando tantos sintomas de uma só vez, era a culpa. Um sentimento forte e impiedoso, capaz de matar de torturar de brincar e rir do horror. Horroroso, medonho, cruel, assim foi chamado o assassinato de Anna, que nunca tinha apontado nenhum remorso na mente de Antony, ate agora.
Olhava aterrorizado para aquele rosto flutuante frente ao peito do espectro preto. Seu olhar subiu, ia em direção as estrelas, sei queixo cortava o ar em horizontal. Seu olhar agora via a rua atrás de seu corpo, ainda parado e sem ter se movido. Em pleno ar agora sua cabeça caia de vagar. Ao bater no asfalto um som oco soou, ainda podia ver aquela coisa parada ali, observando com aquele sorriso. Imóvel e tão bela.

Amada Anna.

Autor: Brian Eleandro

Esse é um dos contos que concorreu no concurso de contos de terror do blog.

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3 Comentários

  1. O rapaz era um psicopata né? Porque eu não entendi a motivação para ele ter assassinado a Anna.
    OK...
    Vou supor que o "Antônio" tentou estuprar a Anna, e não conseguindo, assustado com a repercussão que essa tentativa de estupro causaria em sua vida, em um gesto ainda mais egoísta que a própria tentativa de estupro, assassinou-a com a faca, e fugiu. Isso explicaria o corpo seminu na cama, mas mesmo assim não explicaria o envenenamento e nem a incompetência da polícia ao dizer que foi um latrocínio.

    No fim do conto, a entidade corta a cabeça do "Antônio", certo? Isso eu tenho quase certeza.

    Achei o conto bom, mas fiquei confuso. Não que isso seja algo ruim. Talvez deixar as coisas inexplicadas e abertas à interpretações seja um ponto forte do conto. Porém iria gostar se o author me explicasse, na visão dele, o que aconteceu no background desse conto.
    ;)

    Alguém mais quer compartilhar a interpretação do que aconteceu com esses jovens?

    E a Morgana? Será que o "Antônio" pretendia assassiná-la também? Ou será que talvez ainda vá, porque não tenho certeza absoluta de que ele morreu... afinal, Antônio pode ser um cara demente, e ter visto coisas pelo impacto da culpa.

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  2. Confuso, acho q a Anna estava gravida e o maluco não queria o bebe, fez ela tomar o veneno e pra garantir o serviço meteu a faca na coitada! Ò_Ò

    Outra explicação seria um ritual de invocação, com direito a sacrifício e tudo. Vc soma faca no ventre + uma vida humana inocente = dah para invocar alguma coisa sinistra

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  3. Pela quantidade de dúvidas que o conto deixou já acho que o trabalho do autor valeu a pena!

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