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quinta-feira, 4 de setembro de 2014

[Conto] O guardião da falsa fé

Mais um conto que salvei dos tempos do orkut e vou postar aqui pra manter guardado. Ò_Ò
Samuel era um líder religioso que já tinha passado por varias cidades, nunca parou mais de dois anos no mesmo lugar, sempre mudou de cidade e de igreja. Ele tinha um ótimo carisma e poder enorme de convencimento, por todos os locais que passou, criou multidões de fiéis, fiéis cujos quais nem imaginavam a ambição que Samuel carregava, ele fazia fortuna em cima da fé das pessoas, e quando via que já era o bastante antes de desconfiarem de algo, ele saía da cidade e partia para a próxima e assim seguia sua vida de estelionato.
Mas em uma das suas cidades escolhidas, Samuel finalmente cometeu um erro, o pegaram gastando dinheiro com prostitutas, o “religioso” soube o que fazer imediatamente. Sumir por uns tempos, e foi então que ele decidiu escolher uma cidadezinha pequena, no meio do nada. A Igreja do local era abandonada, mas as pessoas acreditavam em deus, o que faltava era apenas um empurrão, e Samuel era esse empurrão. Em pouco tempo a igreja já estava funcionando, ele sabia que não ia conseguir extorquir muito dinheiro naquele fim de mundo, mas enquanto sumia por uns tempos podia “aprimorar a técnica”, ele não ia querer estar enferrujado quando voltasse a ativa, já tinha conseguido demais para abandonar esse luxo. Sim, seria um sacrifício, porém necessário. E assim todas as noites, exceto sábados, estava lá ele “pregando” e fazendo exorcismos, ele tirava demônios que não existiam, e as pessoas saiam felizes daquele lugar. Samuel não se achava uma fraude “Eles me dão o que eu quero, e eu falo o que eles querem ouvir, alem de se sentirem tranquilos. É uma troca mais do que justa.”.
Em uma das noites, lá estava o “religioso” falando:

-Nós temos que nos livrar das garras do inferno, e Deus é a única salvação para isso! Ele é a luz da nossa vida.
E então uma voz vindo de um dos bancos falou:

-Balela! Nem você acredita no que está falando. 

Samuel olhou surpreso para a direção de onde veio a voz, ele queria ver quem foi tão ousado de dizer algo assim, e fixou o olhar em um homem, com um longo manto e capuz preto cobrindo seu rosto , que continuou a falar:

-Olá Samuel, faz tempo que venho acompanhando você de cidade em cidade, depois do seu papelão na ultima cidade em que passou, decidi vir assistir como seria na próxima cidade.

Samuel sabia exatamente do que ele estava falando, com certeza era mais um dos irritantes religiosos que o perseguiam as vezes, com certeza mais por inveja do que por desconfiança, porém após o seu descuido, eles ganharam muitas armas para acabarem de vez com ele, mas não iria passar a vergonha de assumir aquilo na frente daquelas pessoas, então continuou com o seu teatro:

-Irmão, eu o convido a vir até aqui para que eu possa orar por você.
-Orar por mim? É você que precisa da salvação, não eu. – Disse o monge com voz de desdém.
-Eu sinto uma presença... Venha até aqui para que eu possa mostrar o caminho a você.
Dessa vez o homem e levantou e foi até o altar e Samuel agora mais confiante disse:

-Sim! Eu irei tirar todo o mal que está no seu corpo, essa entidade irá sair e nunca mais vai voltar.

E então Samuel levou as mãos ao capuz do homem e o tirou, logo depois ouvindo um som abafado de gritos vindo dos fiéis, todos se surpreenderam ao ver a figura a baixo do capuz. Não era a cabeça de um homem mas sim uma cabeça de fogo com longos chifres e dentes brancos, afiados, carregando um enorme sorriso, logo a coisa disse:

-Faz tempo que eu estou esperando para te levar, você trabalhou muito bem por mim, mas está na hora de se juntar aos outros como você.  

Samuel deu passos para trás, tropeçando e caindo, o demônio o segurou pela perna e foi em direção à porta arrastando-o, os gritos do religioso ecoavam pela igreja e todos o observavam afastando-se horrorizados. Ao sair da igreja, o demônio o arrastou pela estrada que ficava em frente a aquela cidade. Os gritos do homem ecoavam pela noite, depois do ocorrido nunca mais ninguém o viu, porém os moradores dizem que em algumas noites ainda se pode ouvir os seus gritos de desespero vindo da estrada.

[FIM]

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