Esse é um conto interativo, antes de ler essa parte, leia os capítulos anteriores para você não ficar perdido sem entender nada.
Capítulo 37 Capítulo 38 Capítulo 39 Capítulo 40 Capítulo 41 Capítulo 42
Capítulo 43 Capítulo 44 Capítulo 45 Capítulo 46 Capítulo 47 Capítulo 48
Capítulo 49 Capítulo 50 Capítulo 51 Capítulo 52 Capítulo 53 Capítulo 54
Capítulo 55 Capítulo 56 Capítulo 57 Capítulo 58 Capítulo 59 Capítulo 60
Capítulo 61 Capítulo 62 Capítulo 63
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Capítulo 49 Capítulo 50 Capítulo 51 Capítulo 52 Capítulo 53 Capítulo 54
Capítulo 55 Capítulo 56 Capítulo 57 Capítulo 58 Capítulo 59 Capítulo 60
Capítulo 61 Capítulo 62 Capítulo 63
I
Estou em cima de meu prédio, a primeira vez que vim aqui, eu deveria ter uns dez anos de idade. Me lembro que eu tinha muita vontade de saber como era, um dia subi até o último andar e vi que tinha uma porta e eu sabia que atrás dela tinha a escada que me faria chegar ao topo do prédio. Eu nem pensei em pedir ao porteiro para subir, afinal era claro que ele não iria deixar, então decidi arrombar em uma hora que todo mundo tivesse ocupado. A casa do porteiro fica em baixo do prédio, e no dia seguinte eu fiquei andando por perto antes da hora do almoço até ver a mulher dele o chamando para almoçar. Nessa hora corri, subi a escada e arrombei a porta, não foi tão difícil, acho que eu tava muito empolgado e por isso arrebentei fácil.
Na primeira vez que coloquei os pés aqui, eu fiquei com medo, um vizinho podia ter ouvido e eu tinha que ser rápido. Eu queria ver tudo, mas na primeira vez não fui até a beirada, eu imaginava que tinha alguém comigo e essa pessoa podia me empurrar assim que eu olhasse pra baixo, então fiquei no meio, olhei ao redor. Foi muito bom, eu fui embora e pelo resto daquele dia fiquei pensando se deveria voltar, mas acabei deixando pra lá. Em alguns dias minha mãe ficou sabendo, perguntou se fui eu e claro que eu disse que não, nunca falei pra ninguém. Mas acho que ela e o porteiro sabiam que era eu, eu sempre fui assim. No fim o porteiro arrumou a porta e arrombei de novo, foram várias vezes até ele colocar apenas um pedaço de madeira na frente e deixar pra lá. Até hoje nunca fui pego mas sei que ele tem muita vontade de um dia me encontrar aqui.
Ouço um som atrás de mim e olho, vejo que é o Chaminha, ele está andando em minha direção com uma cara de assustado. Odeio quando ele faz essa cara, parece um retardado e me lembra o Augusto, mas eu gosto dele apesar de ter esse jeito de nerd que me dá tanta raiva. Ele é diferente daquele idiota que mesmo morto consegue me fazer ter vontade de dar uma surra nele. Então ouço Chaminha dizer:
-O que você está fazendo aqui em cima?
-Passando o tempo, e você como descobriu que eu estava aqui? São seis da manhã.
-Você tinha me falado que às vezes subia aqui e que ia me mostrar quando o porteiro não estivesse. Eu acordei e você não estava no quarto e nem na casa e a porta estava aberta, então fiquei um pouco assustado e estava indo embora quando lembrei do terraço, mas eu não esperava realmente te encontrar aqui.
-Entendi, eu não consegui dormir depois que conversamos, fiquei rolando na cama a noite toda então resolvi subir aqui pra passar o tempo.
-Entendi, nossa o ambiente aqui é fantástico, você não tinha me falado que era tão bonito, essa ventania forte que está hoje e esse céu cheio de nuvens passando rapidamente me agrada muito. Gosto do tom claro tão forte que está fazendo e sem raios de sol fica ótimo.
-É... Acho que é isso que acho legal aqui... Você ainda tá com medo de mim?
-Eu não vou mentir, é claro que eu estou, você está muito estranho e ontem não precisava ter se vestido daquele jeito pra me contar aquilo.
-Eu sei, mas se você não confiasse em mim, eu não podia contar, não sou idiota.
-Não é o que estou falando, de certa forma entendi a mensagem. Era um tipo de teste, mas foi assustador. Só que eu realmente entendo, depois que você me contou, eu percebi que de certa forma me sinto igual a você. Estou deslocado da realidade, de repente tudo isso começou a acontecer, todas essas coisas estranhas. Eu também não consegui dormir direito, eu devo ter ficado umas duas horas parado pensativo, você me disse que se sentia deslocado da realidade e que por algum motivo quando vestia a roupa de Fantasmagoria, se sentia normal. Deve ser uma sensação muito esquisita, ontem fiquei imaginando que estranho deveria ser ter uma sensação de estar em um sonho o tempo todo e só então percebi que é exatamente a sensação que tenho, que estou em um sonho, mas é tão real que esqueço o quanto é surreal. Estranho né? Real e surreal em uma mesma frase... Me desculpe por ter ficado com medo, e ainda estou, mas não é algo pessoal, mas eu vou me acostumar. Tenho a sensação de que não nos conhecemos por acaso, ou talvez se você não tivesse me conhecido, essas coisas não estivessem acontecendo com você.
-Pode ser...
É por isso que resolvi contar a ele e não para um amigo antigo, o Chaminha é uma pessoa muito esquisita com as palavras, ele parece pensar diferente de outros, meus amigos provavelmente iriam agir feito idiotas ou até querer me fazer de otário na frente dos outros. Mas ele é um cara diferente, é muito esquisito só que confio no que diz. Ele fica olhando para a cidade por alguns minutos, não falo nado, fico imaginando o que está pensando e então ele diz:
-Sabe essas manhãs tem sido incríveis no colégio, as tardes também estão sendo legais, mas me sinto tão bem em ir a um colégio e não ter preocupações, e também as coisas estão melhorando, tudo parece estar tão diferente. Gosto de como o clima está atualmente, essa ventania, é ótimo andar pela manhã e sentir esse frio batendo no corpo. O céu fica espetacular com essas nuvens se mexendo de forma tão rápida, pela tarde esse frio vai embora mas na manhã seguinte posso sentir novamente. Não tenho tido grandes preocupações. Você tem sido um bom amigo, não se preocupe, vou te ajudar como eu puder. Ontem você me falou aquilo sobre os moradores de rua e fiquei um pouco constrangido, espero não ter pensado que sou tão superficial, admiro você por olhar assim as pessoas, apenas como outros humanos, tentarei adotar essa atitude, tenho meus próprios preconceitos mas não me orgulho deles. - Ele me olha e continua dando um sorriso. - Então relaxa cara, vamos resolver isso, já fomos perseguidos por monstros vindos diretamente do inferno, então qual será a dificuldade em enfrentar um investigador que ri mais que uma hiena?
Nós dois rimos, que estranho, essa última parte do que ele disse nem pareceu o Chaminha falando, acho que ele falou desse jeito pra parecer um pouco com o meu jeito de falar. Talvez seja a forma dele de tentar me acalmar e pra falar a verdade, acho que deu certo porque sinceramente eu não sei o que tem a ver ele gostar do vento da manhã com esse policial me enchendo o saco. Acho que fiz a coisa certa em convidar ele pra dormir em minha casa, minha mãe tinha saído ontem, só voltou de madrugada, nem deve ter percebido que ele estava lá em casa. Essa sensação é estranha, eu só me sinto uma pessoa de verdade quando visto aquela maldita roupa, talvez se eu não mostrasse pro Chaminha ontem, eu nunca tivesse outra chance de fazer aquilo. Estou aliviado dele não ter fugido.
II
É fim de tarde, estou andando pela calçada com o Chaminha, hoje andamos por várias quadras conversando, ele é muito estranho, mas o papo foi bom, me deixou menos preocupado. Não jogamos futebol hoje, eu não queria falar com os outros moleques, não estou com paciência pra ouvir falarem besteira.
Estamos chegando em meu prédio quando vejo a pessoa que eu menos queria encontrar agora, o policial. Ele está esperando em frente à entrada do meu prédio, eu paro pra tentar me esconder, mas ele me vê e tento andar normal. Então ele começa a andar em minha direção e diz com aquele sorriso que me faz dar vontade de da um soco na cara do panaca:
-Juntos de novo?
-Eu já falei que não fiz aquela merda! Agora se manda.
-Tão agressivo, se fosse você eu não me dispensaria tão rápido, afinal eu gostaria de mostrar a você o conteúdo dessa fita antes de mostrar para sua mãe.
Ele segura uma fita na mão e sinto meu corpo gelar, que merda terá nessa fita? Eu não fiz nada, não matei ninguém. Ele tem o que gravado? Então pergunto:
-O que tem essa fita?
-Só vendo pra saber, prefere que eu mostre para sua mãe antes?
-Diz logo o que tem nisso.
-Eu já falei, posso te mostrar, vai me convidar para subir?
Minha mãe não está, mas deve chegar logo, droga, não quero que ela veja eu falando com esse cara e nem ao menos que ache que eu matei alguém.
1 - Convidar para subir.
2 - Mandar Mauro ir embora.
Vocês tem até domingo pra votar, apontem erros por favor.
