Esse é um conto interativo, antes de ler essa parte, leia os capítulos anteriores para você não ficar perdido sem entender nada.
Capítulo 37 Capítulo 38 Capítulo 39 Capítulo 40 Capítulo 41 Capítulo 42
Capítulo 43 Capítulo 44 Capítulo 45 Capítulo 46 Capítulo 47 Capítulo 48
Capítulo 49 Capítulo 50 Capítulo 51 Capítulo 52 Capítulo 53 Capítulo 54
Capítulo 55 Capítulo 56 Capítulo 57 Capítulo 58 Capítulo 59 Capítulo 60
Capítulo 61 Capítulo 62
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Capítulo 49 Capítulo 50 Capítulo 51 Capítulo 52 Capítulo 53 Capítulo 54
Capítulo 55 Capítulo 56 Capítulo 57 Capítulo 58 Capítulo 59 Capítulo 60
Capítulo 61 Capítulo 62
I
Hoje é 26 de maio de 1995 e fazem exatamente três semanas desde que Felipe voltou, até agora não entendi direito o que está acontecendo, mas as coisas com certeza melhoraram desde que ele finalmente voltou. Não tenho visto mais as criaturas estranhas e nem me metido em situações grotescas. No começo dessa semana também finalmente fui liberto das aulas de reforço do professor Eduardo, o que fez com que eu tivesse mais tempo para sair, a professora Magali não me perturbou mais desde o dia em que ela escreveu a mensagem no quadro sobre ser uma vadia, ainda me pergunto o que aconteceu. Pra falar a verdade me pergunto sobre muitas coisas ainda, mas resolvi que devo ir aos poucos nessa pesquisa, de vez em quando vou à biblioteca mas isso tem me dado arrepios pois sinto que deveria deixar tudo como está e talvez eu fique em paz. Tenho medo de finalmente essa situação bizarra ter acabado e eu fazer com que volte. Mas não tem como eu simplesmente ficar parado, claro que se as coisas seguirem como estão, será incrível, tenho a inteligência de um adulto e objetivos que sei que posso atingir, posso construir um futuro promissor e mudar completamente a minha vida.
Estou sentado em um banco de cimento da minha quadra esperando Felipe, minha mãe tem me deixado sair, ela está feliz com a falta de reclamações na escola, e assim nesses últimos três dias pouco após o almoço, eu desço para me encontrar com Felipe, mas o engraçado é que o que tem me marcado mais, são as manhãs, ainda não me decidi se devo fingir ser um aluno superdotado e tentar pular várias séries, ou se devo seguir o ritmo certo, mas tem sido divertido impressionar essas crianças, talvez eu esteja sendo infantil em perder tempo com isso, mas realmente está sendo relaxante. Os intervalos também são ótimos, sempre encontro Felipe e ele tem se mostrado um ótimo amigo. Sinto que um dia terei saudades dessas maravilhosas manhãs de maio...
Avisto Felipe se aproximar e me levanto, hoje perguntarei pra ele novamente sobre o que aconteceu, não toquei no assunto na semana passada inteira e nem nessa, mas é sexta feira e eu tinha decidido que iria perguntar mais uma vez. Ele se aproxima dizendo:
-E aí Chaminha, demorei?
-Não, chegou na hora, cara eu quero te perguntar uma coisa.
-O que?
-É sobre o seu desaparecimento, eu tenho evitado esse assunto, mas gostaria de falar sobre ele. Espero que não fique chateado, não quero te pressionar.
-Ta certo. - Ele responde inexpressivo.
-Você pode me contar novamente o que lembra?
-Eu já disse, não sei. Eu não lembro de ter desaparecido, só lembro que estava andando por aí e então fui pra casa. Minha mãe estava uma fera, me xingou mas também me abraço, ela pensou que eu estava aprontando alguma coisa, mas não era isso...
-E então você foi até a biblioteca me procurar?
-Sim, me deu vontade de te ver, fui até sua casa e sua mãe me disse onde você estava e por isso fui te procurar.
Felipe parece tenso ao falar do assunto, no dia que o encontrei, fiquei muito preocupado e cheguei a pensar que era algum tipo de alucinação já que eu tinha presenciado algo estranho acontecendo na biblioteca e quando saí do lugar, ele segurou em meu ombro. Mas demorou pouco para eu me sentir aliviado e feliz. No dia ele não falou nada que parecia ter muita lógica em relação a seu desaparecimento, nos dias seguintes percebi que eu deveria ir com calma, talvez ele esteja traumatizado, eu não sei o que pode ter acontecido com ele. Talvez eu esteja sendo hipócrita em querer que ele seja totalmente sincero comigo e eu esconda o fato de que sou de um outro tempo. Me sinto um pouco idiota em não simplesmente contar isso pra ele, mas ao mesmo tempo sinto que deveria guardar pra mim, ao menos por enquanto. Então continuo:
-Cara, eu realmente gostaria de entender. Mas caso você apenas não esteja pronto para compartilhar o que aconteceu, irei esperar. Mas saiba que pode confiar em mim, afinal te contei sobre o fogo que posso fazer. E ninguém sabe disso, só você.
Ele fica quieto por um instante, percebo que ficou pensativo quanto a isso que eu disse, talvez então ele realmente esteja escondendo algo. Então ele finalmente diz:
-Bom, eu lembro de alguma coisa, mas é confuso.
-O que?
-É como se fosse um sonho, lembro de punhais e gritos, choro e morte.
-Como assim? Lembra de ter visto isso onde?
-Eu também não sei, eu não tenho uma lembrança de um lugar. Naquele dia que você colocou fogo na cerca viva eu lembro de te ver indo embora e depois conversei com o porteiro do prédio, então não lembro de nada depois disso, só essas coisas que não tem nada a ver. É estranho.
-Entendi, se lembrar de alguma coisa me conta, eu acho que tem a ver com as outras coisas que aconteceram.
Após a conversa, fomos andando. Nesses últimos dias eu tenho jogado futebol diariamente com Felipe e os amigos dele. A verdade é que sempre detestei esportes, mas tem sido muito divertido, eu sou o pior jogador e todos riem, às vezes me xingam, mas não fico ofendido, sei que estão agindo por impulso. Esses momentos tem sido incríveis, eles não são os tipos de garotos que eu andaria na infância, pra falar a verdade nem em minha vida adulta eu andaria com eles, mas agora tudo parece muito diferente, me sinto como se estivesse constantemente interpretando. Felipe tem alguns amigos mendigos que às vezes também jogam conosco, e me desagrada andar com eles, essa gente pode ser perigosa e talvez tentem fazer algo de ruim pra mim. No caminho decido perguntar:
-Você não se sente incomodado com os seus amigos moradores de rua às vezes?
-Por que?
-Eu não sei... Geralmente as pessoas procuram evitar.
-Eles são gente também, só não tem casa.
-Eu sei, não foi o que quis dizer. Mas eu digo, você não tem medo deles serem uma má influência?
-Você não gosta deles?
-Não é isso, apenas acho diferente, nunca conheci alguém que seja amigo de moradores de rua.
-Eles são como você e eu, mas ninguém gosta deles porque são sujos, mas o que eles podem fazer? Os caras não tem casa, eles não podem comer algo todo dia, tomar banho, assistir televisão. Eles roubam algo às vezes, mas você queria o que? Que morressem? As pessoas precisam viver de alguma forma e ninguém vai dar emprego pra um mendigo, todo mundo acha que eles vão roubar o lugar, eles nem tem casa. Mas ninguém pensa nisso, todo mundo acha que são só um monte de bandidos que gostam de ser assim. A vida dos caras já são péssimas e eu não vou piorar elas só porque não tem roupas limpas, então eu não me importo de andar com eles, contar piada e quebrar algumas coisas por aí. Eu gosto muito, eles são meus amigos, como você Chaminha.
-Entendi.
Acho que agora percebi o que é que gosto tanto no Felipe, apesar dele ser o verdadeiro tipo de garoto que eu sempre achei muito idiota por ser valentão, ele tem certos pensamentos sem preconceitos que tornam a personalidade dele muito interessante. Me senti um pouco envergonhado agora em ter perguntado isso, bastante fútil pra falar a verdade. Acho que o que ele disse sobre a amizade dele com mendigos é exatamente a descrição da minha própria amizade com ele, somos muito diferentes mas mesmo assim nos divertimos muito. No fim das contas apesar de tudo, ele é uma boa pessoa, talvez todos nós tenhamos uma boa pessoa escondida, mesmo que seja no fundo de nossas almas.
II
Durante o resto da tarde jogamos futebol, dessa vez nenhum amigo mendigo de Felipe participou, de certa forma senti um incômodo com isso. Acho que fiquei me sentindo mal pelo o que perguntei mais cedo a ele e queria provar que não sou preconceituoso, no entanto não tive essa oportunidade, mas acredito que ainda vou ter a chance de mostrar pra ele que não me preocupo com suas amizades. Todos os garotos estão exaustos, eu também estou muito suado, é final de tarde, vamos todos para um gramadão próximo à quadra e sentamos, comemos um lanche que alguns garotos trouxeram. Conversamos e rimos, todos estamos fedendo forte mas ninguém comenta, apenas falamos sobre coisas variadas, comentamos um pouco sobre como foi o jogo, alguns se xingam dizendo que não tiveram culpa de certas coisas no jogo, mas no fim acabamos rindo. É um momento muito bom, eu não considero eles meus amigos ainda, mas essa energia de estar com pessoas tranquilamente sem problemas tem feito muito bem a mim. Após alguns minutos, o ambiente começa a ficar alaranjado, é um ótimo fim de tarde, eu gostaria de ficar até a noite, mas prometi a minha mãe que voltaria antes do anoitecer e não quero ter problemas, tenho seguido as regras e tudo tem ocorrido bem, não quero estragar tudo agora. De repente Felipe se levanta e fala para os rapazes:
-Bom, Chaminha e eu estamos indo.
Eles perguntam o motivo e ele diz que temos alguns assuntos para resolver. Nos despedidmos e saímos, eu sinceramente não sei de que assunto ele estava falando pois não marquei nada com ele. Então pergunto:
-Que assuntos que temos para resolver?
-Nenhum, eu sei que você precisa ir pra casa.
-Não precisava me acompanhar, podia ter ficado lá, o ambiente estava muito agradável.
-Que nada Chaminha, aqueles caras não tem nada a ver com você, e se você ficar indo pra casa mais cedo todo dia, vão acabar pegando no seu pé dizendo que você ta correndo pra mamãe.
-Entendi, obrigado.
Ele realmente não precisava ter feito isso, fico lisonjeado com isso, é uma pena que eu tenha que ir pra casa, é sexta feira e eu gostaria de conversar um pouco mais ou fazer qualquer outra coisa. No quesito diversão os anos noventa são um saco... Eu sei que vou voltar pra casa e ficar assistindo televisão pelo resto da noite. Mas infelizmente eu decidi que vou respeitar os pedidos de minha mãe, a minha liberdade tem aumentado bastante nesses últimos dias, então esse é o tipo de sacrifício que tenho que fazer para que as coisas continuem melhorando.
Ao chegarmos ao meu prédio, avisto um homem familiar vindo em nossa direção, logo percebo que se trata do investigador Mauro com o desagradável sorriso labial que costuma dar. Fazia tempo que eu não o via, desde a noite em que encontrei Emanuel, no entanto isso não quer dizer que seja tempo o suficiente. Sinto um frio na barriga pois ele estar aqui não quer dizer que vá falar algo bom. Espero sinceramente estar errado, no entanto duvido muito. Quando o homem chega perto o suficiente, ele diz:
-Otávio, e você deve ser o Felipe, não é mesmo?
-E você quem é? - Pergunta Felipe.
-Me chame de Mauro, eu sou da polícia e estava procurando por você.
Felipe altera sua expressão pra algo que parece ser uma tentativa de fingir não se preocupar com a situação. Mauro o observa por alguns segundos e então finalmente fala:
-Eu gostaria de fazer algumas perguntas e por isso fui à sua casa e para a minha surpresa descobri que você e Otávio parecem ser bons amigos, então vim aqui e descobri que estavam se divertindo mas logo voltariam. Como esse mundo é pequeno, não é Otávio?
-É... - Digo sem muita empolgação.
-Vocês se conhecem há muito tempo Felipe?
-Não muito, conheci o Chaminha há pouco tempo, mas o que você quer?
-Chaminha? Que nome curioso Otávio, afinal chamas lembram fogo e por algum motivo fogo me lembra você!
Felipe me olha com uma expressão dessa vez claramente espantada, eu havia contado tudo pra ele sobre Mauro, acho que ele percebeu que não deveria ter me chamado pelo apelido pois eu havia lhe dito que o investigador parecia saber de alguma coisa. Acredito que até mesmo eu fiz expressão de susto, pois o homem perguntou com uma voz de satisfação:
-O que foi rapazes? Por que parecem assustados? Toquei em um assunto que não gostariam de compartilhar comigo?
-Não senhor. - Eu respondo.
Ele nos observa por mais um momento, dessa vez com um grande sorriso mostrando os dentes e então continua:
-Mas bom, como falei, eu gostaria de te perguntar algumas coisas Felipe.
-O que? Por que?
-Se acalme, são perguntas simples. Eu fiquei sabendo que você desapareceu por uns tempos, onde esteve?
-Eu não consigo lembrar.
-Não? Como? Amnésia?
-É algo do tipo, não lembro de ter sumido.
-Muito interessante, fiquei sabendo disso também, mas não é o que realmente importa. O que importa é que no dia em que você desapareceu, também desapareceu com você um porteiro e você foi a última pessoa que viram falando com ele, o senhor Maurício. Disso você lembra?
-Sim.
-Perfeito! Você sabe onde ele está?
-Eu não sei, a última coisa que lembro é de ter conversado com ele e depois só lembro de chegar em casa.
-Entendi, bom você deve achar estranho eu vir perguntar isso pra você tanto tempo depois, afinal fazem três semanas que você voltou não é mesmo? Mas aconteceu algo interessante ontem. Acharam um corpo no lago paranoá. Era o senhor Maurício.
-Ele estava morto?
-Se acharam o corpo é porque sim, ele estava morto garoto.
-Entendi. - Responde Felipe com o rosto corando, aparentemente de vergonha e raiva.
-Só que o que mais me surpreendeu, foi a forma que ele morreu. Cortes simétricos em determinados pontos do corpo feitos com uma lâmina. Foi brutal, o assassino sabia o que estava fazendo.
-Entendi. - Diz Felipe saindo.
-Eu ainda não terminei.
-Você não fez a pergunta já? Eu não lembro do que aconteceu.
-Mas tem mais coisas. Você conhecia um coleguinha de sala seu chamado Augusto.
-Mais ou menos.
-Mais ou menos? Ouvi falar que você o adorava, sua principal diversão era se entreter com ele, você sabe né? Bater, xingar, humilhá-lo em público, essas coisas.
-Às vezes eu brincava com ele, mas nada demais.
-Acho que ele não deveria pensar assim, mas isso não vem ao caso, afinal não vamos falar mal dos mortos. Você sabe que ele morreu não é?
-Sim, foi atropelado.
-Escutem garotos, eu posso contar um segredinho da polícia pra vocês, mas que tem que ficar só entre nós? Prometem não contar a ninguém?
Nós dois balançamos a cabeça, estou achando cada vez mais idiota esse Mauro, ele nos trata como retardados, é extremamente irritante o jeito dele de falar. O homem então continua:
-A verdade é que o Augusto não morreu atropelado, essa é só a versão que vocês receberam porque poderia ser chocante demais para crianças, mas ele foi assassinado, e é esse o ponto em que eu queria chegar. Os ferimentos são exatamente iguais ao do pobre senhor Maurício, uma simetria perfeita de punhaladas! E sabe o que é mais curioso? Isso aconteceu exatamente no mesmo dia em que você apareceu Felipe. Isso me leva à pergunta, por que o garoto que você tanto gostava de ver sofrer apareceu morto da mesma forma que o homem que foi visto conversando pela última vez com você? E por que exatamente no dia que você voltou, o garoto morreu? É algo complicado, não acha? Tem alguma coisa a adicionar?
-Eu não sei de nada disso... Não fui eu que fiz essa merda.
-Ei, se acalma garoto, eu não falei isso, falei? Por que está tão nervoso? Afinal se não foi você, não tem como que se preocupar, ou será que tem?
-Eu não sei de nada! Já falei!
-Tudo em, se lembrar de algo, aqui está meu cartão.
O homem entrega um cartão a Felipe e vai embora dando uma leve risada aparentemente de satisfação. Meu coração está acelerado e pergunto a ele:
-Você sabe do que ele está falando?
-Eu não sei de merda nenhuma! Eu vou embora, até mais.
Felipe sai irritado, eu penso em ir atrás, mas já é muito tarde e preciso mostrar para minha mãe que já cheguei. Também estou com um pouco de medo do que Mauro falou, ele estava claramente acusando Felipe de assassinato, será que era verdade tudo aquilo? Não teria porque inventar, afinal o cara é da polícia.
III
Estou em casa, já se passaram duas horas desde que cheguei, mas ainda estou pensativo sobre o assunto. Isso me preocupa, não é um evento sobrenatural como nas outras vezes, no entanto é tão complicado quanto. Me pergunto se as coisas estão prestes a voltar a piorar. De repente ouço minha mãe me chamar:
-Otávio, telefone pra você.
Vou até a sala e atendo:
-Alô?
-Oi Chaminha.
-Oi, você está bem?
-Sim, eu estava pensando, você quer dormir aqui hoje? Amanhã é sábado.
-Eu não posso, você sabe, a última vez que dormi fora não acabou muito bem.
-Mas já passaram muitos dias, e sua mãe já deixa você sair, ela deve saber que nunca mais uma coisa assim vai acontecer, essas coisas não acontecem duas vezes na vida.
-Eu não sei.
-Sério, ao menos pede pra ver se ela deixa.
-Tudo bem.
Vou até minha mãe e insisto, com ajuda do meu pai, ela acaba sedendo, mas ele irá me levar até a casa de Felipe. Fico feliz, mas assim que ela aceita, me pergunto se eu deveria ter feito isso, afinal a conversa que tive com Mauro fez Felipe parecer perigoso. Mas agora não tem mais volta, depois de ter insistido, não posso falar que não quero mais, irão achar que eu estava sendo mimado ou algo assim.
Meu pai me leva até o prédio de Felipe e só se despede quando a portaria abre e eu entro, ele também está preocupado subindo cada degrau. Quando chegou ao apartamento dele, a porta está entreaberta e o ouço dizer:
-Pode entrar.
Entro desconfiado, a luz da sala está apagada, mas a do quarto de Felipe está acesa, vou em direção a ela e quando cruzo a porta, me assusto ao ver sentado na cama uma pessoa vestida com um manto e uma máscara de porcelana com o desenho de um rosto. Eu me preparo para correr quando ouço ele dizer:
-Chaminha, espera, sou eu.
Vejo Felipe tirar a máscara e continuar:
-Você disse que queria saber, e acho que você é a única pessoa que posso contar isso que vai me entender um pouco. Não fui eu que matei o Augusto e o porteiro. Confia em mim como confiou antes pra me contar sobre o fogo.
Meu coração está acelerado, onde está a mãe de Felipe? Por que ele simplesmente não me contou o que teria sem precisar me assustar desse jeito? Eu realmente não sei se devo confiar nele por mais que me agrade a companhia, de repente tudo ficou muito estranho.
1 - Confiar e dormir na casa de Felipe.
2 - Sair correndo do lugar e ir direto pra casa.
Vocês tem até quinta-feira pra votar, por favor apontem erros.
