segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Eu sou Deus - Capítulo 58

Esse é um conto interativo, antes de ler essa parte, leia os capítulos anteriores para você não ficar perdido sem entender nada.

I

Denise observa abismada a horrível cena do homem se levantando em meio ao asfalto e Matheus correndo em direção a ele. Ela provavelmente ficaria paralisada se não se assustasse com o alto som do policial dando um tiro, fazendo com que ela solte um grito e dê alguns passos para trás assustada. A moça fica horrorizada com a cena de uma pessoa tomando um tiro à queima roupa, mas para a sua surpresa o homem  apenas dá alguns passos para trás e logo vai em direção a Matheus correndo, esse desvia e ela vê o homem continuando correndo em sua direção, a garota. Ele corre de forma torta, aparentemente pela violência do impacto do carro, mas mesmo assim se move de forma surpreendentemente rápida e logo abaixa as mãos cheias de agulhas e toca o chão, fazendo um horrível som e deixando a cena ainda mais medonha, mas logo um novo som de tiro pode ser ouvido e o homem  perde o equilíbrio, caindo pra frente. A garota de programa ouve a voz de Matheus dizer:

-Cuidado, não deixa ele tocar essas agulhas em você!
-O que?

Ela mal tem tempo de falar algo quando o homem se levanta repentinamente e com um movimento rápido enfia com força a mão de injeções em sua barriga, normalmente ela gritaria com um impacto desses, mas perde todo o ar com o impacto, e também tem a sensação de que algo foi aplicado nela. Denise empurra com força o corpo do homem para trás e sente suas mãos se cortarem com mais agulhas escondidas em baixo de seu casaco e grita mais de horror do que de dor ao ver diversas agulhas atravessarem suas mãos.

Logo o homem tomba e mais um som de tiro pode ser ouvido, e então ela vê Matheus que começa a atirar nele no chão em diversos lugares, mas principalmente na cabeça. O baleado treme bastante a cada tiro, até que finalmente pára de se mexer. Matheus recarrega e continua atirando mesmo com o homem imóvel, para só então dizer:

-Merda seu desgraçado! Vocês sempre tem que aparecer em locais complicados não é? E eu nem posso te chutar dessa vez graças a essas malditas agulhas!

Ele então cuidadosamente segura o zíper do casaco e abre fazendo Denise gritar ao ver que o homem não tem um corpo visível, mas apenas centenas de injeções com agulhas apontando para diversos lados e algumas sujas de sangue, aparentemente o da mão da moça. Matheus então pega as bordas do casaco e arrasta a criatura para seu carro rapidamente, abre o porta malas e a joga dentro. Logo volta correndo e diz:

-Me ajuda a pegar as capsulas de bala!

Ele começa a catar todas do chão, mas Denise está assustada demais e fica imóvel, ele a olha com uma expressão estranha mas continua catando rapidamente, logo dá uma olhada rápida em tudo, se aproxima da mulher e a guia até o seu carro, coloca-a no banco do passageiro e então entra também e pisa no acelerador, saindo rapidamente do lugar.

II

Uma música romantica calma toca baixo na rádio, Denise está calada e de repente a música para de tocar, ela olha e vê a mão de Matheus no rádio, ele diz:

-Odeio esse tipo de música... Olha já estamos saindo de Brasília, está na hora de você receber algumas explicações, sei que a experiência deve estar sendo traumática, mas você já deve ter se acalmado o suficiente para começar a entender ao menos um pouco do que estou falando. Você consegue me escutar?

Denise balança a cabeça positivamente e então Matheus continua:

-Sabe o que te contei na noite anterior? Bom, era tudo verdade, essa coisa que te atacou como você pôde ver, não é uma pessoa, é um monstro. Aquilo é uma das ressonâncias que citei e é o que Carlos e eu estávamos caçando esse tempo todo.

A moça fica calada mas Matheus não a pressiona, ela começa a se lembrar de toda a história relatada pelo policial, toda a loucura que ele contou envolvendo ficar preso no teto de seu apartamento, monstros estranhos e várias coisas surreais. Ela tenta processar toda a informação de uma vez mas se sente perdida pois assim que começa a pensar em algo, outro pensamento terrível lhe vem à mente antes que ela possa digerir o primeiro. Mas duas coisas em especial não param de pertubá-la, a visão do monstro que a atacou e os ferimentos causados. Ela tenta achar uma saída para a situação absurda mas não visualiza nada e após alguns minutos sem perceber pergunta:

-E agora?
-Bom, agora nós temos que nos livrar do corpo, você deve lembrar qual é o processo.
-Você vai jogar ele em um lago não é?
-Isso.
-Como você sabia que ele ia me atacar? Se você tivesse demorado alguns segundos mais eu estaria morta.
-Eu não sabia, como te falei a garota me liga e diz onde será o próximo ataque, dessa vez era exatamente onde você estava, quando vi você eu percebi o que estava acontecendo.
-Obrigada... Eu não sei como agradecer...
-Não agradeça, a noite não acabou e aquela coisa feriu você. Ressonâncias são baseadas no medo das pessoas, sendo você uma garota de programa, o que você acha que continha naquelas seringas?
-Como assim?
-Ah... Nada... Nós ainda temos que ver muitas coisas, depois discutimos isso.

Denise tenta se concentrar nas palavras de Matheus, mas está confusa demais e a legião de pensamentos que tem a impede de raciocinar direito qualquer coisa. Ela tem uma estranha sensação, de que isso não está acontecendo, é apenas um pensamento de uma terrível lembrança de um passado distante, mas logo percebe que está acontecendo sim, e novamente vem a sensação de novo de ser apenas uma lembrança. Ela nunca sentiu isso antes, talvez seja a forma de seu cérebro manter a sua sanidade, tentando fazer algo tão terrível ser apenas uma lembrança.

Após algum tempo de viagem o homem pára o carro, Denise não tem ideia de quanto tempo está no carro pois estava perdida em pensamentos, Matheus não falou muito, provavelmente estava deixando ela organizar as terríveis lembranças da noite. Ele logo diz:

-É melhor ficar no carro, você não vai querer ver isso. Eu voltarei em alguns minutos, não saia.

Ela sente um aperto no coração ao olhar pelo retrovisor e ver em meio a escuridão o homem tirando o corpo iluminado pela luz do carro. Ele arrasta o corpo para dentro do mato e logo some, a mulher começa a olhar para os lados apavorada. Ela tem medo de que outra coisa a ataque enquanto o policial está fora e começa a rezar. Seu coração bate acelerado e seus ouvidos ficam atentos para qualquer som. Ela pensa em ligar o rádio para se acalmar, mas desiste da ideia quase imediatamente quando lembra que se fizer isso pode não ouvir o som de algo se aproximando.

Vários minutos se passam quando de repente ela ouve alguma coisa vindo de dentro da mata, a moça começa a entrar em desespero quando ouve a voz de Matheus anunciar que voltou. Ele entra no carro e ela pergunta irritada:

-Por que demorou?
-Eu fui sozinho e essa ressonância era diferente das outras, eu não podia apenas fatiar ela como fiz com as outras, isso fez com que eu tivesse que ir com cuidado.

Ela percebe que ele está todo melado de sangue e pergunta:

-Você se machucou?
-Não, esse sangue não é meu, apesar das seringas, aquela coisa tinha carne em baixo daquilo tudo, acho que elas sempre tem carne... Mas nada que um banho não vá resolver.

Ele começa a dirigir e a moça sente-se aliviada em finalmente poder sair de toda essa escuridão.

III

-O que você está esperando? Até parece que nunca veio aqui antes, entra!

Denise entra no apartamento com o convite de Matheus, ela realmente já foi diversas vezes à casa dele. Em geral ela prefere ir a motéis quando atende algum cliente para evitar riscos, mas o policial sempre foi um cliente especial que ela confia e por isso nunca viu problema, no entanto agora ela se sente entrando na casa de um estranho. Ao mesmo tempo sente-se muito grata por ele a ter chamado para dormir em sua casa pois até poucos minutos atrás não tinha ainda parado para pensar sobre ficar sozinha em casa e em como seria assustador.  Logo ele diz:

-Vai tomar banho, vou arrumar algumas coisas, tenho um pijama que você pode usar.

A moça vai sem dizer nada e limpa seu corpo, só então lembra dos ferimentos, eles pararam de doer há algum tempo e ela só percebe eles quando vê o sangue em sua barriga e sua mão, se não provavelmente teria esquecido completamente. Ela sente-se aliviada em finalmente poder lavar o seu corpo, provavelmente já é quase manhã. Ela não gosta de dormir com o cabelo molhado, mas acha melhor lavar, está se sentindo muito suja. Após alguns minutos ela sai e Matheus preparou um lanche, ela pergunta:

-Você tem secador de cabelo aqui?
-Não.
-Um ventilador então?
-Tenho um, está no meu quarto, vou tomar banho, come alguma coisa.
-Está bem...

Denise vai ao quarto e liga o ventilador passando uma escova para tentar secar ao máximo embora saiba que o jeito será dormir com ele molhado mesmo. Está exausta e começa a afastar os pensamentos sobre a história que Matheus contou, ela não quer lembrar de nada disso por enquanto, também está se sentindo um pouco de enjôo. Acaba se deitando na cama e ficando quieta. Matheus entra no quarto momentos depois e fala:

-Não vai comer?
-Não, eu não estou me sentindo muito bem.

Os dois ficam em silêncio por algum tempo e então o policial fala:

-Eu vou te levar ao hospital.
-Não, não precisa eu só quero ficar aqui quieta.
-É sério, temos que ver isso e...
-Não! Eu só quero ficar quieta, me dá um tempo!
-Está bem.

Ela sente que foi idiota com ele, mas não tem paciência para discutir nada, apenas quer dormir e tentar esquecer tudo o que ocorreu, ela não quer sair mais. A moça fica de olhos fechados por alguns instantes e logo Matheus vem e se deita ao seu lado desligando a luz. Ela sente-se aliviada por ele não tocá-la, ela não está com ânimo  algum, apenas quer descansar. Mas apesar do cansaço e vontade imensa de dormir para poder ficar um pouco tranquila, ela não dorme, a madrugada passa e ela não consegue tirar a figura do monstro que a atacou da cabeça. E assim ela entra em um estado de dormência que a faz sentir que está dormindo mas ao mesmo tempo acordada, isso acontece até que abre os olhos e a luz do dia já entra pela janela. Ela se vira para olhar Matheus mas ele já não está ali. Por alguns segundos Denise se mantém quieta, mas então ouve uma voz vindo da sala, não apenas a do policial, mas a de outra pessoa também. Ela se levanta e vai até a porta, onde ouve parte da conversa:

-Eu te avisei... Não me culpe no futuro.

É uma voz feminina, ela entra na sala para ver quem é e logo depois percebe que talvez não tenha sido uma boa ideia, ela agiu sem pensar, poderia ser uma parente de Matheus ou alguém que ele não quisesse que a visse, mas não havia mais o que fazer e ela logo vê uma adolescente com diversos ematomas pelo corpo, faixas e gesso, essa olha imediatamente para Denise e diz:

-Eu não gosto de ter nenhum tipo de contato com gente como você, então saiba que embora seja o que temos, a culpa não foi minha, culpe ele quando começar a odiar a sua vida.

A garota pega uma moleta e começa a andar em direção à porta, Matheus então diz:

-Espera, e a doença?
-Não se preocupe, a Meretriz não vai adoecer, mas você sabe o meu preço, infelizmente ela é o que temos, então vai viver para pegar aids em outra ocasião.

A garota sai sem fechar a porta, Matheus se levanta e a fecha dizendo:

-Me desculpe.
-O que foi tudo isso?
-Olha, nós precisamos conversar, é melhor você se sentar um pouco.

Denise se senta assustada e desconfiada, ela sabe que o que vai ouvir não será bom e então o policial começa a falar:

-Ontem eu ia te falar sobre a ressonância ser feita à partir do medo das pessoas, e aquela ter siringas torna óbvio que é um medo seu de pegar doenças no seu trabalho, então aquelas siringas provavelmente estavam todas contaminadas.
-Eu estou com aids? - Ela pergunta com uma voz calma, mas muito assustada.
-Não... Não temos que nos preocupar mais com isso, aquela foi a garota que te falei, mas o preço dela é que à partir de agora você também irá fazer o que faço.
-O que? Eu não posso, eu tenho uma vida...
-Eu sei, não é justo... Desculpe, eu nunca deveria ter te contado, quando ela me disse que eu não deveria falar disso com ninguém, ela queria evitar que isso acontecesse. Pelo jeito é como se fosse uma maldição em que todos que sabem a respeito começam a sentir os efeitos, e é por isso que a ressonância apareceu pra você, porque eu te falei tudo. Eu não sabia que era assim que funcionava se não eu não teria te colocado no meio disso.

Denise fica calada, ela leva a mão à cabeça, desesperada sem saber o que fará. Não vai aguentar ter noites como a anterior novamente e sente que tudo o que tudo o que ela lutou até agora foi em vão e que sua vida não terá mais nenhum sentido. Novamente começa a ter a sensação de isso ser apenas uma lembrança horrível distante e começa a imaginar se não se trata apenas de uma terrível brincadeira de mal gosto, mas não vê saída alguma. Após alguns  minutos ela olha para o policial e percebe o quanto ele parece exausto e desgastado, e como deve ter sofrido até o momento passando por isso tudo, logo ela baixa a cabeça e fala com uma voz triste:

-Então é essa a sensação...
-De que?
-De quando um sonho se despedaça...

Denise:
1 - Decide ir pra casa, ela precisa de um tempo sozinha para aceitar tudo.
2 - Fica na casa de Matheus e faz o máximo de perguntas possíveis.

Por favor apontem erros, vocês tem até terça feira para votar.
Dá uma ajuda compartilhando? =)

Comentários
5 Comentários

5 comentários:

Squall* disse...

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Leoo disse...

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Jean_Joker disse...

2 - acho q é melhor ela esclarecer as duvidas, eu já desconfiei na hora que ela tinha pegado aids, hahahahah, me senti muito Sherlock Holmes mano U.u

Vinicius Martins disse...

Acho que é um pouco tarde de mais, mas eu achei um erro : " o que você acha que continua naquelas seringas?"

Skywalkerpg disse...

Vinicius nunca é tarde demais para corrigir, sei que outras pessoas ainda vão ler, então muito obrigado. =D