Esse é um conto interativo, antes de ler essa parte, leia os capítulos anteriores para você não ficar perdido sem entender nada.
Capítulo 37 Capítulo 38 Capítulo 39 Capítulo 40 Capítulo 41 Capítulo 42
Capítulo 43 Capítulo 44 Capítulo 45 Capítulo 46 Capítulo 47 Capítulo 48
Capítulo 49 Capítulo 50 Capítulo 51
Capítulo 43 Capítulo 44 Capítulo 45 Capítulo 46 Capítulo 47 Capítulo 48
Capítulo 49 Capítulo 50 Capítulo 51
Carlos percebe que está andando, mas sente como se não estivesse em seu corpo. Ele vê árvores ao seu redor e logo vê uma pista com carros. Ouve uma voz familiar distante, ele tenta descobrir de quem é a voz, mas não consegue, está distante. O homem não entende o que está acontecendo e a voz não pára de falar algo que não compreende. Então ele se esforça e finalmente ouve alguém dizer:
-Tudo vai ficar bem, nós iremos resolver.
Carlos olha em direção à voz e percebe que é Matheus, e então percebe que está dentro de um ônibus, não há muitos passageiros. Ele tem a impressão de que foi parar ali andando, consegue lembrar levemente do caminho, mas ao mesmo tempo sente como se não tivesse feito isso. Ele não liga para o que Matheus diz. Olha para o lado de fora e vê as luzes passando lá fora, logo olha para a sua mão e a obesrva. O fotógrafo não entende o que está acontecendo e porque está ali, e é então que ouve mais uma vez a voz do policial dizer:
-Verei o que posso descobrir sobre sua mulher.
O homem sente uma forte pontada no coração. Ele mais uma vez lembra que sua mulher morreu e leva as mãos ao rosto, e ao tirar, está entrando em seu apartamento. Matheus está ao seu lado com uma mão em seu ombro e logo o guia até o sofá. Carlos observa o apartamento, ele não chora, mas se esforça. Ele quer chorar, quer muito, mas nenhuma lágrima sai. O homem sente-se sufocado com a sensação de não consegui colocar toda a dor que sente para fora. Matheus está na cozinha falando alguma coisa em voz alta, mas Carlos não entende e nem consegue se concentrar nisso, ele apenas quer poder chorar, poder demonstrar o quanto amava a sua mulher, mas não consegue.
Poucos minutos depois Matheus aparece na sala com uma xícara de café, que entrega a Carlos. Ele segura e observa o conteúdo da xícara, e nesse momento tem uma lembrança de sua mulher preparando chá sempre no começo da noite. E essa lembrança parece ser o que finalmente consegue liberar tudo o que o homem sente. Os dedos de Carlos amolecem, deixando a xícara cair no chão, derramando tudo e logo depois o homem se ajoelha no chão levando as duas mãos à cabeça e soluçando um choro intenso. Matheus diz:
-É melhor você ir dormir, amanhã eu vou cuidar de tudo...
-Morreu! Ela morreu! Eu nunca mais vou vê-la na minha vida. Como isso é possível? Ela estava aqui e agora não está mais, ela não existe, o que eu vou fazer? Eu quero encontrá-la.
O cérebro de Carlos tenta processar uma forma de encontrar sua mulher novamente, como se houvesse um lugar que ele pudesse ir e encontrá-la. Mas não há, não existe nenhum luga do planeta ou do universo onde ela esteja, ela se foi definitivamente e nunca mais ele poderá vê-la novamente.
-Eu tinha tanta coisa pra dizer pra ela, eu precisava ver o sorriso dela mais vezes, precisava amá-la mais, abraçá-la. Mas ela se foi pra sempre... Oh Deus! Oh Deus! Eu tinha que ir primeiro, eu não quero ficar sozinho. Não posso aguentar algo assim.
-Venha homem, vou te levar para a cama, é melhor você descansar. Você precisa esfriar sua cabeça.
-Não!
Carlos empurra o amigo e continua ajoelhado, ele joga o seu corpo pra frente, encostando a cabeça no chão. Sua mente não pode aguentar isso, ele deseja que alguém o ajude, que alguém enfrente isso por ele. Não consegue suportar a pressão de algo tão horrível ter ocorrido a mulher que ele amava e se culpa pela morte dela. De repente ele sente uma forte pancada na cabeça, e seu corpo amolece. Então vê o teto de seu apartamento e também vê Matheus. Depois percebe que está deitado em sua cama. Seus olhos se fecham mas ele não adormece.
Os sentidos dele parecem se aguçar com seus olhos fechados. Ele sente as lágrimas quentes descerem pelo seu rosto e sente seu corpo exausto parecer relaxar um pouco. Ele não mexe um músculo, apenas quer ficar parado como está. O seu cheiro está horrível, é cheiro de sangue, suor e barro. Nada mais ao seu redor parece completamente real. Ele se sente vencido pela vida e começa a pensar que talvez no fundo sempre soubesse que nunca mais a veria só que nunca quis aceitar. Carlos sempre pensou que ele morreria primeiro que a mulher, ele nunca pensou que teria que encarar sua perda pois nunca conseguiu ver algum sentido na vida se não a tivesse.
E assim ele começa a pensar que talvez não precise continuar, talvez possa simplesmente acabar com tudo nesse momento mesmo. O fotógrafo senta-se na cama e olha para a janela. Se ele pular, não vai sobreviver, apenas acabará com esse sofrimento. Se não consegue suportar sua vida apenas esses primeiros momentos é tão doloroso, ele não quer ter que sentir por anos essa dor. O homem se levanta para começar a andar, mas ao fazer isso ouve um som vindo de trás dele, ele olha e não vê nada atrás, no entanto no canto de seu quarto vê uma mulher parada imóvel, só que não é uma pessoa comum, no lugar de sua cabeça há um telefone. O homem fica imóvel, e a mulher começa a se mover em sua direção, e quando fica em sua frente, ela retira o telefone do gancho em sua cabeça e oferece a Carlos.
1 - Atender
2 - Cometer suicidio
3 - Chamar Matheus
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