Esse é um conto interativo, antes de ler essa parte, leia os capítulos anteriores para você não ficar perdido sem entender nada.
I
Sento-me na minha poltrona acochegante e sinto meu corpo relaxar de forma fantástica como se todos os meus músculos agradecessem por isso. São oito e pouco da noite e agora só quero descansar, o dia foi cansativo, quero assistir um pouco de TV, beber uma cerveja, enfim, descansar. Não que eu seja um policial preguiçoso, acho inclusive que eu faço um ótimo trabalho, mas um homem também precisa de seu momento de paz.
De repente ouço o telefone tocar, mas que droga... Agora que eu sentei esse telefone decide começar tocar, tudo bem, nem sempre o mundo é de maravilhas. Me levanto e atendo, ouço a voz de um colega de trabalho do outro lado da linha, é Matheus, um policial que conheço há muitos anos e somos bons amigos, não vou dizer que por isso eu esteja mais animado de ter levantado de minha poltrona, mas ao menos não é nenhum cobrador ou algo assim. A voz diz:
-Oi, Leandro, tudo bem?
-Tudo Matheus, o que aconteceu?
-Eu estou sem fazer nada, você quer andar um pouco? Preciso conversar.
-Olha cara, eu realmente não estou muito disposto, pode ser outro dia?
-Ah, vamos lá? Qual o problema? Sou seu amigo há anos, uma conversinha não vai fazer mal.
Matheus realmente deve estar querendo conversar, provavelmente está com problemas, não é uma grande surpresa pra mim, sempre imaginei que um dia ou outro ele iria se dar mal por não ser um homem correto como deveria ser, mas apesar de tudo gosto dele então por mais que me desagrade descer em um momento como esse, é bom eu fazer isso, afinal hoje ele está precisando conversar com alguém, amanhã pode ser eu, então respondo:
-Tudo bem...
-Ótimo, obrigado cara, passo aí em quinze minutos.
Vou vestir uma roupa para descer e em exatos quinze minutos ouço o interfone tocar, desço logo depois. Ao chegar, vejo Matheus, ele logo me cumprimenta, dizendo:
-Tudo bem Leandro?
-Sim, o que aconteceu?
-Ah cara, tanta coisa, minha vida pareceu virar de cabeça para baixo sabe? Esses últimos tempos estou tendo muito problemas.
-Como era de se esperar não é? Eu sempre te avisei que um dia você iria acabar se dando mal por isso.
Nós começamos a andar, nossas conversas sempre foram assim, conversamos e andamos sem destino até estarmos longe demais e resolvermos voltar e continuar a conversa até chegar em minha casa novamente. Matheus parece estar desanimado mesmo, logo ele continua:
-Não é isso, eu definiria mais como um "problema com mulheres".
-O que? Matheus, o azarador tendo problemas com mulheres e vindo conversar comigo sobre? Quem diria ein?
-Pois é, mas essa é realmente o que eu chamaria de "Mulher Poderosa".
Nós dois damos uma risadinha rápida da afirmação e logo eu pergunto:
-E de onde ela é?
-Bom, ela tem uma casa no Guará, mas não gosta muito que falem sobre ela, não posso apresentar a meus amigos nem nada, o que é uma pena.
-Sei como é, esse tipo de mulher é mesmo bem chata, parece que tem vergonha do relacionamento, mas fazer o que? Sai dessa, parte pra outra.
-Não posso, estou amarrado nessa situação.
-Você? Realmente não estou te reconhecendo! Esse não parece muito o seu estilo. Onde você a conheceu?
-Na minha quadra mesmo, mas o primeiro encontro já me causou um impacto imenso. Mas quer saber? Chega de falar sobre ela, como você tem passado?
Acho muito estranha a repetina mudança de assunto de Matheus, ele não veio aqui falar sobre a nova namorada? Já desistiu? Isso deve estar abalando mesmo ele. Talvez eu não deva insistir no assunto. Então respondo:
-Está tudo bem, ultimamente não tem acontecido nada de muito interessante. Sabe como é né? Às vezes se cai na rotina, mas nem sempre quer dizer que isso seja ruim. Apesar de se tornar cansativo é melhor do que aquelas épocas em que estamos cheios de problemas.
Nesse momento percebo o que acabei de falar, droga... Ele está exatamente em uma época dessas, acho que não fui a melhor escolha de Matheus para desabafar, espero que eu consiga fazer ele se sentir melhor ao invés de piorar as coisas.
A conversa prossegue com eu mudando de assunto, falamos dos velhos tempos, coisas que já passamos, rimos um pouco. Aquele velho papo nostálgico que velhos amigos sempre tem de tempos em tempos. Saímos da minha quadra, a conversa já está animada, sempre é assim, acho que foi bom mesmo ter descido um pouco, o Matheus tem esse dom, o cara consegue conversar com você e se mostrar muito bom de papo, tem um jeito um tanto cativante, é o que eu chamaria de uma "verdadeiro picareta nato". O humor negro dele em piadinhas inusitadas geralmente costuma agradar sempre, apesar de algumas pessoas acharem desagradável esse jeito dele.
Meu amigo retira um maço de cigarros e começa a fumar, aponta pra mim enquanto está com o cigarro na boca e fala um abafado:
-Quer?
-Não, você sabe que não.
-Que mocinha. - Diz ele soltando fumaça.
-Vamos ver a mocinha daqui alguns anos.
-Alguns anos? Eu gosto mais de pensar no agora!
-Como você é cabeça dura.
Procuro não ser o cara chato que insiste que os amigos parem de fumar, mas é inevitável eu mostrar meu descontentamento. Essa coisa fede e ainda faz mal à saúde, acho que nunca vou entender porque algumas pessoas fazem isso. Então ele fala:
-Seu hipócrita.
-Eu? Por que?
-Você bebe, nem venha com esse papo de ser o senhor saúde pra cima de mim.
-Mas é diferente.
-Claro, todo viciado protegendo seu vício, não é? O alcool deve está fazendo um bem enorme para sua saúde.
Diz Matheus dando um sorriso de deboche e soltando fumaça na minha cara, logo respondo:
-Mas eu não sou viciado, bebo com moderação.
-Vamos ver a moderação daqui alguns anos.
Nós dois gargalhamos e ficamos um pouco calados, então resolvo arriscar voltar ao assunto, acho que já estamos descontraidos o suficiente e então pergunto:
-Mas e essa garota... Você ta afim mesmo dela?
-A verdade é que não.
-Hã? Eu não estou entendendo.
Nesse momento Matheus faz um som para eu ficar em silêncio e começa a observar algo, eu tento perguntar o que ele ta fazendo mas ele manda eu me calar novamente, decido então esperar. Logo ele me olha para mim e retira sua arma, me entrega, logo depois saca uma segunda arma, afinal o que diabos ele está fazendo? Eu então pergunto:
-O que? Pra que você ta me entregando uma arma cara?
-É melhor você se preparar para o que está por vir.
-Como assim?
Nesse momento ele aponta e dispara duas vezes, eu olho pra onde ele apontou e vejo uma mulher de costas. Instintivamente aponto a arma para Matheus, gritando:
-Larga a arma agora! O que você ta fazendo cara?
-Antes de me render, dá uma olhada naquela mulher.
Eu olho e percebo ela tremendo de uma forma estranha, seus cotovelos tem também pontas esquisitas que logo me surpreendem saindo para fora de uma vez como se fossem espadas. Então a mulher se vira e eu sinto meu corpo gelar ao ver aquela bizarra figura, meus olhos só podem estar me enganando, o que é aquilo? Parece que ela tem um enorme olho no lugar do rosto, a mulher corre em direção a Matheus e dá um enorme salto, ele se movimenta rapidamente para o lado e a mulher se vira agachada com as lâminas arrastando o chão fazendo surgir um estridente som de metal. Eu me afasto imediatamente e olho de perto, é asqueroso, isso não é uma mulher, é um tipo de monstro. Ela vai se levantando lentamente observando meu amigo e logo abre os braços para os lados, fazendo as lâminas dos cotovelos se tocarem produzindo um ameaçador som de metal se arrastando. Então ela pára e mexe a cabeça me olhando ao lado dela, ouço alguns sons de estalos e ela me analisa e em um salto vem para cima de mim, porém ouço mais um som de disparo e ela gira desequilibra para o lado, estou imóvel, Matheus grita:
-Atira Leandro! Essa coisa não é uma pessoa!
Eu me viro e começo a correr, mas logo vejo um vulto por cima de mim e então à minha frente a criatura cai. Ela agora quer me pegar. Eu aponto a arma e disparo diversas vezes, ela corre em minha direção e, com a mão esquerda, dá um tapa com força na minhas pernas, fazendo eu cair de lado no chão, logo depois ela movimenta com velocidade o seu cotovelo direito com uma lâmina para me atingir. Eu solto um grito de horror, penso que vou morrer mas me surpreendo ao ver que o braço dela pára antes da ponta atingir meu corpo e é então que vejo que Matheus está atrás dela segurando seu braço, e ele fala:
-Rápido saí daí!
Ouço um som de tiro e a criatura solta um bizarro som de dor e logo rola para o lado, lançando Matheus longe e batendo as lâminas sonoramente diversas vezes no chão. Vejo que meu amigo se feriu, provavelmente foi acertado quando ela o jogou longe, mas ele se levanta e atira, logo dou um tiro também, fazendo com que ela perca o equilíbrio por alguns segundos, mas logo ela continua a correr em direção a ele, a vejo dar um giro lateral e parar com as lâminas para o lado, de onde posso ver ter muito sangue, logo depois ela o pega pela cabeça e bate com força na parede do prédio, eu atiro mais uma vez fazendo a criatura o soltar e olhar para mim, ela vem em minha direção, mas aperto o gatilho diversas vezes a atingindo, logo ela se vira e foge. Por um segundo fico paralisado, mas vejo que tenho que sair dali, corro em direção a meu amigo e o pego, coloco no ombro e começo a andar, grito por socorro no caminho, sempre olho para trás, ela pode estar me perseguindo, se ela estiver eu vou morrer. O que era aquilo? Aquela coisa... Matheus parecia saber o que era. Meu corpo está coberto de sangue, não parei para ver onde foram os ferimentos, mas estou encharcado, espero que ele não morra, espero que nenhum de nós morra.
Eu chego ao meu prédio, ele precisa de cuidados urgentes, a perda de sangue é enorme, não posso deixá-lo morrer, estou em desespero, pego a chave do meu carro e o abro, coloco meu amigo dentro e dirijo o mais rápido que posso para o hospital.
II
Eu acordo com um som irritante, abro os olhos e o ouço novamente, percebo que é o interfone. Por um momento penso que tudo foi um pesadelo, mas logo lembro que não, a noite anterior realmente aconteceu. Fiquei horas no hospital até decidir voltar para casa, ainda estou sentindo arrepios, o que era aquela coisa afinal? O som do infertone toca novamente e levanto irritado gritando:
-Já vou!
Atendo o interfone e descubro que são colegas meus, avisam que estão por perto então pensaram em passar para dar um oi, porém ao contarem o motivo de estarem por perto eu sinto um arrepio. Falam que houve um tiroteio perto. Eu me visto e desço rapidamente. Não pretendo falar sobre o que aconteceu, quem acreditaria? Quero que Matheus acorde, preciso falar com ele e perguntar o que era aquela coisa. Meus amigos vão conversando alegremente e eu procuro não ser muito frio, mas a verdade é que não consigo me concentrar direito no que dizem.
Ao chegarmos à quadra, vamos em direção ao lugar, mas para a minha surpresa eles não vão para o rumo onde ocorreu o tiroteio de ontem a noite, mas sim outro lugar. Lá fico pensativo, me falam das cápsulas de bala, sangue, mas nada indica que estivemos ali. Me sinto aliviado.
Após algum tempo conversando eu digo que tenho que ir e retorno ao lugar onde estávamos, recolho as cápsulas de bala e observo um pouco, aquela coisa ainda estará por aí? Será que está aqui agora mesmo me observando? Espero que não...
Volto para casa, guardo as capsulas, espero que tudo esteja bem com Matheus, espero que aquela coisa não retorne mais.
Durante o resto do dia percebo que estou um pouco traumatizado, qualquer som de metal ou vidro me faz virar rapidamente, como uma coisa daquelas pode existir? Será que era um humano deformado? Não, não pode ser, mesmo que isso explicasse aquele bizarro olho, e aquelas lâminas? Aquilo não era uma pessoa.
Visito Matheus e fico horas esperando, o observo, mas ele não acorda, espero que não continue assim. A noite é o pior momento, acho que só consegui dormir depois de sair do hospital por estar exausto, mas agora percebo que não é assim, rolo por horas na cama, não consigo dormir.
III
Eu acordo me sentindo quebrado, me sinto estranho, uma dor de cabeça enorme, mais um dia de trabalho... Me arrumo, pego meu carro e vou para a delegacia.
Descubro algo interessante, uma pessoa foi encontrada partida ao meio, uma mulher, o caso por si já é muito bizarro, porém para alguém que passou pelo o que eu passei, é difícil não achar que ela foi atacada pela criatura de olho enorme. Eu sei que foi... Então aquela coisa ainda está por aí, e ela me viu. Pode estar atrás de mim. Que Deus me proteja, eu não quero ter que ver uma coisa como aquela nunca mais, Matheus precisa acordar, realmente precisa, não posso aguentar mais ficar calado sem contar para ninguém e ter essa dúvida enorme sobre o que era aquilo.
A noite cai e eu volto para casa, fico de olho nas janelas, temo que aquilo entre a qualquer momento, mantenho minha arma carregada e ando com ela pela casa, será que agora é assim que vou viver? No medo?
De repente o telefone toca, eu atendo e fico surpreso ao ouvir a voz de Matheus desesperado do outro lado da linha dizendo:
-Leandro? Eu preciso da sua ajuda, preciso que me ajude a sair desse hospital agora.
-O que? Do que você está falando? Você está em recuperação, mas o que era aquela coisa Matheus? Aquela criatura.
-É por isso que eu preciso de sua ajuda cara, eu tenho que matar uma daquelas novamente.
-O que?
Meu coração parece parar quando ouço isso, "matar um daqueles novamente"? Então há mais daquelas coisas? Eu não posso encarar novamente aquilo, não mesmo.
1 - Ajudar Matheus a fugir e matar a coisa.
2 - Ajudar ele a fugir mas apenas para perguntar sobre, não se arriscar a se ferir mais, ao invés disso chamar anônimamente a polícia e informar a localização da coisa, ela certamente cuidará melhor do assunto.
3 - Dizer que não vai ajudá-lo, o amigo precisa se recuperar, se ele enfrentar aquilo de novo vai morrer certamente, perguntar informações por telefone e ir ele mesmo ao lugar.
Votem até meia noite, lembrem de corrigir erros avistados por favor.
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